Início » Cruzeiro x Flamengo: quem é freguês de quem em mata-matas?


Cruzeiro e Flamengo voltam a se enfrentar em um mata-mata pela décima vez, nesta quarta-feira (12/8), pelas oitavas de final da Copa Libertadores. E a pergunta que não quer calar é: existe freguesia? A resposta é não, mas a Raposa leva ligeira vantagem.
Desde 1995, os clubes disputaram nove confrontos eliminatórios. O Cruzeiro avançou em cinco oportunidades, enquanto o Flamengo levou a melhor em quatro. O novo encontro, portanto, será o 10º mata-mata da história entre as equipes e pode deixar o retrospecto empatado ou ampliar a vantagem da Raposa.
Não há, portanto, uma freguesia estabelecida. Há, sim, uma rivalidade construída em semifinais, finais, oitavas de Libertadores, decisões por pênaltis e duelos históricos que terminaram separados por apenas um gol.
E há outro detalhe que dá peso ao retrospecto: das cinco vezes em que avançou, o Cruzeiro transformou duas em títulos, justamente nas finais da Copa do Brasil de 2003 e 2017.
O primeiro capítulo da história eliminatória foi disputado em 1995, pelas quartas de final da Copa do Brasil. E começou com festa rubro-negra no Mineirão.
O Flamengo venceu por 1 a 0, com gol de Sávio. Na volta, no Maracanã, o Cruzeiro conseguiu buscar o empate por 1 a 1. Rogério marcou para os mineiros, mas Sávio voltou a balançar a rede. O resultado classificou o Flamengo e abriu a rivalidade eliminatória entre os clubes com vantagem carioca.
Aquela não seria a única vez que os dois se encontrariam naquele ano.
Meses depois, Cruzeiro e Flamengo voltaram a ficar frente a frente, desta vez pela semifinal da Supercopa Libertadores de 1995.
O Flamengo venceu novamente em Belo Horizonte, por 1 a 0, e praticamente encaminhou a classificação. No segundo jogo, no Rio de Janeiro, o Rubro-Negro confirmou a vaga com uma vitória por 3 a 1.
O Cruzeiro, portanto, começou a história dos mata-matas contra o Flamengo com duas eliminações no mesmo ano.
A primeira oportunidade de revanche apareceu rapidamente. Na semifinal da Copa do Brasil de 1996, os clubes voltaram a se enfrentar. Desta vez, o equilíbrio foi máximo: os dois jogos terminaram empatados.
O primeiro confronto acabou em 1 a 1, enquanto o segundo terminou 0 a 0. O Cruzeiro, então, avançou pelo critério de desempate vigente naquele momento, o de gols fora de casa.
Foi a primeira classificação celeste diante do Flamengo em um mata-mata e o início de uma alternância que marcaria os encontros seguintes.
O reencontro demorou cinco anos. Na semifinal da Copa dos Campeões de 2001, o primeiro jogo terminou em 0 a 0, no Rei Pelé, em Maceió.
A vaga ficou para a partida de volta, disputada no Almeidão, em João Pessoa. E o Flamengo não deixou margem para dúvidas: venceu por 3 a 0, com dois gols de Edílson e um de Beto. A classificação voltou a colocar o Rubro-Negro na frente no histórico.
A Copa dos Campeões colocou os rivais frente a frente novamente em 2002. Dessa vez, não houve dois jogos.
Em duelo disputado em Fortaleza, o Cruzeiro venceu o Flamengo por 2 a 1 e avançou. Joãozinho e Fábio Júnior fizeram os gols celestes, enquanto Juninho Paulista descontou.
Foi uma espécie de revanche imediata: depois de eliminar o Cruzeiro na semifinal de 2001, o Flamengo acabou derrotado pelo rival na mesma fase da edição seguinte.
O confronto ganhou uma dimensão ainda maior em 2003. Pela primeira vez, Cruzeiro e Flamengo decidiram um título em uma final de Copa do Brasil.
O primeiro jogo terminou em 1 a 1 no Maracanã, com um gol antológico de Alex, de letra. A decisão, portanto, ficou para Belo Horizonte.
No Mineirão, o Cruzeiro venceu por 3 a 1 e levantou a taça. A conquista fez parte de uma temporada histórica da Raposa, que também ganhou o Campeonato Brasileiro e o Campeonato Mineiro.
Foi a primeira vez que um mata-mata entre os clubes terminou com o Cruzeiro não apenas avançando, mas levantando um troféu diante do Flamengo.

A próxima disputa direta aconteceu apenas em 2013, novamente pela Copa do Brasil.
Desta vez, o Cruzeiro venceu o primeiro jogo, por 2 a 1, com um gol de placa marcado por Everton Ribeiro, e parecia encaminhar a classificação. O Flamengo, porém, respondeu no segundo confronto e ganhou por 1 a 0, avançando no torneio.
Foi a quarta classificação rubro-negra contra a Raposa em mata-matas. A campanha ainda teria um final feliz para o Flamengo: o time conquistaria a Copa do Brasil daquele ano.
Se 2003 teve título celeste, 2017 repetiu a história. Cruzeiro e Flamengo voltaram a decidir a Copa do Brasil. No Maracanã, o primeiro jogo terminou em 1 a 1. No Mineirão, novo empate, desta vez por 0 a 0.
Como não havia vencedor após os dois confrontos, a decisão foi para os pênaltis. E aí apareceu um personagem recorrente na história do Cruzeiro: Fábio. A Raposa venceu por 5 a 3 nas cobranças e conquistou a Copa do Brasil.
Foi a segunda final entre os clubes e a segunda vez que o Cruzeiro terminou o confronto com a taça.
O último mata-mata entre Cruzeiro e Flamengo antes de 2026 aconteceu em 2018, justamente na Libertadores e justamente nas oitavas de final.
A Raposa conseguiu uma vitória enorme no Maracanã: 2 a 0, com gols de Arrascaeta e Thiago Neves.
No jogo de volta, o Flamengo venceu por 1 a 0, no Mineirão, com gol de Léo Duarte. O resultado, porém, não foi suficiente para tirar a classificação do Cruzeiro, que avançou às quartas de final.
Foi o último capítulo da rivalidade em mata-matas e também a última derrota do Flamengo para o Cruzeiro em qualquer competição até o novo encontro.
Aquela série também deixou uma conexão curiosa para o jogo de 2026: Lucas Silva e Lucas Romero estavam no Cruzeiro de 2018 e continuam no elenco atual. Romero, entretanto, será desfalque na ida por suspensão.

O confronto de 2026 será diferente de todos os anteriores, mas carregará o peso de nove capítulos já disputados.
O Cruzeiro chega com cinco classificações contra quatro do Flamengo. Tem duas finais vencidas, duas eliminações sofridas em semifinais e três classificações em oitavas de final.
O Flamengo, por sua vez, tem quatro classificações, duas delas em 1995, além de uma vitória sobre a Raposa em final jamais ter ocorrido: nas duas decisões de Copa do Brasil, a taça ficou em Belo Horizonte.
Por isso, falar em freguesia seria exagero. A diferença é pequena demais para isso. Mas, se existe uma camisa que pode olhar para o histórico com um pouco mais de confiança, é a azul.
Nesta quarta-feira, no Mineirão, Cruzeiro e Flamengo começam a escrever o 10º capítulo eliminatório dessa história. A volta será em 19 de agosto, no Maracanã.
A notícia Cruzeiro x Flamengo: quem é freguês de quem em mata-matas? foi publicada primeiro no No Ataque por Vitor de Araújo

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