Início » Comentarista vê goleada como ‘castigo excessivo’ ao Cruzeiro e avalia Tite


O Cruzeiro fez primeiro tempo parelho contra o Botafogo, mas perdeu o controle da partida na etapa final e sofreu goleada por 4 a 0, nessa quinta-feira (29/1), pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro. Para Alexandre Lozetti, jornalista do Grupo Globo, o placar dilatado no Nilton Santos, no Rio de Janeiro, é um ‘castigo excessivo’ à Raposa, que teve chances até de abrir o placar antes de o Glorioso aplicar os golpes fatais. O jornalista também avaliou o trabalho de Tite à frente da comissão técnica celeste.
Na concepção de Lozetti, o resultado não resume a temporada de Cruzeiro e Botafogo: “Não diz nada definitivo sobre ninguém, diz muito sobre o jogo. A goleada se desenhou aos 32 minutos do segundo tempo, quando o Botafogo fez o segundo gol. Por quase 80 minutos, era um jogo muito disputado, equilibrado e que o Cruzeiro teve chances de empatar”.
No primeiro tempo, o Cruzeiro demorou a criar e entrou em uma partida física. A medida em que o tempo passou, os celestes identificaram a possiblidade de utilizar a velocidade do atacante Kaio Jorge e investiram em lançamentos, aproveitando a linha avançada do Botafogo. O centroavante chegou a balançar a rede, mas viu o tento ser anulado por impedimento. Depois, o time pecou em alimentar o setor ofensivo.
“Gostei do primeiro tempo do Cruzeiro. O Cruzeiro, com o Gerson escalado como titular no lugar do Christian sendo o meia que sai da direita e vai para dentro, teve bons momentos. Mas, individualmente, quem mantém o nível é o Kaio Jorge… o Cruzeiro encontrou um espaço ali, mas usou pouco, porque os jogadores que abastecem o Kaio Jorge não estavam em noite inspirada. O Matheus Pereira jogou abaixo, o Gerson está chegando”, prosseguiu Lozetti.
Logo aos dois minutos do segundo tempo, o meio-campista Álvaro Montoro bagunçou a defesa celeste, e Danilo abriu o marcador. A partir de então, o Cruzeiro investiu em volume, mas sofreu outro tento em momento inoportuno. Lozetti deu méritos à percepção de Martín Anselmi, treinador do Botafogo.
“O Botafogo jogou para fazer 4 a 0 e parabéns ao Anselmi, que fez uma substituição fundamental para que a goleada se construísse. Ele tirou o Arthur Cabral e colocou o Matheus Martins quando o Cruzeiro pressionava e subia suas linhas. Ele percebeu que precisava de um nove para correr no espaço que essa linha alta estava deixando e matou o jogo”, avaliou.
Aos 25 minutos, depois de tentar finalizar, Gerson caiu no gramado alegando dores na posterior da coxa direita e saiu de maca. A Raposa não agiu imediatamente para substitui-lo e, com um homem a menos, levou o segundo gol, dessa vez de Matheus Martins. O atacante recebeu lançamento em contra-ataque, ganhou na corrida com o lateral-direito Fagner e chutou no canto do goleiro Cássio.
Naquele momento, qualquer resquício de reação do Cruzeiro caiu por terra. A apreensão resultou em desorganização defensiva e mais dois gols sofridos: outro de Allan e um do atacante Artur, outro acionado por Anselmin no segundo tempo. De acordo com Lozetti, a Raposa não encontrou equilíbrio necessário entre construir e defender.
“O Botafogo jogou para fazer 4 a 0, mas acho que o Cruzeiro não jogou para tomar 4 a 0. Acho o placar um castigo excessivo para o Cruzeiro. Só que os desequilíbrios apareceram depois do 2 a 0, e o Cruzeiro não foi capaz de resolvê-los. Não conseguiu criar nem se proteger. Ficou no meio do caminho. O que pra mim é o grande problema desse início de trabalho (do Tite)”
Alexandre Lozetti, comentarista do Grupo Globo
Na concepção de Lozetti, Tite vive um impasse entre manter o que deu certo quando Leonardo Jardim era o técnico do Cruzeiro (entre fevereiro e dezembro de 2025) e aplicar o próprio estilo. De qualquer forma, o comentarista tem esperança no trabalho do treinador.
“É um trabalho que tem tudo para ser bom, dar frutos e espero que seja longo… O problema é esse: estar no meio do caminho entre preservar elementos do bom trabalho do Leonardo Jardim e colocar sua mão, o que você acha de futebol. Você não pode mudar tudo num trabalho que foi muito bom, entendo perfeitamente. Mas você também precisa, principalmente sendo um treinador com tanta história, com tanta contribuição ao futebol, colocar sua marca e dizer: ‘gosto disso e daquilo’”
Alexandre Lozetti, comentarista do Grupo Globo
Tite acredita que a equipe ainda não tem ritmo de jogo. Ele reconheceu que isso se deve ao método adotado pela comissão técnica de preservar os principais atletas nos primeiros compromissos. Em 2026, o Cruzeiro fez seis jogos, cinco pelo Campeonato Mineiro e um pelo Campeonato Brasileiro. Nesses, a torcida assistiu aos titulares apenas três vezes: contra Uberlândia (vitória por 5 a 0), Atlético (derrota por 2 a 1) e Botafogo (derrota por 4 a 0).
“Talvez o erro maior nas reflexões agora que eu estou observando e foi a estratégia que entendi ser a mais importante de preservação da equipe. A retomada de ritmo dela é o mais importante. Poderia ter jogado mais jogos mesmo correndo risco maior de lesão. Poderia ter jogado mais jogos, estaria mais ritmada. Para apressar o processo de voltar a ter um comportamento e um ritmo melhor como ano passado”, disse.
O comandante também acredita que o Cruzeiro perdeu o controle a partir do segundo tempo: “O que aconteceu, placar dilatado, foi determinante o segundo gol. No momento que estávamos fazendo a substituição, o Jonathan sentiu, não ia sair, e o árbitro apressou. Contenho, seguro, porque tinha que fazer essa substituição e ia mudar, entrar o João, e dá o segundo gol. A partir daí vira outro jogo. A grandeza do Cruzeiro não permite um placar tão dilatado”.
O Cruzeiro joga novamente neste domingo (1º/2), às 20h, diante do Betim, na Arena Vera Cruz, na cidade homônima, pela sexta rodada do Mineiro – com time titular, garantiu Tite. Depois, os celestes voltam as atenções à Primeira Divisão na próxima quinta-feira (5/2), às 21h30, contra o Coritiba, no Mineirão, em Belo Horizonte.

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