Início » Desde o berço: Fred imitava ídolos do Atlético, ia ao Mineirão e sonhava vestir alvinegro


Na infância humilde que viveu no bairro Jardim Europa, na região de Venda Nova, em Belo Horizonte, Fred já se imaginava como jogador do Atlético. E, neste sábado (22/8), o hoje consagrado jogador de 33 anos deve enfim realizar um dos maiores sonhos da vida: atuar profissionalmente pelo Galo.
O meio-campista chegou ao alvinegro ainda criança, aos 10 anos. Ele passou por várias categorias de base do clube mas, aos 16 anos, em 2009, antes de subir para o profissional, saiu para o Internacional.
E o primeiro jogo pelo time principal do Atlético deve ser justamente contra a equipe que o projetou para o futebol. Neste sábado, a partir das 18h30, no Beira-Rio, em Porto Alegre, o Galo encara o Inter pela 24ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro. Relacionado, Fred deve entrar em campo, seja saindo do banco de reservas – a opção mais provável – ou como titular.
Nos últimos dias, o No Ataque conversou com amigos e familiares de Fred, que atestaram algo que o próprio jogador nunca escondeu – desde criança, ele era atleticano fanático. E o sentimento não diminuiu atuando em outros times ou a muitos fusos horários de diferença. A seguir, leia relatos sobre a atleticaneidade de Frederico Rodrigues Santos – muito antes que ele se notabilizasse no cenário do futebol mundial como o “Fred”.
Melhor amigo de infância de Fred, Daierson , cresceu ao lado dele no bairro Jardim Europa. Ao No Ataque, o motorista de 35 anos contou que o hoje jogador do Galo batia faltas na rua imitando jogadores que marcaram época na equipe alvinegra entre o fim da década de 1990 e o início do novo milênio.
“A gente jogava bola sempre na pracinha aqui do lado de onde eu moro hoje. Tinha dois prédios, um do lado do outro. Sempre batíamos faltas, sempre teve um um coqueirinho ali. Até brinco que foi ali que ele aprendeu a bater falta. O coqueirinho era a barreira e a gente chutava sempre a bola por cima da da desse coqueirinho. Um ia no gol e o outro chutava. Sempre que ele fazia o gol, ia para o lado que era a ‘torcida dele’, o lado do outro prédio era a minha (torcida)”, iniciou.
“Lembro claramente que ele batia as faltas, fazia o gol e gritava, lembro que o Ramon Menezes tinha o apelido de Ramonzinho. E eu sei disso por causa dele. Aí ele gritava “gol do Ramonzinho, gol do do Galo. Aí o batia o Valdir Bigode. O craque, não sei o quê. Aí tinha Guilherme, o Marques, ele era doido com o Marques. Ele sempre foi um cara muito fanático. Sempre levou isso muito a sério.”
Daierson, melhor amigo de Fred

Daierson contou que, nos trajetos da dupla do Venda Nova para o Via Shopping, no Barreiro, ou para o Shopping Cidade, no Centro de Belo Horizonte, ambos ficavam “inventando” cenários em que eram contratados por clubes.
O melhor amigo de Fred brincava que “tinha fechado com o Real Madrid”, enquanto Frederico não falava outro clube: o escolhido dele era sempre o Atlético.
A gente sempre ia no Via Shopping, Shopping Cidade, etc. Ele ficava no ônibus assim, ‘o Atlético me ligou, hein? Fechei com o Atlético’, aí para você ver como que a gente era doido. Quando é criança, né? ‘Fechei com o Atlético, hein? Atlético me ligou aqui, eu me apresento segunda-feira’. A gente tava na escolinha ainda, cara. A gente sempre brincava disso. Um falava, ‘não, tô fechado… tô fechado com o Real Madrid’. E ele sempre falava ‘Não, eu tô fechado aí com o Atlético, me ligou, segunda-feira eu tô lá’. E o pessoal do ônibus ficava olhando para a gente assim: ‘Nossa, esse é que é jogador mesmo?’. E hoje graças a Deus ele está aí. Voltou, realizou o sonho dele”
Daierson, melhor amigo de Fred

Mesmo nos muitos anos que permaneceu jogando na Europa, Fred fazia questão de acompanhar os clássicos e sempre zoava os amigos e familiares cruzeirenses quando o Atlético vencia.
“Vivemos todas as fases da nossa vida juntos, desde a época que jogava na base do Atlético ainda até agora, o retorno dele. Sempre foi um cara muito atleticano. Lembro que quando tinha clássico, como sou cruzeirense, quando meu time perdia, ele sempre zoava muito, gritava lá em casa, mandava mensagem, tinha aquela época dos três segundos do telefone. Ele me ligava. Ele sempre gostava muito de ir ao estádio. Sempre tivemos esse embate aí, porque sou um dos poucos amigos dele que é cruzeirense. E isso deixava a gente até mais unido, porque sempre estávamos juntos zoando o outro.”
Daierson, melhor amigo de Fred
Primo mais novo de Fred, Augusto Júlio, que tem 27 anos e trabalha com martketing digital, confirmou: “Não podia ganhar um clássico que chegava ‘mensagemzinha’ falando, brincando, zoando’.
Augusto revelou que Fred “não perdia um jogo” na geral do Mineirão e que o meio-campista escolheu virar atleticano mesmo em uma família de maioria cruzeirense.
“É como vocês sempre dizem, ninguém vira atleticano, já nasce, e com o Fred não foi diferente. Nascido em família majoritariamente cruzeirense, ele resolveu virar atleticano, e assim foi. Frequentador do Mineirão, tava sempre garrado na geral, família de venda nova era duro, hein, ir de arquibancada, mas ele não perdia um jogo. Eu lembro que, quando criança, sou o primo mais novo, adorava ver os cartõezinhos dele de ingresso, e tinha muitos e muitos.”
Augusto Júlio, primo de Fred
“Foi para a base do Atlético, realização de um sonho de criança, jogar no time que torce. Infelizmente…infelizmente não, porque Deus escreve certo por linhas tortas, levou o Fred a ser o grande jogador que foi, e agora ele pode voltar pra realizar o sonho de criança dele. Tenho certeza que ele vai entregar tudo por essa camisa, ele é atleticano de carteirinha”, continuou Augusto.
O primo de Fred também contou que o jogador assistir aos jogos da Copa Libertadores de 2013, a primeira e única conquistada pelo Atlético, mesmo morando na Ucânia, onde atuava pelo Shakhtar Donetsk – no país do leste europeu, as partidas começavam por volta das quatro ou cinco horas da madrugada.
“Quando morava fora, seja na Ucrânia, na Inglaterra, sempre acompanhou os jogos. Na Libertadores, em 2013, os jogos na Ucrânia eram 4, 5 da manhã, e ele assistia a todos, não perdia um, então com certeza é a realização de um sonho e o Atlético está recebendo um jogador que, além de dar a vida, é um torcedor, literalmente, dentro de campo. E eu tenho certeza que vocês vão ser muito felizes porque ele joga muito.”
Augusto Júlio, primo de Fred
Outro grande amigo de Fred, Luiz Paulo, trabalhador autônomo de 34 anos, também ressaltou que a conexão de Fred com o Galo permaneceu mesmo a muitos quilômetros de distância.
“Falar de Fred é falar de Galo, falar de Galo é falar de Fred. É um cara que tem identificação enorme com o clube. É um cara que acompanha o dia a dia, mesmo estando na Europa com a diferença de fuso, assiste o jogo do clube de madrugada, sofre igual a gente mesmo. É um cara que todas as férias tá aí, todas as férias faz questão de acompanhar no estádio, seja na época do Independência, Mineirão e agora na Arena, faz questão de tá presente. Acompanha o time nas redes sociais. Não abandona de jeito nenhum. É o típico torcedor atleticano mesmo.”
Luiz Paulo, amigo de Fred
“É um cara que vem para ser ídolo, cara. É um cara que vem para entregar, tá com vontade, tá com 33 anos, é um cara que tá novo, vem na melhor fase da carreira. Vem para buscar título com o Galo, tenho certeza absoluta que ele quer muito isso. Ele não vem para ser mais um. Ele quer vir para ganhar para fazer história e para ganhar o que puder ganhar com a nossa camisa. Fred é Galo”, finalizou Luiz.

Tia de Fred, Maria Menezes, de 76 anos, mora até hoje no bairro Jardim Europa e falou ao No Ataque sobre a dedicação do meio-campista quando ainda era criança e jogava no juvenil do Atlético.
“Estou feliz por ele, por ele estar aqui. Quando ele começou, começou bem pequenininho no Galo, agora que ele desempenhou melhor em outros times, retorna à casa. O bom filho volta para casa. Tem pessoas que não acreditaram. Mas deu tudo certo, ele sempre foi um menino desempenhado, dávamos muito conselhos para ele. Meu pai e minha mãe (avós de Fred) que levavam ele para jogar no Atlético, com sol, com chuva, debaixo de raio…ele era o primeiro a acordar de manhã para jogar a bolinha dele. E, graças a Deus, ele retorna para o time do coração dele, que ele queria estar.”
Maria Menezes, tia de Fred
Fred vestiu a camisa do Galo na base, mas deu os primeiros passos como profissional no Internacional, onde se destacou rapidamente – foram oito gols e seis assistências em 55 jogos. Depois, foi negociado com o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, onde permaneceu por cinco temporadas, conquistou oito títulos e somou 16 gols e nove assistências em 155 partidas.
O volante também defendeu o Manchester United-ING pelo mesmo período. Foram 213 partidas disputadas, 14 gols, 19 assistências e um título: o da Copa da Liga Inglesa. Pela Seleção Brasileira, atuou em 32 jogos, foi campeão da Copa América de 2021, integrou o elenco que disputou a Copa do Mundo de 2018 e jogou as cinco partidas da equipe nacional na Copa de 2022 – duas como titular e três saindo do banco de reservas.
A notícia Desde o berço: Fred imitava ídolos do Atlético, ia ao Mineirão e sonhava vestir alvinegro foi publicada primeiro no No Ataque por Rafael Cyrne

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