Atlético mira aporte financeiro para ‘recuperar’ credibilidade no mercado

Atlético mira aporte financeiro para ‘recuperar’ credibilidade no mercado

4 minutos 12/12/2025

Uma das metas do Atlético para os próximos anos é recuperar a credibilidade no mercado. Isso passa por colocar as contas em dia, como os salários de jogadores e demais funcionários e o pagamento a clubes pela compra de direitos econômicos. Novo CEO do Galo, Pedro Daniel comentou a importância de honrar os compromissos dentro do prazo combinado.

“Esse é um bom ponto. Como ser bem-visto pelo mercado? Quando eu falo ‘pelo mercado’, é em todos os cenários. Para isso, algumas ações não necessárias. O principio básico é honrar com os compromissos. É o que eu venho discutindo bastante com o Thiago (Maia), diretor financeiro, sobre essa equalização de fluxo para que a gente possa honrar aquilo que prometemos”.

O gestor pediu calma e paciência àqueles que querem resultados imediatos. Segundo Pedro, trata-se de um “processo” para que o Atlético seja uma instituição sustentável. Publicado nessa quinta-feira (11/12), o Regulamento do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ajudará o clube a se organizar.

“É um processo para que a gente consiga equalizar. Agora, temos outra ferramenta que nos ajuda, que é o fair play financeiro. É um agente externo que pode afetar ainda mais a credibilidade do que já aconteceu antes. Não tem coisa pior do que ser punido pelo órgão regulador pelo não cumprimento de normas. Isso acaba afetando a credibilidade em outros cenários”.

Pedro Daniel, CEO do Atlético

Principais novidades do fair play financeiro

Uma das medidas implementadas é o “Indicador de Custo com Elenco”. Em 2026, um clube da Série A do Campeonato Brasileiro não poderá gastar mais do que 90% de sua capacidade de receita. Na temporada 2027, o índice cairá para 80%. A partir de 2028, ficará estabelecida a proporção de 70%.

A CBF também instaurou normas para o endividamento em curto prazo. Em 2026, o valor não pode ultrapassar 70% do faturamento. O número decresce nos anos seguintes: 60% em 2027, 50% em 2028 e 45% a partir de 2029.

No demonstrativo contábil do exercício de 2024, o Atlético informou uma arrecadação de R$ 674 milhões. Com base nas regras do fair play financeiro, o clube não poderia ter custo superior a R$ 471 milhões com o futebol (70%), nem tampouco contrair dívida em curto prazo acima de R$ 303 milhões (45%). Isso, claro, a partir de 2029, quando terminará o período de transição.

Pedro Daniel, novo CEO do Atlético - (foto: Leandro Couri/EM/D.A. Press)
Pedro Daniel, novo CEO do Atlético(foto: Leandro Couri/EM/D.A. Press)

Dívida do Atlético

O tamanho da dívida do Atlético é tema de debate entre especialistas em finanças. Quando publicou o balanço de 2024, em maio deste ano, o clube citou o valor de R$ 1,369 bilhão. Contudo, esse montante, na verdade, estaria na ordem de R$ 1,7 bilhão a R$ 1,8 bilhão, se forem desconsiderados contas a receber, títulos mobiliários e depósitos judiciais.

Com o ano de 2025 em seu último mês, os responsáveis pelo departamento financeiro ainda não atualizaram as cifras pendentes de pagamento. Todavia, segundo Pedro Daniel, é preciso analisar o perfil de cada débito antes de liquidá-lo. “Dívida tributária, por exemplo, não faz sentido (zerar), pois ela está refinanciara. Algumas dívidas bancárias têm taxas interessantes, outras menos”.

Aporte para reduzir pendências

No rol de problemas econômicos enfrentados pelo Atlético estão as dívidas de contratações. Em 2025, o Galo atrasou pagamentos referentes às compras de Júnior Santos (Botafogo), Iván Román (Palestino, do Chile), Fausto Vera (Corinthians), Tomás Cuello (Athletico-PR), entre outros. As agremiações acionaram a CBF e a Fifa para receber o dinheiro do clube mineiro.

Nesse sentido, os torcedores alvinegros que anseiam por grandes contratações em 2026 vão precisar de um pouco de cautela. A ideia é utilizar eventuais aportes para diminuir a dívida em curto prazo.

“Quando pensamos em um aporte, será especificamente destinado a diminuir a dívida. Não teremos alto investimento no futebol, senão será contraditório. ‘Ah, precisamos de um aporte de R$ 600 milhões para pagar dívida, mas vou sair contratando’. Há esse alinhamento interno para entendermos que as próximas movimentações serão feitas para essa destinação”, disse Pedro Daniel.

A partir do momento em que ajustarmos a estrutura de capital, teremos mais dinheiro para o futebol em médio prazo. No curto prazo, não”.

Pedro Daniel, CEO do Atlético

Em busca de equilíbrio, o Atlético também vislumbra utilizar propriedades não exploradas em busca de novas receitas. “Conteúdos, mídias sociais, TV, nossos documentários, enfim. São pontos que podem acarretar maior receita. Estamos discutindo bastante como explorar propriedades que não exploramos. Temos um mar gigantesco, muito a percorrer”, encerrou o dirigente.

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