Cissé relembra infância na Guiné e acerto com o Atlético: ‘Fiquei muito contente’

Cissé relembra infância na Guiné e acerto com o Atlético: ‘Fiquei muito contente’

4 minutos 30/07/2026
Cissé relembra infância na Guiné e acerto com o Atlético: ‘Fiquei muito contente’
Cissé relembra infância na Guiné e acerto com o Atlético: ‘Fiquei muito contente’ (Cissé marcou o 1º gol pelo time principal do Galo)

Distante dos holofotes do futebol brasileiro, Mamady Cissé teve de lidar com a pobreza na infância na Guiné. O cenário mudou para o meio-campista – que surgiu como atacante – com a ascensão no futebol e, principalmente, com o acerto com o Atlético.

Em entrevista à GaloTV, Cissé recordou as origens na África e o início da trajetória no futebol. O jogador foi observado de perto pelo Atlético em um torneio de base na Nigéria.

“Guiné é um país que gosta de futebol. Eu morava com meus pais. Meus pais moravam na pobreza. Comecei a jogar futebol, abandonei a escola, me concentrei no futebol. Fiz testes em 2023 e fui para a Nigéria durante dois anos. Depois, vim para cá”, iniciou.

“O que me lembro é o futebol. Desde pequeno, é o futebol. Comecei a jogar na Académie Atouga Foot. Era só futebol. Tenho amigos demais lá, mas eles estão todos ligados ao futebol. Alguém veio para fazer os testes na Guiné em 2023. Fui selecionado. Eram quatro jogadores a serem selecionados da nossa academia. A gente foi para a Nigéria. Fizemos novos testes, e o Atlético me selecionou”, prosseguiu.

“Fiquei feliz! Porque a África e o Brasil não são iguais. Fiquei muito feliz, muito contente. No futebol, aqui há apoio e lá não há apoio. É difícil ir para a Europa se não tem alguém para te apoiar”, avaliou Cissé.

Adaptação ao Brasil e distância da família

Em seguida, Cissé destacou a ajuda que teve do intérprete contratado pelo Atlético e do amigo Pedrinho na chegada a Belo Horizonte. O guineense já consegue se comunicar de forma básica em português.

“Está indo muito bem (a adaptação). Você (intérprete) me ajuda bastante a aprender muita coisa. Quando a gente fazia nossas aulas de 15 minutos, 30 minutos, para saber falar coisas como: ‘Tudo bem? Como você está?’ Durante os treinos também. Tinha todo mundo do meu lado. Eu não entendia nada (risos). O técnico me falava para ir estudar”, relembrou.

“Eu vim para o Brasil em 8 de maio de 2025. Para a adaptação, eu tinha um amigo que se chama Pedrinho. Ele me ajudou muito aqui também. Conhecer coisas, sair para conhecer lugares aqui no Brasil. É ele que me ajuda muito também”, acrescentou.

Cissé em ação pelo Atlético diante da Puerto Cabello - (foto: Pedro Souza/Atlético)

Cissé em ação pelo Atlético diante da Puerto Cabello(foto: Pedro Souza/Atlético)

A distância da família também é um fator dificultador de todo o processo. O meio-campista fala com orgulho das próprias origens e espera poder dar uma vida melhor para os mais próximos.

“O futebol é minha paixão. Minha família está longe de mim. É um sonho para mim jogar futebol, ajudar minha família. Estou no Brasil, minha família na Guiné. É muito longe. Não é fácil para mim. Sinto falta da minha família e, quando tiver a oportunidade de trazer minha família para cá, farei. Mas viver longe da minha família não é fácil. Não é fácil. Como eu te disse, venho de uma família pobre”, explicou.

“Isso me faz bem. Cada dia, minha mãe me chama e me pergunta: ‘Como você está?’ Quando sofri uma lesão no pé, minha mãe temia que houvesse algo grave. Falei que estava tudo bem. Ela nunca me deixou jogar futebol. Foi meu pai que lhe disse para me deixar jogar futebol. ‘Um dia ele vai conseguir’. E consegui. Agora, eles estão muito orgulhosos de mim. Cada dia, minha mãe me chama e pergunta se estou bem. Eu respondo para ela que está tudo bem. O clube cuida de mim, tudo vai bem aqui”, encerrou.

Cissé pelo Atlético

Cissé foi contratado pelo Atlético no primeiro semestre de 2025, depois de se destacar em um torneio de base pelo 36 Lion FC, da Nigéria. O jovem atuava como extremo, mas acabou sendo deslocado ao meio de campo desde a chegada ao Galo.

No ano passado, o guineense fez 31 jogos pela categoria sub-20 alvinegra, contribuindo com dois gols. Já neste ano, definitivamente promovido ao profissional, Cissé fez 19 partidas e anotou um gol com a camisa preta e branca, deixando boas impressões.

O meio-campista é um atleta técnico, capaz de se apresentar constantemente ao jogo e dar fluidez à construção. Dono de ritmo intenso dentro das quatro linhas e ousadia para avançar com a bola, é tido internamente como um dos principais ativos revelados pelo Atlético.

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