Bechler aponta ‘desconexão’ no Atlético e opina: ‘Caminho muito perigoso’

Bechler aponta ‘desconexão’ no Atlético e opina: ‘Caminho muito perigoso’

5 minutos 27/04/2026
Bechler aponta ‘desconexão’ no Atlético e opina: ‘Caminho muito perigoso’
Bechler aponta ‘desconexão’ no Atlético e opina: ‘Caminho muito perigoso’ (Marcelo Bechler, jornalista esportivo nascido em Minas Gerais)

Jornalista esportivo natural de Minas Gerais, Marcelo Bechler publicou vídeo na manhã desta segunda-feira (27/4) no qual opinou sobre o momento atravessado pelo Atlético. No conteúdo, o comunicador disse enxergar “desconexão” no clube mineiro e também afirmou acreditar que a instituição vai em direção a um caminho “muito perigoso”.

Nesse domingo (26/4), o Atlético foi facilmente dominado e goleado pelo Flamengo, por 4 a 0, pela 13ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro. Depois do revés na Arena MRV, em Belo Horizonte, a imprensa esportiva nacional repercutiu a situação do clube, que convive com problemas de performance esportiva e gestão interna nos últimos anos.

Na análise de Marcelo Bechler, o Galo está distante do que historicamente sempre foi: uma equipe aguerrida, de conexão com as arquibancadas. O jornalista disse ver o Atlético “exposto” neste momento.

“A sensação que eu tenho já há algum tempo é de um Atlético muito desconectado entre a história do clube, o que se entende pelo Atlético, o que a torcida entende pelo Atlético, e o que a gente está vendo dentro de campo – e também nos escritórios da Arena MRV. Me parece uma desconexão muito grande entre o que eu cresci vendo o que o Atlético era: um time muito aguerrido, que às vezes nem tinha os melhores jogadores, mas que conseguia jogar e competia muito bem. Que não baixava a cabeça para os seus adversários e que tinha, normalmente, uma aura, um espírito muito diferente para poder brigar”, iniciou.

“Eu sei que os clubes são dinâmicos e que vão mudando. Os Atléticos vencedores de 2013 e, depois, de 2021, também tinham um ‘quê’ de luta, porque sempre existe, mas eram times técnicos. Eram times muito bons. (…) Eu não acho que, para ser Atlético, o time tenha sempre que ter jogadores não vou dizer ruins, mas jogadores simplesmente com capacidade de transpiração e não de inspiração. Ter bom jogadores é ótimo. Tanto que eu cresci vendo o Atlético com Euller, com Renaldo, com Marques, com Guilherme, com Robert… Com muitos bons jogadores e que também tinham esse ‘quê’ de luta, de brio e, especialmente, de conexão entre arquibancada e campo. Eu acho que isso se perdeu completamente”, prosseguiu.

“A derrota para o Flamengo eu acho que é simplesmente uma exposição do Atlético – como quando alguém é exposto nas redes sociais. É exposta a situação dentro de campo que a gente já vê algum tempo. E que, talvez, os próprios resultados não vinham trazendo, essa diferença tão grande de espírito, de organização, de conexão de um time e a total desconexão de outro. O Atlético, em todo momento contra o Flamengo, perseguiu sombras. O Atlético estava sempre um segundo atrasado. A liberdade que têm o Arrascaeta e o Pedro na frente da área do Atlético durante todo o jogo é muito grande. Se o Flamengo, no segundo tempo, precisasse de mais gols, ele faria mais gols – por mais que o Atlético tenha tido as suas (chances), o Flamengo teve quando quis, basicamente.”

Marcelo Bechler, jornalista esportivo

“Caminho muito perigoso”, aponta Bechler

Em seguida, ao comentar a gestão da Sociedade Anônima de Futebol (SAF), Bechler disse não duvidar do sentimento dos empresários Rubens e Rafael Menin, principais acionistas do clube-empresa, pelo Atlético. Ainda assim, pontuou que o Galo “não sabe a quem recorrer” neste momento de crise.

“A sensação que eu tenho é que (o Atlético) ainda não conseguiu se sentir totalmente em casa na Arena MRV e que tem essa clara desconexão entre o que a torcida gostaria e o que é o time dos Menins… Eu acho que os Menin são muito atleticanos, acho que também gostariam de um time muito forte, muito aguerrido e também muito técnico, muito brigador. Mas gerou-se ali uma diferença entre os que mandam e o que é o clube, porque antes acho que a torcida fazia parte de quem mandava. Hoje, acho que está muito distante disso. Gera essa desconexão depois com os jogadores, dentro de campo, e gera algo que é muito perigoso”, refletiu.

“O Atlético é forte para se manter em Primeira Divisão como um grande clube do futebol brasileiro por conta dessa conexão. Porque nem sempre o Atlético teve o time mais rico ou terá isso, os melhores jogadores, mas aquilo ali é o que segura. Aquilo ali é a base. Quando tudo dá errado, você sabe para onde correr, sabe a quem recorrer. O Atlético hoje não sabe a quem recorrer, onde recorrer, porque ele não tem mais essa conexão – que eu acho que muitas vezes salvou o clube. Muitas vezes, eu cresci vendo, a torcida salvar o Atlético – ou de rebaixamento ou de fazer esse time brigar mais. Hoje, me parece que o torcedor atleticano está tão desconectado, descontente, que ele está quase que ligando para outras coisas antes do futebol”, continuou.

“O Atlético já não gera no atleticano… E eu acho que já há algum tempo. As decepções nas copas, os maus anos de Campeonato Brasileiro e um pouco de barriga cheia também, né? Porque depois que você ganha tanto – e que o Atlético ficou tão por cima do Cruzeiro -, gera uma certa barriga cheia também, que você precisa sempre de mais e fica um pouco mal acostumado. Gerou esse distanciamento muito grande entre o DNA do clube, a torcida, a diretoria e o campo. E eu acho isso muito perigoso mesmo, porque a apatia que vai tomando conta da instituição e do torcedor pode levar o Atlético para um caminho muito perigoso. Nesta temporada, vai perdendo as suas referências também.”

Marcelo Bechler, jornalista esportivo

Próximo jogo do Atlético

Agora, o Atlético concentra atenções na terceira rodada do Grupo B da Copa Sul-Americana, na qual terá o Cienciano-PER como adversário. A partida será disputada no Estádio Inca Garcilaso de la Vega, em Cusco, a partir das 21h30 desta quarta-feira (29/4).

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A notícia Bechler aponta ‘desconexão’ no Atlético e opina: ‘Caminho muito perigoso’ foi publicada primeiro no No Ataque por Lucas Bretas

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