Início » Atlético: Arena MRV tem menor valor de naming rights dos estádios da Série A; ranking


Nesta sexta-feira (10/4), o acordo multimilionário de naming rights firmado pela Nubank com a WTorre para renomear o estádio do Palmeiras ganhou o noticiário nacional. Com isso, o Allianz Parque mudará de nome, que será definido por meio de votação popular. A informação reacendeu o debate sobre os valores de contratos celebrados entre arenas e empresas no Brasil. Entre as casas de clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, a Arena MRV, do Atlético, é a que recebe o menor valor anual.
Naming rights (direitos de nome, em português) é uma estratégia de marketing adotada por uma empresa para nomear um local, evento ou equipe, com o objetivo de aumentar a visibilidade. O primeiro contrato deste tipo no Brasil foi assinado em 2005, entre o Athletico-PR e a empresa japonesa de tecnologia Kyocera, e transformou a Arena da Baixada em Kyocera Arena por três anos.
A desenvolvedora imobiliária WTorre administra o estádio do Palmeiras desde a inauguração, em 2014, e tem contrato válido até 2044. O primeiro contrato de naming rights do local, assinado com a seguradora Allianz, previa pagamento de R$ 300 milhões por um período de 20 anos – R$ 15 milhões por temporada. Esse valor, corrigido, alcançou patamar próximo a cerca de R$ 27 milhões anuais em 2026.
As partes acertaram rescisão de vínculo, e a WTorre agora fechou parceria com o Nubank. O banco digital pagará 10 milhões de dólares (cerca de R$ 50,2 milhões) anuais para nomear a casa do Verdão, de acordo com a ESPN.
O montante será, com sobras, o maior do país entre os estádios com naming rights. Apesar disso, vale a ressalva de que o Palmeiras, por contrato, só tem direito a 15% dos valores – algo em torno de R$ 7,8 milhões anuais com o novo acordo. Esse percentual aumenta de cinco em cinco anos.

Na avaliação de Amir Somoggi, especialista em marketing esportivo, o valor do contrato celebrado entre as partes é “totalmente inflacionado”. Na prática, o montante representa o dobro do segundo maior acordo de naming rights do Brasil: o MorumBIS, do São Paulo, assinado por R$ 25 milhões anuais.
“O valor dos naming rights que o Nubank vai pagar para a WTorre está totalmente inflacionado, fora da realidade. Sorte do Palmeiras que vai lá frente se beneficiar desse valor astronômico. Valor de US$ 10 milhões por ano é maior que a média da NFL, NBA ou MLB. Essa conta não fecha!”
Amir Somoggi, especialista em marketing esportivo, no X
*Entre parênteses, os valores totais dos contratos firmados entre os estádios e os patrocinadores.
**O valor é corrigido de acordo com a inflação.
***O Corinthians acredita que o valor do naming rights está defasado e busca acordo com nova empresa, conforme revelou o presidente Osmar Stábile em agosto do ano passado. De toda maneira, o contrato firmado com a Hypera Pharma prevê correção pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) e, atualmente, supera os R$ 20 milhões mensais.
A Arena da Baixada era integrante desta lista até julho de 2025, quando rescindiu o contrato fechado por cerca de R$ 13,3 milhões anuais com a operadora de telecomunicações e internet Ligga Telecom. A empresa chegou a ter dívida superior a R$ 50 milhões com o Athletico-PR, como revelado pela jornalista Monique Vilela na época.
A Vila Belmiro também rompeu com a empresa de títulos de capitalização de filantropia premiável Viva Sorte no início deste ano. O vínculo assinado em agosto de 2024 previa pagamento de R$ 15 milhões anuais ao Santos por 10 temporadas.

O contrato celebrado entre Atlético e MRV&CO, em vigor desde 2023, previa o pagamento de R$ 71,7 milhões ao clube mineiro por 10 anos do direito de nomeação do novo estádio alvinegro em Belo Horizonte. Para concluir as obras, no entanto, o Galo antecipou crédito de R$ 42,5 milhões.
Os naming rights do estádio do Atlético foram pivô de “novela” no passado. Originalmente, em 2017, o contrato de 10 anos estipulava o desembolso de R$ 60 milhões por parte da MRV, mas os valores foram corrigidos com o tempo.

A negociação foi propulsora de uma operação de crédito concretizada pelo Galo junto ao Banco Inter, chamada de Cédula de Crédito Bancário (CCB). Nos dias atuais, a própria MRV paga esse empréstimo do clube mineiro em parcelas mensais à instituição financeira, com juros de Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais 0,6% ao mês.
“Esse empréstimo será pago pela MRV Engenharia diretamente ao Banco quando do pagamento das parcelas contratuais para Arena MRV. As amortizações deste empréstimo irão acontecer em 120 parcelas após a obtenção da Licença de Operação, conforme contrato de naming rights com a MRV Engenharia”, consta nas demonstrações financeiras da Arena MRV.
O valor é corrigido pelo IPCA. Sendo assim, o montante anual recebido pelo Atlético equivale a cerca de R$ 9,1 milhões anuais nos dias atuais.

O Atlético também fechou acordos de sector naming rights (direitos de nome setorizados) na Arena MRV. Por valores não confirmados pelo clube mineiro, as empresas ArcelorMittal, Banco Inter e Ambev (Brahma) nomeiam partes do estádio alvinegro.
“Em dezembro de 2021, a Arena MRV possui compromissos firmados com a Arcelor Mittal referente a um contrato de patrocínio, onde foi adquirido o ‘sector naming right’ dos camarotes, bem como, ativações de marketing como o ‘Aço oficial da Arena MRV’ pelo período de cinco anos, contando a partir da obtenção da Licença de Operação, tendo um valor residual a receber de R$ 3.250 mil, mediante ao cumprimento das contrapartidas de marketing acordadas no período.”
Demonstrações financeiras da Arena MRV em 2021
A reportagem de No Ataque ofereceu ao Atlético a possibilidade de um posicionamento sobre o tema. A assessoria da Fonte Nova também foi contactada para informar se o contrato com a Casa de Apostas é ou não corrigido pela inflação, mas não houve resposta por ora. Em caso de retorno, esta nota será atualizada.
O Galo se posicionou por meio de Márcio Freire, vice-presidente do departamento de negócios do clube. O executivo frisou o contexto da época em que o vínculo com a MRV foi firmado e destacou que o novo cenário do mercado traz “reflexões sobre o alinhamento entre o valor do contrato e a relevência que a propriedade alcançou”.
“O contrato com a MRV foi firmado em 2017, em contexto muito diferente do atual, tanto do ponto de vista econômico quanto do estágio do empreendimento, que era apenas um projeto.
Desde então, a Arena se consolidou como um ativo estratégico do Clube, com projeção nacional e internacional.
Com a parceria com a Live Nation, a Arena também se transformou em um dos principais hubs de entretenimento do Brasil, ampliando seu alcance para além do futebol.
A performance esportiva, com as recentes conquistas e disputas de título, também fortaleceu muito a marca Atlético.
Esse novo cenário, naturalmente, traz reflexões sobre o alinhamento entre o valor do contrato e a relevância que a propriedade alcançou.
O Atlético mantém uma relação sólida com seus parceiros, ao mesmo tempo em que avalia continuamente oportunidades para evoluir suas receitas.“
A notícia Atlético: Arena MRV tem menor valor de naming rights dos estádios da Série A; ranking foi publicada primeiro no No Ataque por Lucas Bretas

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