Início » Bastidores: como diretoria e elenco do Atlético receberam as fortes falas de Domínguez?


O técnico Eduardo Domínguez não poupou críticas à postura do Atlético. Após a sofrida vitória por 2 a 1 sobre o Juventud, vice-lanterna do Campeonato Uruguaio, na Arena MRV, pela segunda rodada do Grupo B da Copa Sul-Americana, o argentino “soltou o verbo” na coletiva de imprensa. Mas, afinal, como a diretoria e o elenco receberam as fortes falas do comandante?
O No Ataque conversou com diversas fontes ligadas à cúpula, à diretoria e aos jogadores do Galo. A seguir, a reportagem conta os bastidores do episódio.
Fontes internas do Atlético relataram que, em geral, os jogadores entenderam o desabafo do “Barba” e concordaram com as falas. Além disso, contaram que a diretoria deu ao treinador “100% de autonomia” e respalda completamente o que ele disse.
Durante uma das respostas mais fortes da entrevista, inclusive, Eduardo citou as frequentes conversas que tem com Paulo Bracks, CSO do futebol do Atlético, e Pedro Daniel, CEO do Clube.
“Falo muito com o Paulo (Bracks, responsável pelo futebol), falei com o Pedro (Daniel, CEO), mas sobretudo com o Paulo. E concordamos sobre as coisas. Mas, de novo: a janela do meio do ano está longe. Tem que ser agora, tem que ser amanhã. Se não fizermos esta semana, não vamos conseguir. Vamos estar preparados com só um dia de esforço? Não, não, não. É minha forma de ver o futebol, por isso me contrataram. Temos que trabalhar forte na semana, deixar de lado o egoísmo: ‘Por que jogo? Por que não jogo?’. Mas, quando jogar, tem que mostrar. Quando jogar, tem que mostrar por que joga.”
Eduardo Domínguez, técnico do Atlético
Domínguez repetiu duas vezes a palavra “diagnóstico” ao longo da entrevista coletiva. Conforme apurado pelo No Ataque, além de respaldar completamente o técnico, a diretoria compartilha do mesmo “diagnóstico” dele.
“Hoje, nos igualaram correndo. O diagnóstico está feito. Mas nós, muitas vezes, acreditamos que, pela categoria dos jogadores, não vão nos alcançar. Se corrermos, não vão nos alcançar. É simples, simples. Não há tanto mistério, não há mistério. É treinar forte e jogar forte. Se treinar ‘mais ou menos’, vai jogar ‘mais ou menos’”, afirmou o “Barba” na primeira resposta.
“Se não, é fácil: ‘A culpa é do treinador, do clube do meu companheiro’. Precisamos de mais união, mais conexão, mais conexão. Mais, mais. Nesses momentos, mais. Se não estamos conectados internamente, como vamos nos conectar com o torcedor? Como vamos fazer isso? Não posso sair daqui contente com essa vitória. Em casa, chutamos só duas vezes ao gol. Há algo que está acontecendo, e não é no rival. Temos que ter calma. O diagnóstico é claro”, disse ele, durante a segunda resposta.

A entrevista coletiva foi a primeira cobrança pública efusiva de Eduardo Domínguez no Atlético. Contudo, ela não se trata de um episódio “isolado” – no dia a dia, o argentino tem perfil exigente com o elenco.
Fonte ligada ao clube garantiu que “não foi a primeira vez” que Domínguez direcionou ao elenco palavras mais fortes: “Não tem essa história de que ele foi primeiro na imprensa, primeiro externamente, para depois falar alguma coisa interna. Ele já cobrou e cobra no dia a dia”.
Outra fonte próxima a um jogador do Atlético brincou que o treinador é “meio doidão” e que tem perfil mais intenso. Em geral, as pessoas ligadas a atletas alvinegros confirmaram que o grupo entendeu as cobranças. Inclusive, segundo relatos, o clima do treino desta sexta-feira (17/4) foi “normal”.
Consultada pelo No Ataque, fonte da cúpula do Atlético afirmou que o discurso de Eduardo Domínguez é “preocupante, mas realista”. Contudo, fez contraponto e afirmou que o argentino precisa “fazer a parte dele”.
“O técnico também tem que fazer a parte dele e não escalar quem não está fazendo jus. Ele tem que mexer no time e deixar de fora quem não está se entregando.”
Fonte da cúpula do Atlético

Após a vitória sobre o Juventud, os meio-campistas Alexsander e Tomás Perez, o goleiro Everson e o meia-atacante Bernard foram questionados sobre falas de Domínguez na coletiva, em que o treinador mostrava-se descontente com a falta de dedicação do time nos jogos e nos treinamentos.
“É difícil falar, acredito que também não seja uma crítica geral, não sei de quem ele está falando, com quem ele está falando, mas se ele está falando realmente existe. Já chegamos a conversar em alguns momentos entre nós, depois da saída do Sampaoli… concordo que a partir do momento que vem vindo os técnicos e as coisas não mudam, as coisas não melhoram, temos que parar, como eu já dei uma entrevista antes, parar de olhar para o coleguinha, de apontar para o outro e começar a olhar para si mesmo, para começar a fazer algo diferente.”
Bernard, meia-atacante do Atlético
“Para ser bem sincero, sou completamente privilegiado de estar aqui dentro do Atlético, sei que isso aqui não é para sempre, sou o tipo de cara que não está aqui para brincadeira. Eu estou aqui porque sei que mereço estar aqui, que fiz de tudo para estar aqui, cada dia e cada jogo é uma oportunidade para que eu continue mantendo e escrevendo minha história dentro do clube. Então, sei que ao ir treinar, ao vir jogar…essas coisas vão passando e a temos que aproveitar cada momento, e não se aproveita cada momento simplesmente levando as coisas com a barriga. Aproveita-se vivendo o momento, entregando o melhor, fazendo o melhor, e é isso que eu faço”, completou o meia.

“Infelizmente, às vezes, eu não estou dizendo que um tem deixar de fazer, mas não tem como, eu posso cobrar dentro do treino, mas eu acredito que a mudança vem de dentro, da mentalidade, da vontade de querer mudar. Então, por mais que a gente sente, converse, aponte, fale, acredito que o jogador tem que querer. A partir do momento que ele quer, aí consegue obter ter mudanças. Então, a minha a minha mentalidade é essa, de querer sempre melhorar. Aquilo que eu tenho feito de bom, eu quero melhorar. Aquilo que tenho feito de ruim, quero melhorar cada vez mais para poder igualar com as coisas que eu preciso entregar para o treinador.”
Bernard, meia-atacante do Atlético
“Acredito que esse é o futebol, a mentalidade é essa, fazer o melhor todos os dias. Não é só como simplesmente chegar aqui no domingo e querer jogar bem. Tenho que treinar bem, tenho que me preparar bem, tenho que comer bem, tenho que dormir bem para poder chegar aqui e tentar fazer o meu melhor. Tem dia que as coisas não vão acontecer, como em alguns momentos não tava acontecendo comigo hoje? Tem. Mas é uma coisa que amanhã eu vou trabalhar, vou continuar minha mentalidade para que eu possa entregar uma melhor no domingo novamente. Então, são circunstâncias que às vezes não estão nosso controle, se a gente vai jogar bem ou não. Mas está sob meu controle fazer o meu melhor para o Atlético, o melhor para essa camisa”, finalizou.
“Ele pediu… que esses jogos são muito difíceis, porque geralmente eles correm bastante, e a gente tem que competir mais que que eles. O Everson falou até na hora que fechamos a roda ali, que temos que competir.”, iniciou Alexander.
“Chegamos nas finais nesses dois anos porque competimos além do adversário, a cobrança interna tem que ser bem maior. Fica nessa linha mesmo que ele colocou aí. Temos que trabalhar mais para poder evoluir e competir mais um pouco.”
Alexsander, meio-campista do Atlético
“São partidas muito difíceis, partidas de Copa. Essa Copa é muito difícil, são times bons e, bom, às vezes há jogos que corremos mais, outros corremos um pouco menos, mas sempre tratamos de dar o melhor”, disse o volante argentino.
“Esses jogos contra a equipe teoricamente inferiores no nosso continente, com certeza eles se dedicam mais, eles correm mais, são equipes que não desistem, principalmente uruguaios, argentinos, são times muito ‘briguentas’. E se você não compensar na briga, na vontade, você acaba sendo surpreendido pelo adversário. Hoje acabamos sendo surpreendidos eum uma bola, um equívoco meu, a gente acabou, não percebeu o atleta atrás do Ruan, acabei errando o passe. Eles estavam com a linha alta, acabamos não percebendo”
Everson, goleiro do Atlético
“Precisamos trabalhar mais, nos condicionarmos melhor ainda para que sejamos uma equipe intensa como o professor gosta de jogar, que com certeza temos uma equipe qualificada para poder ganhar os jogos com mais tranquilidade. Sabemos que poderia ser um jogo melhor, mas apesar dos pesares, a gente conquistou uma vitória, que foi de suma importância, fizemos três pontos na competição. Trabalhar agora para pensar no Coritiba, um jogo difícil, fora de casa precisamos pontuar também”, finalizou.
“Hoje, nos custou, voltou a nos custar, aconteceu algo muito parecido com o que aconteceu na Venezuela. Tivemos controle de bola, sem chegar ao gol rival. Outro dia, estávamos falando depois da derrota para o Santos, mas não foi o Santos, fomos nós. Não foi o Puerto Cabello, fomos nós. Agora, a mesma coisa com o Juventud. Se não pudermos fazer a diferença contra equipes menores, vai ser um semestre difícil, dificílimo, dificílimo.
Eu acredito em algo e acredito muito, porque já estive do outro lado, de ser o time mais ‘fraco’. Esses times correm e são mentalmente. Correm e são fortes mentalmente porque acreditam que vão ter uma oportunidade. Uma. E nós demos a eles a oportunidade. E aproveitaram. Se não corrermos, vai ser difícil. Na Venezuela, nos superaram correndo. Hoje, nos igualaram correndo. O diagnóstico está feito. Mas nós, muitas vezes, acreditamos que, pela categoria dos jogadores, não vão nos alcançar. Se corrermos, não vão nos alcançar. É simples, simples. Não há tanto mistério, não há mistério. É treinar forte e jogar forte. Se treinar ‘mais ou menos’, vai jogar ‘mais ou menos’.
Mas está longe… Está longe a janela do meio do ano. Quantas partidas faltam? Quinze, mais ou menos (13, na verdade). Na Argentina, tem campeonato com 15 partidas. Qualquer coisa pode acontecer. Nós temos o diagnóstico. O clube tinha o diagnóstico desde o início, por isso me contrataram.
Falo muito com o Paulo (Bracks, responsável pelo futebol), falei com o Pedro (Daniel, CEO), mas sobretudo com o Paulo. E concordamos sobre as coisas. Mas, de novo: a janela do meio do ano está longe. Tem que ser agora, tem que ser amanhã. Se não fizermos esta semana, não vamos conseguir.
Vamos estar preparados com só um dia de esforço? Não, não, não. É minha forma de ver o futebol, por isso me contrataram. Temos que trabalhar forte na semana, deixar de lado o egoísmo: ‘Por que jogo? Por que não jogo?’. Mas, quando jogar, tem que mostrar. Quando jogar, tem que mostrar por que joga. E, se não jogar, quando tiver a oportunidade, tem que mostrar por que tem que jogar.
“Se não, é fácil: ‘A culpa é do treinador, do clube do meu companheiro’. Precisamos de mais união, mais conexão, mais conexão. Mais, mais. Nesses momentos, mais. Se não estamos conectados internamente, como vamos nos conectar com o torcedor? Como vamos fazer isso? Não posso sair daqui contente com essa vitória. Em casa, chutamos só duas vezes ao gol. Há algo que está acontecendo, e não é no rival. Temos que ter calma. O diagnóstico é claro.
Cabe a nós decidir para a próxima partida. E, na próxima partida, vão jogar os que estiverem melhor – ou os que eu crer que estão melhores. Mas temos que fazer uma mudança em nós mesmos. Não importa o rival do fim de semana, somos nós mesmos. Sempre vai ser a gente. O que podemos fazer melhor? Às vezes, não é fazer mais, mas fazer melhor. Temos que treinar melhor, nos preparar melhor, para jogar melhor”.
A notícia Bastidores: como diretoria e elenco do Atlético receberam as fortes falas de Domínguez? foi publicada primeiro no No Ataque por Rafael Cyrne

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