Atlético, Botafogo e Corinthians concentram 43% de toda a dívida da Série A

Atlético, Botafogo e Corinthians concentram 43% de toda a dívida da Série A

3 minutos 28/05/2026
Atlético, Botafogo e Corinthians concentram 43% de toda a dívida da Série A
Atlético, Botafogo e Corinthians concentram 43% de toda a dívida da Série A (Bandeira do Atlético na Cidade do Galo)

O cenário financeiro do futebol brasileiro em 2025 apresenta um contraste nítido entre a busca pela competitividade e o peso do passivo acumulado. De acordo com a 17ª edição do Relatório Convocados, do economista Cesar Grafieti, um dado salta aos olhos e evidencia a disparidade na elite nacional: apenas três clubes – Atlético, Botafogo e Corinthians – são responsáveis por 43% do total de dívidas da Série A.

Enquanto o endividamento líquido consolidado dos clubes da Série A (somado a dívidas relevantes da Série B) atingiu a marca de R$ 17,3 bilhões em 2025, o crescimento foi puxado principalmente pelo aumento das dívidas operacionais, reflexo direto da agressividade no mercado de transferências.

O Atlético lidera este ranking indigesto, figurando como o clube com a maior dívida líquida do país. Segundo o documento, as pendências do Galo atingiram R$ 2,632 bilhões ao final de 2025, um aumento de 13,25% em relação aos R$ 2,324 bilhões registrados no ano anterior.


A análise de performance do relatório classifica a situação do Atlético com o selo de “Dívidas elevadas e crescentes”. Entre os pontos que “não funcionaram” no último exercício, destacam-se no documento:

  • Receitas com crescimento tímido: o Atlético teve uma receita total de R$ 670 milhões, uma alta de apenas 6%
  • Custos elevados: o relatório aponta que os custos permaneceram altos, o que resultou em um EBITDA recorrente negativo de R$ 190 milhões, uma piora de 157%
  • Déficit líquido: o Galo fechou o ano com um resultado líquido negativo de R$ 309,9 milhões

Mesmo com a transformação em SAF em 2023, o Atlético segue pressionado. O documento reforça que “é preciso sobrar dinheiro para reduzir as dívidas, que não podem ultrapassar níveis de segurança”. No caso do Galo, o que se viu foi o oposto: um aumento nos investimentos em futebol (R$ 362 milhões, alta de 17%) em um ano de prejuízo recorde.


Botafogo e Corinthians completam o G-3

A situação dos outros dois integrantes deste grupo também exige máxima atenção. O Botafogo, apesar do crescimento de 92% em sua receita total (chegando a R$ 1,37 bilhão), teve desempenho operacional altamente “calcado nas receitas com transferências”, enquanto o EBITDA recorrente permanece “ainda muito negativo”. Segundo o relatório, p time carioca tem uma dívida de R$ 2,525 bilhões.

Já o Corinthians ocupa a terceira posição do G-3, com uma dívida líquida de R$ 2,466 bilhões. O relatório é contundente ao afirmar que, no Timão, as “dívidas seguiram em crescimento e a alavancagem está bem acima da referência de equilíbrio”.

Além disso, o clube apresentou uma redução de 80% no EBITDA e teve suas demonstrações financeiras publicadas com “ressalvas relevantes” pela auditoria.

O custo da dívida e o risco de valuation

O peso dessas dívidas não é apenas um número no balanço; ele corrói a capacidade de investimento futura. O relatório explica que as despesas financeiras (juros) desses clubes são tão colossais que superam o faturamento anual de diversos rivais. No caso de Atlético, Corinthians e Botafogo, o custo de carregar essas dívidas foi maior que a receita total de clubes como Vitória, Ceará, Sport, Mirassol e Juventude.

Esse endividamento é um fator que reduz o valor de mercado (valuation) das instituições. Nesse cenário, Atlético, Botafogo e Corinthians representam o maior desafio de gestão do futebol brasileiro: equilibrar o desejo de protagonismo em campo com uma montanha de obrigações financeiras que teima em crescer.

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A notícia Atlético, Botafogo e Corinthians concentram 43% de toda a dívida da Série A foi publicada primeiro no No Ataque por Ailton Bruno do Vale

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