Início » Bechler expõe falhas do Cruzeiro contra Atlético, opina sobre pênalti e defende Gerson


Comentarista da TNT Sports, Marcelo Bechler divulgou as impressões pessoais acerca da derrota do Cruzeiro por 2 a 1 para o Atlético. Na visão do jornalista, a Raposa caiu na arapuca do Galo e não soube se reorganizar, especialmente na segunda etapa, quando os celestes ainda tiveram chance de empatar. O profissional ainda opinou acerca do suposto pênalti do lateral-esquerdo Kaiki no atacante Bernard e defendeu a partida do meio-campista Gerson.
Bechler explicou a estratégia do Atlético: não ter a bola, mas entrar em combate instantaneamente e avançar ao ataque com velocidade. Assim, o Cruzeiro não conseguiu trabalhar a redonda com categoria, o que lhe é intrínseco em boas partidas.
“O Atlético duelou muito melhor, recuperou mais bolas e mordeu mais. Os gols do Atlético saem em recuperação de bola. Mas acho que a tônica do jogo foi em nenhum momento deixar o Cruzeiro confortável. O Cruzeiro praticamente não tinha posse de bola de qualidade no campo de ataque. O Cruzeiro quase sempre estava sendo mordido. Os domínios eram muitas vezes de lado ou de costas. E eles (jogadores celestes) não tinham facilidade para atacar”
Marcelo Bechler, jornalista
O comentarista alegou que o Cruzeiro até mostrou um gás quando sofreu o empate, mas que o resultado é justo: “Isso (facilidade para atacar) aconteceu em algum momento depois do 1 a 1, momento em que o Cruzeiro se sentiu mais confortável. Até podia ter empatado, não seria um resultado injusto pela criação efetiva dos dois times. Mas, se tivesse que ter um vencedor, seria o Atlético… O jogo não teve um claro domínio, mas acho que termina melhor o Atlético”.
“Acho que o Atlético pegou o Cruzeiro. O que o Cruzeiro vai querer fazer é ocupar o campo de ataque, dominar o adversário, ter muito mais a bola, atacar e pegar rebote, ter volume. O que o Atlético não deixou o Cruzeiro ter em nenhum momento”, completou em seguida.
O lance mais debatido acerca do clássico envolve Kaiki e Bernard. Aos 47 minutos do primeiro tempo, o atacante do Atlético recebeu lançamento na ponta direita e cortou o defensor do Cruzeiro. Os atletas se chocaram na grande área, e o atleticano caiu alegando pênalti. Em campo, Davi de Oliveira Lacerda não marcou. Ele também não recebeu sugestão do VAR para revisar o lance.
Bechler concorda com a definição do árbitro da partida. O comentarista alegou que a posição do braço direito de Kaiki não é natural, mas também não é suficiente para derrubar Bernard, que teria desistido de seguir no lance.
“Para mim, não é pênalti do Kaiki em cima do Bernard. É muito insuficiente. É o famoso pênaltizinho. Acho que não é para marcar o pênalti em uma jogada que o jogador desiste de disputar a bola. Não é o suficiente, embora o braço do Kaiki esteja ali fazendo nada mais do que atrapalhar o adversário. Não é um braço natural, de disputa, mas é um pênalti que você só marca se não entende de futebol, não sabe a dinâmica e que claramente tem alguém querendo levar vantagem”
Marcelo Bechler, jornalista
Técnico do Cruzeiro, Tite mexeu na equipe apenas no segundo tempo. Aos 17 minutos, pouco depois do gol de empate do Atlético, a primeira alteração: o meio-campista Gerson substituiu o volante Lucas Silva. Em campo, o reforço ocupou a ponta direita, e Christian, que atua em tal faixa do gramado, fez a posição de origem – segundo volante.
“No segundo tempo, um panorama parecido. O Cruzeiro não consegue sair jogando, os meias, os pontas e o Matheus Pereira não conseguem ter liberdade para dominar. O Kaio Jorge quase sempre encaixotado”, avaliou o comentarista.
Lucas Romero, Christian e Wanderson também deixaram o gramado da Arena MRV para as entradas de Chico da Costa, Japa e Keny Arroyo, respectivamente. O camisa 11, inclusive, perdeu a chance de empatar o placar aos 42 minutos, quando o Galo vencia por 2 a 1 (Hulk marcou o tento do triunfo alvinegro, e Kaio Jorge havia aberto o marcador na etapa inicial). O erro do atacante equatoriano impressionou Bechler, que também destacou a atuação de Gerson.
“Há muito tempo não via um gol tão perdido. Ele estava muito perto do gol, era só deixar a bola bater no pé. Ele tenta direcionar para tirar do Everson e acaba subindo. Depois da boa jogada do Gerson com o Matheus Pereira. Aliás, a entrada do Gerson foi boa para o Cruzeiro, deu mais ritmo e mobilidade ao meio-campo no lugar do Lucas (Silva)”
Gerson, meio-campista do Cruzeiro
“O Atlético queria ter menos a bola e morder o Cruzeiro… Não queria muito joguinho, quem queria era o Cruzeiro… Todos os parâmetros ofensivos do Atlético são melhores do que os parâmetros do Cruzeiro. Nos desarmes e nos duelos também… Um jogo muito incompleto do Cruzeiro. Não conseguiu ocupar o campo de ataque, sair jogando bem, ganhar seus duelos para que os jogadores pudessem girar e, a partir daí, avançar”, concluiu Bechler.
O Cruzeiro volta a campo quinta-feira (29/1), às 21h30, contra o Botafogo, no Nilton Santos, no Rio de Janeiro, pela primeira rodada da Série A. No próximo domingo (1º/2), às 20h, os celestes jogam a sexta rodada do Mineiro, contra o Betim, na Arena Vera Cruz. A tendência é que Tite acione titulares em ambos os duelos, isso por causa da situação da Raposa no Estadual.
O Cruzeiro acumula três derrotas (para Pouso Alegre, Democrata-GV e Atlético) e duas vitórias no Estadual (contra Tombense e Uberlândia). O tropeço diante do rival aliado à vitória do North sobre o Pouso Alegre (5 a 2) fez com que os celestes, com os mesmos seis pontos, perdessem a liderança.
No Mineiro, avançam ao mata-mata os líderes de cada grupo, além do segundo mais bem posicionado. Ou seja, para se classificar em primeiro, a Raposa não depende mais apenas de si.
Segundo os cálculos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), um time com 15 pontos tem 97% de chance de jogar a semifinal. Portanto, o Cruzeiro teria de vencer os próximos três embates: contra Betim (1º/2, 20h, fora), América (8/2, 18h, em casa) e URT (14/2, 19h, fora).

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