Início » Bastidores: o que está por trás das declarações polêmicas de jogadores do Atlético?


Em fase oscilante dentro das quatro linhas, o Atlético vive momento conturbado nos bastidores. O que está por trás das declarações polêmicas de jogadores alvinegros, que expuseram publicamente problemas internos do dia a dia em entrevistas nessa quinta-feira (23/4)? O No Ataque foi atrás das respostas.
Mesmo depois da vitória do Atlético sobre o Ceará, por 2 a 1, pela quinta fase da Copa do Brasil, o clima na Arena MRV, em Belo Horizonte, foi de tensão. Nos minutos que sucederam o fim do jogo, o lateral-esquerdo Renan Lodi e os atacantes Dudu e Hulk deram entrevistas polêmicas.
Ao SporTV, Lodi negou possível “racha” no elenco do Galo, mas, sem entrar em detalhes, admitiu a existência de questões internas que interferem na performance do time dentro das quatro linhas. Na zona mista do estádio, Dudu foi outro a seguir a mesma linha de raciocínio.
As falas mais polêmicas, no entanto, vieram do principal ídolo desta geração alvinegra. Sem papas na língua, Hulk admitiu a possibilidade de deixar o clube no meio desta temporada e deixou claro que avalia a chance de expor situações internas que o incomodaram nos últimos meses – sem citar nomes, mas mencionando “quem manda” na instituição.
A reportagem de No Ataque conversou, ao longo desta sexta-feira (24/4), com fontes próximas a diversos jogadores para tentar entender o cenário interno no Atlético. A apuração deu conta de que ao menos parte do grupo alvinegro sente a gestão da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) distante e vê incapacidade do departamento de futebol em blindar o elenco externamente – informação esta antecipada pelo jornalista Hugo Lobão, do Canal do Frossard.
O NA ouviu de diferentes pessoas ligadas a atletas que, como afirmado por Renan Lodi em entrevista, não existe “racha” entre jogadores. De toda forma, alguns nomes sentem os acionistas “distantes” e têm a visão de que a maior parte da pressão e das cobranças ficam direcionadas ao grupo.
Houve ainda quem reclamasse da diferença do tom das cobranças no dia a dia de trabalho em relação a entrevistas externas. Por momentos, jogadores do Atlético sentiram que dirigentes “esbravejaram da porta para fora, mas seguiram como se nada tivesse acontecido no CT”, conforme relatou uma fonte.
Pessoas ouvidas pela reportagem também destacaram que, ainda que os salários estejam em dia, o clube tem pendências financeiras com alguns atletas. Há luvas, comissões e outros acordos contratuais em atraso – até mesmo com jogadores que já deixaram o Atlético, segundo apurou o NA.
Este incômodo, em específico, se estende desde julho do ano passado, quando nomes do elenco notificaram o clube judicialmente em virtude de atrasos salariais. Para alguns, a percepção é de que, naquele momento, houve a promessa por parte da diretoria de um “novo Galo”, que não permitiria com que estes problemas se repetissem, mas “pouco mudou desde então”.

Na última sexta-feira (17/4), a reportagem de No Ataque apurou com pessoas ligadas aos jogadores que a polêmica entrevista do técnico Eduardo Domínguez – que apontou problemas de dedicação e união no dia a dia – havia sido tratada com “naturalidade” por boa parte do grupo. De toda forma, nesta sexta-feira, outras fontes indicaram que houve descontentamento com o tom adotado pelo argentino por parte de alguns atletas.
O respaldo dado pelo departamento de futebol e pela gestão da SAF às falas do treinador também incomodou. Parte dos profissionais alvinegros entende que “coisas que deveriam ficar dentro do vestiário estão vazando há tempos” no clube, segundo relatou uma fonte.
Apesar disso, mesmo diante de discordâncias, o NA apurou que existe respaldo do elenco ao trabalho de Barba. A percepção dá conta de que, após a citada entrevista depois da vitória sobre o Juventud-URU (2 a 1), pela Copa Sul-Americana, a dedicação do grupo no dia a dia se tornou ainda maior, com jogadores chegando aos limites físicos para mudar o cenário.
A reportagem procurou representantes da cúpula da SAF do Atlético sobre o tema. Até o momento da publicação deste material, não houve retorno.
Em relação à entrevista de Hulk, o cenário segue idêntico ao do início do ano. Desejado pelo Fluminense, o jogador foi alvo de proposta do Tricolor das Laranjeiras na primeira janela de 2026 – e classificou a oferta como esportivamente atraente.
O camisa 7 desmentiu informações de que teria solicitado rescisão de contrato com o Atlético ou pedido informalmente para sair do clube. Ele ainda disse ter se sentido “desvalorizado esportivamente” pela gestão alvinegra e assegurou que não houve projeto esportivo claro e garantido da parte do Galo para sua continuidade na instituição.
O panorama de momento é de incertezas em relação ao futuro do atacante. Nessa quinta-feira, Hulk indicou abertamente que dirigentes do Atlético deixaram em aberto a possibilidade de que ele encerre o ciclo com a camisa preta e branca no meio do ano.

O No Ataque também conversou com Paulo Bracks, CSO (chefe de esportes, na tradução da sigla ao português) do Atlético, que se posicionou sobre o tema. O executivo assegurou que não há qualquer distanciamento entre o departamento de futebol, a comissão técnica e o grupo de jogadores.
“O departamento de futebol, comissão técnica e jogadores estão em constante conversa, em constante discussão. O CT é fechado. Não há nenhum tipo de racha. Não há nenhum tipo de problema dentro do CT. A gente quer que a performance seja melhor. Todos querem que a performance seja melhor em prol do clube. Todos. Não há nenhum tipo de arranhão nessa relação.
O que eu posso garantir é que são reuniões permanentes, são discussões permanentes. A gente gosta de tratar tudo internamente e a gente tem tratado. A gente tem tratado internamente todas as situações que são normais dentro do clube.
Não tem absolutamente nada. A gente está todos os dias no CT, todos os dias com os jogadores, o tempo inteiro. Tudo que precisa resolver, a gente resolve internamente. Não tem nenhum sentido de falar em distanciamento sobre quem está lá trabalhando todos os dias. Mesma coisa de falar que o treinador está distante dos jogadores. Não está.
Ele (Domínguez) tratou internamente também. O respaldo que a gente deu (à entrevista polêmica do treinador) foi um respaldo para o grupo e para o treinador, ao mesmo tempo. Não fiz nada em detrimento do grupo, de jeito nenhum. Eu sempre protejo o grupo, sempre tento blindar da melhor forma o grupo.“
Em meio ao momento conturbado, o Atlético retoma atenções para o compromisso pela 13ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro, contra o Flamengo. A partida será disputada neste domingo (26/4), a partir das 20h30, na Arena MRV.
Depois de duas derrotas consecutivas na principal competição nacional, o Galo busca dar resposta positiva. Com os resultados recentes, o time alvinegro caiu para a 12ª posição na tabela de classificação, com 14 pontos – somente dois a mais que o Corinthians, primeiro clube na zona de rebaixamento.
A notícia Bastidores: o que está por trás das declarações polêmicas de jogadores do Atlético? foi publicada primeiro no No Ataque por Lucas Bretas

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