Diretor detalha dívida de 1,7 bilhão do Atlético: ‘Organicamente é quase impagável’

Diretor detalha dívida de 1,7 bilhão do Atlético: ‘Organicamente é quase impagável’

3 minutos 23/04/2026
Diretor detalha dívida de 1,7 bilhão do Atlético: ‘Organicamente é quase impagável’
Diretor detalha dívida de 1,7 bilhão do Atlético: ‘Organicamente é quase impagável’ (Thiago Maia é o diretor financeiro do Atlético e da Arena MRV)

O diretor financeiro e administrativo do Atlético, Thiago Maia, detalhou a complexa situação econômica do clube alvinegro. Com o endividamento total alcançando a marca de R$ 1,7 bilhão, o executivo explicou que a estratégia desenhada pelos acionistas visa a realização de aportes futuros para aliviar o peso da dívida bancária – que compreende débitos da SAF e da Arena MRV. Contudo, isso não deve resolver o problema.

Em entrevista ao Sports Market Makers, Maia detalhou o impacto dos juros sobre a operação do clube.

“As dívidas bancárias, entre as dívidas da arena e da SAF, estamos falando de algo na casa de R$ 1 bilhão. Então, estamos falando de juros de R$ 250 milhões ao ano, pelo menos, então machuca demais. Se o Galo fica no 0 a 0 no operacional, brigando pelo ponto de equilíbrio, não é suficiente para pagar os juros. A dívida acaba aumentando todo ano.”

Ao esmiuçar a composição desses débitos, o diretor destacou a complexidade do cenário financeiro alvinegro.

“O Galo tem um endividamento líquido na casa de R$ 1,7 bilhão, um endividamento extremamente expressivo. Desses R$ 1,7 bilhão, aproximadamente R$ 1 bilhão são dívidas bancárias; na casa de R$ 600 milhões são dívidas bancárias da SAF, todas são avalizadas. Por mais baratas que sejam, por serem avalizadas, elas machucam muito por causa da taxa Selic. A outra, de R$ 400 milhões, é a dívida do estádio; tem o CRI da arena, que está na casa dos R$ 300 milhões. Esse é o principal problema do Galo. Tem aí mais R$ 400 e poucos milhões de dívida tributária, que machuca menos, parcelada de longo prazo, mas com o CDI neste patamar tudo machuca, e o restante é a diferença de contas a pagar e contas a receber, que fica na casa dos R$ 300 milhões. Quando você soma isso tudo, dá R$ 1,7 bilhão. Por mais que operacionalmente o Galo seja uma empresa que pare de pé, daria para caminhar com as próprias pernas, não gera recurso suficiente para pagar o seu endividamento organicamente. Daí a gente vai chegar a uma próxima rodada de aportes.”

Thiago Maia reforçou que os novos aportes, a serem realizados pela família Menin, terão como destino exclusivo o abatimento das dívidas bancárias.

“O aporte de R$ 500 milhões, que vai ser todo para a dívida, é para reduzir essa dívida bancária que está em torno de R$ 600 milhões para ficar na casa dos R$ 100 milhões. Ainda vai ficar a dívida do CRI da Arena MRV; o cenário é ainda bem desafiador, mas as perspectivas futuras são positivas. Acho que sempre vai ter dívida, faz parte uma empresa ter dívida, mas não pode ter no patamar que o Galo possui. Mas se você pega o endividamento em relação à receita, o Galo vem melhorando ano após ano.”

Futebol se tornou mais caro, diz dirigente

Por fim, o executivo comentou a nova realidade do mercado do futebol, ressaltando que, embora o Atlético tenha se tornado operacionalmente sustentável, o peso da alavancagem financeira continua sendo o grande obstáculo.

“A conta é muito difícil de fechar. O futebol mudou muito de 2021 para cá, seja com entrada das bets, seja com entrada da SAF, seja com novos contratos de televisão. Tem muito dinheiro no mercado, por isso inflacionou demais os salários de jogadores. Então, o Galo está nesta busca do resultado operacional positivo. Esse breakeven que o Galo vem tentando equalizar suas receitas e despesas está muito próximo. O Galo é uma empresa que operacionalmente para de pé. O problema é que ela é uma empresa extremamente alavancada, tem uma dívida que organicamente é quase impagável.”

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