Diretor do Atlético admite ‘valores defasados’ dos naming rights da Arena MRV

Diretor do Atlético admite ‘valores defasados’ dos naming rights da Arena MRV

6 minutos 25/04/2026
Diretor do Atlético admite ‘valores defasados’ dos naming rights da Arena MRV
Diretor do Atlético admite ‘valores defasados’ dos naming rights da Arena MRV (Vista aérea da Arena MRV, estádio do Atlético)

Apesar de já considerar a Arena MRV um “sucesso”, o diretor financeiro do Atlético, Thiago Maia, admite: o valor dos naming rights do estádio está defasado.

Em entrevista ao Sports Market Makers, Thiago comentou que a Arena ainda está “engatinhando” em relação ao potencial que tem para gerar receita para o clube.

Para ele, a “monetização” do recinto inaugurado em 2023 é a “grande solução” para o “problema” do Atlético. Anteriormente, na mesma entrevista, ele revelou que o endividamento total alvinegro alcança R$ 1,7 bilhão – valor considerado pelo dirigente “organizamente quase impagável”.

“O Galo mudou de patamar, mas ainda é um clube muito complexo. Mas vem aumentando muito suas receitas e, como comentei anteriormente, para mim a Arena está engatinhando. A Arena já é um sucesso, já tem muitas receitas que o clube nunca teve. Por exemplo, com a construção, nós fizemos uma sessão de direito de uso de cadeiras e camarotes pelo período de 15 anos. Foi um aporte de 300 milhões de reais para a construção da Arena. Os naming rights, sector naming rights, eventos…tem muita coisa acontecendo no Galo que eram receitas que o Galo não tinha. Muitas dessas receitas foram usadas para a construção do estádio, mas vão voltar”, iniciou.

“O sector naming rights já está acabando, tem mais três anos. O naming rights é um contrato de 10 anos, passaram-se três, então faltam sete anos. É um contrato que…estamos no mercado avaliando possibilidades, porque quando o Galo fez os naming rights da Arena, não existia nem estádio, tinha um terreno. Foi realmente por causa da família Menin que teve os naming rights pro auxílio da construção do estádio. E hoje os valores já estão defasados. Então estamos no mercado avaliando, tem muitas possibilidades”

Thiago Maia, diretor financeiro do Atlético

‘A solução do problema do Galo’

“Acredito que a solução do problema do Galo, que pode ser de surpresa aí, é, sem dúvida, a monetização da Arena, que é uma arena multiuso, inspirada, digamos assim, muito parecida com a do Palmeiras, com a diferença que é mais nova. Na época, o próprio pessoal do Palmeiras nos deu consultoria, contratamos eles, mudaram várias coisas, tipo, hoje um caminhão roda o estádio inteiro. ‘Aumenta as bocas’, ‘faz mais camarote…’, fizeram um monte de consultoria.

Thiago Maia, diretor financeiro do Atlético

“E show aqui na Arena é um espetáculo, o conforto da Arena é um outro nível de estádio em relação ao qu eestamos acostumados no Brasil, desde conectividade, tudo facial, super app…é uma experiência que no Brasil você não encontra, é bem diferente. Para mim, a soução do Galo está muito aí também. Estou otimista, mas é um processo duro, não vou prometer que o Galo vai ser uma máquina de vencer tudo, mas acredito muito no projeto, as pessoas envolvidas são muito sérias, então acho que o Galo está em boas mãos”, finalizou Thiago.

Os naming rights da Arena MRV

O contrato celebrado entre Atlético e MRV&CO, em vigor desde 2023, previa o pagamento de R$ 71,7 milhões ao clube mineiro por 10 anos do direito de nomeação do novo estádio alvinegro em Belo Horizonte. Para concluir as obras, no entanto, o Galo antecipou crédito de R$ 42,5 milhões.

Os naming rights do estádio do Atlético foram pivô de “novela” no passado. Originalmente, em 2017, o contrato de 10 anos estipulava o desembolso de R$ 60 milhões por parte da MRV, mas os valores foram corrigidos com o tempo.

A negociação foi propulsora de uma operação de crédito concretizada pelo Galo junto ao Banco Inter, chamada de Cédula de Crédito Bancário (CCB). Nos dias atuais, a própria MRV paga esse empréstimo do clube mineiro em parcelas mensais à instituição financeira, com juros de Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais 0,6% ao mês.

“Esse empréstimo será pago pela MRV Engenharia diretamente ao Banco quando do pagamento das parcelas contratuais para Arena MRV. As amortizações deste empréstimo irão acontecer em 120 parcelas após a obtenção da Licença de Operação, conforme contrato de naming rights com a MRV Engenharia”, consta nas demonstrações financeiras da Arena MRV.

O valor é corrigido pelo IPCA. Sendo assim, o montante anual recebido pelo Atlético equivale a cerca de R$ 9,1 milhões anuais nos dias atuais.

Sector naming rights na Arena MRV

O Atlético também fechou acordos de sector naming rights (direitos de nome setorizados) na Arena MRV. Por valores não confirmados pelo clube mineiro, as empresas ArcelorMittal, Banco Inter e Ambev (Brahma) nomeiam partes do estádio alvinegro.

“Em dezembro de 2021, a Arena MRV possui compromissos firmados com a Arcelor Mittal referente a um contrato de patrocínio, onde foi adquirido o ‘sector naming right’ dos camarotes, bem como, ativações de marketing como o ‘Aço oficial da Arena MRV’ pelo período de cinco anos, contando a partir da obtenção da Licença de Operação, tendo um valor residual a receber de R$ 3.250 mil, mediante ao cumprimento das contrapartidas de marketing acordadas no período.”

Demonstrações financeiras da Arena MRV em 2021

Ranking de valores anuais dos naming rights no Brasil*

  • 1º – Nubank Parque, Nubank Arena ou Parque Nubank (Palmeiras): R$ 50,2 milhões por ano (tempo total ainda desconhecido)
  • 2º – MorumBIS (São Paulo): R$ 25 milhões (R$ 75 milhões por três anos)**
  • 3º – Neo Química Arena (Corinthians): R$ 15 milhões (R$ 300 milhões por 20 anos)***
  • 4º – Casa de Apostas Arena Fonte Nova (Bahia): R$ 13 milhões (R$ 52 milhões por quatro anos)****
  • 5º – Arena MRV (Atlético): R$ 7,1 milhões (R$ 71,7 milhões por 10 anos)

*Entre parênteses, os valores totais dos contratos firmados entre os estádios e os patrocinadores.
**O valor é corrigido de acordo com a inflação.
***O Corinthians acredita que o valor do naming rights está defasado e busca acordo com nova empresa, conforme revelou o presidente Osmar Stábile em agosto do ano passado. De toda maneira, o contrato firmado com a Hypera Pharma prevê correção pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) e, atualmente, supera os R$ 20 milhões mensais.
****Procurada, a Arena Fonte Nova afirmou que não comenta questões contratuais

Nota do Atlético

O contrato com a MRV foi firmado em 2017, em contexto muito diferente do atual, tanto do ponto de vista econômico quanto do estágio do empreendimento, que era apenas um projeto.

Desde então, a Arena se consolidou como um ativo estratégico do Clube, com projeção nacional e internacional.

Com a parceria com a Live Nation, a Arena também se transformou em um dos principais hubs de entretenimento do Brasil, ampliando seu alcance para além do futebol.

A performance esportiva, com as recentes conquistas e disputas de título, também fortaleceu muito a marca Atlético.

Esse novo cenário, naturalmente, traz reflexões sobre o alinhamento entre o valor do contrato e a relevância que a propriedade alcançou.

O Atlético mantém uma relação sólida com

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