Início » Atlético tem primeiro volante no elenco? Sampaoli diverge de diretor em análise


Entre torcedores do Atlético, uma necessidade de contratação para o clube mineiro é quase que um consenso: um primeiro volante com boa capacidade de construção, mas também com características fortes de marcação. Enquanto o tema é frequentemente debatido nas redes sociais, o CSO Paulo Bracks e o técnico Jorge Sampaoli, do Galo, divergem em análise a respeito da disponibilidade de um jogador da função no elenco alvinegro – e isto pôde ser constatado por declarações abertas de cada um deles.
Na última terça-feira (10/2), Paulo Bracks explicou que, desde o ano passado, a avaliação interna da diretoria era de que o elenco do Atlético dispunha de três atletas com capacidade de atuar como primeiros volantes. A princípio, com Alan Franco, Fausto Vera e Rubens – depois, com Alexsander como substituição no mercado para o último deles, que foi negociado junto ao Dínamo Moscou, da Rússia.
“Com a saída dele (Otávio), a gente não trouxe um jogador para a posição porque, no ano passado, até a chegada do Alexsander, a gente basicamente tinha o Alan Franco, o Fausto Vera e uma criação do Cuca de o Rubens jogar ali um pouco no meio de campo, fazendo uma função que pode ser uma função nominada de primeiro volante – um jogador que tinha poder de destruição e que, às vezes, baixava um pouco ali na linha dos zagueiros. Então, a gente tinha três. Com a saída do Rubens, a gente buscou no mercado um jogador para a substituição dele e trouxe o Alexsander”, iniciou Bracks ao HG Play, no YouTube.
“Não estou justificando que a gente não trouxe porque ou a gente não conseguiu ou a gente não quis. A gente tinha isso como meta ano passado, como a gente tem esse ano. Mas a gente tinha três volantes! Três primeiros volantes. (…) Esses são dados analíticos dos três jogadores que a gente tinha aqui ano passado que, na carreira inteira dos três, eles jogaram majoritariamente como primeiro volante”, prosseguiu.
Em seguida, na mesma linha de raciocínio, Bracks disse acreditar que a cobrança da torcida por um jogador da posição está intimamente associado ao aspecto afetivo. O executivo se baseou na tese de que, de modo geral, o atleticano sempre teve afeição por jogadores com mais características de pegada na marcação para a posição.
“Aí, vamos entrar na história do Atlético, que eu conheço e conheço os jogadores do Atlético desde que fui ao Mineirão pela primeira vez, com 10 anos de idade. O que a gente gosta, eu gosto, é daquele primeiro volante mais pegador, de mais marcação. Aí nós vamos lembrar do Pierre, do Donizete – que era um camisa 8, mas jogava como camisa 5 -, de um Éder Lopes, de um Gutemberg”, refletiu.
“Mais para frente, um Gilberto Silva, um Allan, um Jair que não era tanto um camisa 5… Mas esse perfil desse jogador mais pegador não era o perfil que a comissão técnica do ano passado queria – e não é o perfil que a comissão técnica atual quer. Isso é um ponto que a gente precisa enfrentar. Não é que a gente não tenha o primeiro volante. A gente não tem o primeiro volante que a torcida, ou parte da mídia, ou até eu mesmo quero. Porque não combina, não conjuga com o modelo de jogo atual”, explicou.
Por fim, o CSO alvinegro afirmou que o Atlético tem três primeiros volantes à disposição – ainda que tenha avaliado que ao menos um deles precisa de uma “dupla” no meio de campo quando acionado assim. De toda forma, o dirigente ressaltou que o clube buscaria um novo nome no mercado – mais tarde, revelou-se que trata-se do argentino Tomás Pérez, de 20 anos, que atualmente defende o Porto-POR.
“Hoje, no Atlético, a gente tem o mesmo Alan Franco – que está aí majoritariamente na carreira como primeiro volante (não como um, mas como dupla). Fausto Vera como um (é só olhar aí as estatísticas). A gente tem o Alan Franco, o Alexsander (que está aí também, majoritariamente na carreira dele – campeão da Libertadores assim, na Arábia também)”, afirmou.
“E a gente tem o Maycon, que não é o primeiro volante que a torcida quer, que a mídia pode não querer, que eu posso não querer como pegador, mas é primeiro volante. Tanto que agora o Corinthians contrata o Allan para o lugar do Maycon, que é primeiro volante. E o Dorival Júnior fala isso. Então, a gente tem o primeiro volante. Não significa que nós não vamos buscar o primeiro volante”, encerrou.

Já nessa quarta-feira (11/2), depois do empate entre Atlético e Remo na Arena MRV, em Belo Horizonte, por 3 a 3, o técnico Jorge Sampaoli foi questionado sobre o tema. O jornalista Marcos Fernandes, da Rádio Itabira, chegou inclusive a mencionar a entrevista de Bracks e a avaliação do dirigente de que Alan Franco, Maycon e Alexsander podem atuar como primeiros volantes.
Na concepção do argentino, no entanto, todos os nomes citados precisam de uma “dupla” alinhada no meio de campo quando acionados na função. Sampaoli ainda destacou, na mesma resposta, que os problemas defensivos do Galo são mais amplos e começam pela ineficiência nas tentativas de pressão alta executadas pelos homens de frente.
“Eu realmente trabalho com os jogadores que tenho. Nenhum dos jogadores que você nomeou tem características de primeiro volante sozinho – necessitam de outro. São jogadores de um perfil que é para jogar com dois. Não são para jogar sozinhos como primeiro volante – por perfil, por característica, por posição”, explicou.
“Maycon jogando sozinho para jogar está muito bem, mas há outras etapas do jogo que lhe custam um pouco mais. Eu acho que são todos os jogadores com um perfil para jogar com um parceiro junto nessa metade do campo ou, inclusive, para jogar com três volantes. Porque realmente quando falo de alguma impossibilidade de controle de jogo defensivamente, não digo que passa exclusivamente pelos defensores, que também tem algum tipo de desequilíbrio devido à incosistência também da pressão que tem a parte superior”, avaliou.
O Atlético agora volta atenções para a oitava e última rodada do Campeonato Mineiro, na qual busca vitória para garantir vaga nas semifinais. O duelo decisivo será contra o Itabirito no Estádio Castor Cifuentes, em Nova Lima, a partir das 19h deste sábado (14/2).
O próximo compromisso do Galo na Arena MRV está marcado somente para 11 de março (uma quarta-feira), a partir das 19h, quando o time alvinegro receberá o Internacional em confronto pela quinta rodada do Brasileirão. Antes disso, de toda forma, a equipe de Sampaoli pode atuar como mandante caso avance ao mata-mata do Estadual.

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