A passagem de Brito, campeão em 1970 com a Seleção, pelo Cruzeiro

A passagem de Brito, campeão em 1970 com a Seleção, pelo Cruzeiro

4 minutos 11/06/2026
A passagem de Brito, campeão em 1970 com a Seleção, pelo Cruzeiro
A passagem de Brito, campeão em 1970 com a Seleção, pelo Cruzeiro (Brito em treino no Cruzeiro)

O futebol está de luto pela morte do ex-zagueiro Hércules Brito Ruas, titular da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1970 e notabilizado por seu excelente condicionamento físico. Aos 86 anos, ele estava internado há cerca de um mês em tratamento de uma pneumonia. Ídolo do Vasco, clube pelo qual disputou 405 partidas de 1957 a 1969, Brito também passou por Flamengo, Cruzeiro, Botafogo e Corinthians. Em homenagem ao tricampeão mundial, o No Ataque/Estado de Minas relembra a seguir como foi a sua curta trajetória pela Raposa.

Brito chegou ao Cruzeiro pouco depois da Copa do México, emprestado pelo Flamengo, onde se desentendeu com Yustrich. As atuações pela Seleção e o fato de ter sido considerado o dono do melhor preparo físico do Mundial não foram suficientes para convencer o técnico a lhe devolver a camisa titular rubro-negra. Esta vinha sendo vestida por Washington – mineiro de Barão de Cocais, irmão do antigo volante Lincoln (ex-Atlético) e do armador Geraldo (morto prematuramente em 1976, numa simples operação de amígdalas, quando era um dos destaques do Fla, ao lado de Zico), e pai de Bruno Alves, ex-zagueiro da Seleção de Portugal.

A passagem Brito pela Toca da Raposa foi muito boa, mas curta: apenas 31 jogos até fevereiro de 1971. Num deles, contra o Flamengo, depois da vitória de virada por 3 a 1, sob forte chuva, no Mineirão, o jogador correu em direção ao banco adversário e atirou sua camisa em Yustrich, que tentou sair do túnel em seu encalço, mas foi contido por integrantes da comissão técnica e jogadores reservas. A Raposa chegou às semifinais do Robertão, o Brasileiro da época, e o viril zagueiro entrou na seleção da primeira Bola de Prata da recém-criada Revista Placar.

No fim do empréstimo, a diretoria cruzeirense pouco se esforçou para renovar o compromisso, e o atleta acabou se transferindo para o Botafogo, numa novela que envolveu até a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), que então administrava o futebol brasileiro. O presidente Felício Brandi entendia que o Cruzeiro não tinha prazo para adquirir o passe em definitivo, enquanto o Fla afirmava que os celestes haviam perdido a opção de compra em dezembro.

Brito disputou 31 partidas pelo Cruzeiro - (foto: Arquivo EM)

Brito disputou 31 partidas pelo Cruzeiro(foto: Arquivo EM)

Outro ingrediente da confusão foi que a CBD tinha o passe de Brito como garantia de uma dívida do clube carioca, paga pela entidade à Real Federação Espanhola de Futebol. Em 1º de março de 1971, Felício chegou a ir ao Rio com Cr$ 300 mil para fechar a compra na CBD, mas não houve acerto. “Brito tem de apresentar-se ao Flamengo. O Cruzeiro não cumpriu o combinado e o beque é nosso outra vez. Com o Cruzeiro não nos interessa mais fazer qualquer negócio”, afirmou o presidente rubro-negro André Richer, na edição do Estado de Minas do dia 2. Ele estava trocando Brito pelo atacante Roberto, também campeão mundial pelo Brasil.

“Cruzeiro vai desistir de Brito”, anunciou o EM em 3 de março. Segundo o jornal, a CBD havia definido que o clube teria de pagar Cr$ 350 mil para ficar com o jogador. “Brito é um ótimo jogador, teve uma conduta exemplar até agora, mas acho muito caro o preço de seu passe, principalmente com o Cruzeiro sendo obrigado a pagar os Cr$ 350 mil à vista”, explicou o diretor Carmine Furletti. Vale lembrar que clube já cuidava da contratação de Roberto Perfumo, zagueiro do Racing e da Seleção Argentina.

Brito quis ficar, mas foi embora em cinco meses

Em fevereiro de 1971, Brito integrou o elenco do Cruzeiro em uma excursão por países da América do Sul. Sua última partida foi no dia 17, em Lima, no Peru, onde o time perdeu para o Universitario por 3 a 2. A partir dali, o zagueiro passou a aguardar uma decisão do clube mineiro e até se dispôs a treinar novamente no Barro Preto.

“Quero ficar em BH. Ganho bem, adaptei-me à cidade e já estou com todas as minhas coisas aqui. Não é média, não. Quero mesmo continuar no Cruzeiro”, afirmou a Brito ao Estado de Minas, em 4 de março. O Botafogo chegou a fazer uma proposta para que o atleta permanecesse na Toca e outro jogador fosse envolvido na troca por Roberto com o Flamengo, mas o assunto não foi à frente.

No dia 5 de março, o EM publicou: “Brito já assinou com o Botafogo. Fez força para ficar, mas o Cruzeiro não fez a mesma força para evitar sua volta ao futebol carioca”. No dia anterior, chamado ao Rio pelo Flamengo, o zagueiro assinou seu contrato por um ano com o alvinegro de General Severiano e já treinou no novo clube. “De agora em diante, o futebol carioca tem mais um tricampeão mundial. E o Cruzeiro perdeu o beque que conseguiu consertar sua defesa”, lamentou o jornal.

Brito em entrevista ao Estado de Minas - (foto: Arquivo EM)

Brito em entrevista ao Estado de Minas(foto: Arquivo EM)

Reportagem publicada originalmente no Estado de Minas em 5 de março de 2015

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