Bracks se posiciona sobre turbulência no Atlético: ‘Nenhum tipo de arranhão’

Bracks se posiciona sobre turbulência no Atlético: ‘Nenhum tipo de arranhão’

6 minutos 24/04/2026
Bracks se posiciona sobre turbulência no Atlético: ‘Nenhum tipo de arranhão’
Bracks se posiciona sobre turbulência no Atlético: ‘Nenhum tipo de arranhão’ (Paulo Bracks durante entrevista coletiva pelo Atlético)

O Atlético vive um dos momentos mais delicados da temporada e, desta vez, a instabilidade não se restringe ao desempenho dentro de campo.

Nos últimos dias, declarações públicas de jogadores e do técnico Eduardo Domínguez escancararam um ambiente de pressão e insatisfação nos bastidores do clube.

Mesmo após a vitória por 2 a 1 sobre o Ceará, nessa quinta-feira (23/4), pela ida da quinta fase da Copa do Brasil, o clima na Arena MRV foi de tensão.

Em entrevistas concedidas logo após o apito final, Renan Lodi trouxe à tona problemas internos, sem, contudo, detalhá-los, enquanto o principal nome do time, Hulk, elevou o tom e admitiu até a possibilidade de deixar o clube.

Diante da repercussão, o CSO do Atlético, Paulo Bracks, falou com exclusividade à reportagem do No Ataque e tentou conter a narrativa de crise, negando qualquer tipo de ruptura no ambiente interno, conforme vê-se a seguir.

Bracks rebate crise e garante unidade no Atlético

Em posicionamento firme, Paulo Bracks afirmou que não há distanciamento entre diretoria, comissão técnica e jogadores, e reforçou que o clube trata internamente todas as questões.

“O departamento de futebol, comissão técnica e jogadores estão em constante conversa, em constante discussão. O CT é fechado. Não há nenhum tipo de racha. Não há nenhum tipo de problema dentro do CT. A gente quer que a performance seja melhor. Todos querem que a performance seja melhor em prol do clube. Todos. Não há nenhum tipo de arranhão nessa relação. O que eu posso garantir é que são reuniões permanentes, são discussões permanentes. A gente gosta de tratar tudo internamente e a gente tem tratado. A gente tem tratado internamente todas as situações que são normais dentro do clube. Não tem absolutamente nada. A gente está todos os dias no CT, todos os dias com os jogadores, o tempo inteiro.”, afirmou.

Para além disso, o dirigente destacou que os problemas atinentes à instituição serão resolvidos internamente, entre atletas, técnico e direção.

“Tudo que precisa resolver, a gente resolve internamente. Não tem nenhum sentido de falar em distanciamento sobre quem está lá trabalhando todos os dias. Mesma coisa de falar que o treinador está distante dos jogadores. Não está. Ele (Domínguez) tratou internamente também. O respaldo que a gente deu (à entrevista polêmica do treinador) foi um respaldo para o grupo e para o treinador, ao mesmo tempo. Não fiz nada em detrimento do grupo, de jeito nenhum. Eu sempre protejo o grupo, sempre tento blindar da melhor forma o grupo.“, concluiu.

A fala do dirigente surge como resposta direta a uma sequência de episódios que, nos últimos dias, expuseram divergências, incômodos e questionamentos dentro do clube.

Críticas públicas de Domínguez acentuaram momento turbulento

A turbulência ganhou força após a vitória “sofrida” por 2 a 1 sobre o Juventud-URU, pela Copa Sul-Americana. Apesar do resultado positivo, o desempenho da equipe gerou forte incômodo no técnico Eduardo Domínguez.

Na entrevista coletiva, o argentino fez críticas diretas à postura do time e deixou um recado claro sobre o que espera do elenco, que estaria entregando menos que o necessário.

“Se não corrermos, vai ser difícil. (…) Se treinar ‘mais ou menos’, vai jogar ‘mais ou menos’”, disse, na ocasião.

Antes disso, o Atlético já vinha de atuações questionáveis, como a derrota para o Puerto Cabello, na Venezuela, e o revés diante do Santos, pelo Campeonato Brasileiro. O discurso do treinador, portanto, não foi isolado, mas o tom adotado, mais direto, veemente e público, causou repercussão interna.

A apuração da reportagem indica que parte do elenco não gostou da exposição, especialmente pelo fato de questões consideradas “de vestiário” terem sido levadas à imprensa, com respaldo da diretoria.

Eduardo Domínguez, treinador do Atlético, na Arena MRV - (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press)

Eduardo Domínguez, treinador do Atlético, na Arena MRV(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press)

Jogadores admitem problemas para além do campo

Dias depois, após a vitória sobre o Ceará, os próprios jogadores passaram a verbalizar, ainda que com cautela, que o momento do clube envolve fatores extracampo. Renan Lodi, autor do gol da vitória, foi direto ao reconhecer o cenário.

“Primeiro que nós temos que dar resposta o quanto antes, porque a gente sabe que não vem em um momento muito bom – por vários fatores, não só dentro de campo, mas fora de campo também.”, disse.

Embora tenha negado qualquer “racha” no elenco, o lateral deixou claro que há questões internas que impactam o desempenho.

“Aqui não tem racha em elenco. Nosso elenco é muito feliz, dentro e fora de campo. Somos unidos sim. (…) muitas vezes quando não está bem fora do campo, acaba refletindo em campo.”, concluiu.

Ao ser questionado sobre o que estaria acontecendo, o camisa 16 evitou entrar em detalhes:

“Isso é do dia a dia. Não quero falar aqui.”, afirmou.

Renan Lodi, do Atlético - (foto: Pedro Souza/Atlético)

Renan Lodi, do Atlético(foto: Pedro Souza/Atlético)

Hulk expõe insatisfação e fala em possível saída

Se Lodi foi cauteloso, Hulk foi direto. Principal liderança do elenco, o atacante fez as declarações mais contundentes e trouxe à tona um nível mais profundo de insatisfação com os rumos tomados pelo Galo.

O camisa 7 revelou, inclusive, que pode deixar o clube ainda nesta temporada, após conversas com a cúpula atleticana, e que há a possibilidade de detalhar as celeumas vividas quando se encerrar a passagem dele pelo clube.

“Quem sabe, quando eu sair do Galo… Não sei. Pela conversa que eu tive com quem manda, posso sair do Galo no meio do ano ou no final do ano. Quem sabe, quando eu sair, eu falo realmente o que precisa ser falado.”, iniciou.

Hulk também indicou que existem questões internas que optou por não expor, apesar de ter tido oportunidade para isso.

“Eu tenho pendência, mas não vou expor ninguém. (…) Tive oportunidade de colocar muita gente aqui para dar as caras. Só que por respeito ao clube, jamais vou fazer isso.”, prosseguiu.

As declarações dialogam com um conturbado episódio recente, relacionado aos rumores de que Hulk sairia do clube. No início do ano, o atacante esteve próximo de deixar o Atlético rumo ao Fluminense e já havia manifestado insatisfação com a forma como se sentiu tratado pela diretoria, especialmente em relação a um projeto esportivo pouco claro.

Hulk, em entrevista ao No Ataque e a outros veículos de mídia, após vitória do Atlético sobre o Ceará - (foto: Rafael Cyrne/No Ataque)

Hulk, em entrevista ao No Ataque e a outros veículos de mídia, após vitória do Atlético sobre o Ceará(foto: Rafael Cyrne/No Ataque)

Bastidores revelam incômodos com gestão e promessas

A apuração de No Ataque junto a pessoas próximas ao elenco indica que não há divisão entre jogadores, mas existe um conjunto de insatisfações pontuais.

Entre os principais pontos citados estão:

  • Percepção de distanciamento da gestão da SAF em relação ao dia a dia do futebol
  • Falta de “blindagem” do elenco em momentos de pressão externa
  • Divergência entre o discurso público de dirigentes e a prática interna
  • Pendências financeiras, como luvas, comissões e acordos atrasados

Há ainda o entendimento de que promessas feitas no segundo semestre de 2025, especialmente após episódios de atrasos salariais, não foram integralmente cumpridas, o que gerou desgaste.

Discurso de controle x sinais de desgaste

O posicionamento de Paulo Bracks busca estabelecer uma linha institucional clara: não há crise, não há racha e o ambiente está sob controle.

No entanto, as falas de jogadores, o histórico recente de insatisfações e a própria necessidade de um pronunciamento público revelam um cenário mais sensível.

Internamente, o Atlético tenta ajustar rotas, alinhar discursos e transformar a recente vitória em um ponto de retomada esportiva.

Externamente, porém, o clube convive com uma exposição incomum de seus bastidores e com a missão de equilibrar a narrativa entre controle institucional e sinais evidentes de desgaste.

O próximo passo do Galo, portanto, precisa estar em sintonia com as quatro linhas e o extracampo, haja vista que será necessárioreorganizar um ambiente que, mesmo sem “arranhões” oficiais, já apresenta fissuras visíveis.

A notícia Bracks se posiciona sobre turbulência no Atlético: ‘Nenhum tipo de arranhão’ foi publicada primeiro no No Ataque por Vitor de Araújo

Fonte

Conteúdos que podem te interessar...