Início » Diretora do Cruzeiro, Luiza Parreiras revela resultado de análise sobre lesões de LCA


Entre abril e junho, o Cruzeiro foi assombrado por seis lesões de ligamento cruzado anterior (joelho) – capaz de tirar atletas de atividade por até um ano. Apesar de se tratar de um machucado mais comum em mulheres, a alta incidência em curto período de tempo fez com que o clube estrelado abrisse uma investigação interna para ter um diagnóstico preciso sobre o cenário. Luiza Parreiras, gerente de futebol feminino da Raposa, revelou o resultado da análise.
De acordo com a dirigente, o clube se debruçou em dados – ciclo menstrual, carga de atividade, percentual de gordura, entre outros – e buscou até mesmo opiniões de especialistas de fora. Contudo, não encontrou um padrão efetivo.
“Traz um nível de preocupação em todas as instâncias. A gente começou a analisar os dados com a estrutura que a gente tem, de equipamentos, relatórios, monitoramento, discutiu com pessoas de fora do clube – especialistas, fisioterapeutas, médicos. A questão é que não há um padrão efetivo. Essa foi a conclusão. Nem período menstrual quando lesionaram, momento da temporada, peso, percentual de gordura. A gente atacou várias linhas para tentar identificar padrão, mas não conseguiu”
Luiza Parreiras, gerente de futebol feminino do Cruzeiro
Diante desse cenário, a Raposa agiu para aprimorar os protocolos relacionados ao cuidado físico e mental das atletas com a intenção de prevenir novas lesões.
“A gente chegou à conclusão que protocolos que já eram muito bons, padronizados aqui no Cruzeiro, precisavam ser melhorados, considerando que a cada ano vem aumentando a exigência física. A gente passou para a questão do ciclo menstrual, algo mais estratificado, quais sintomas as atletas têm, qualidade do sono, do humor, monitoramento da saúde mental, práticas de recuperação, alimentação, hidratação. Dentro disso tudo, dos equipamentos que a gente tem – medir força, assimetria da musculatura”
Luiza Parreiras, gerente de futebol feminino do Cruzeiro
O Cruzeiro tinha a intenção de dar volume ao elenco na janela de transferências do meio do ano, pensando especialmente na disputa da Copa Libertadores – entre 15 e 31 de outubro. Contudo, precisou mudar a postura no mercado. Agora, o departamento de futebol feminino tem a missão de repor as atletas lesionadas com outras que tenham condições de jogo.
“Existia a previsão de que o Cruzeiro faria contratações no segundo semestre, e a gente teve que mudar a estratégia. Não só para repor as peças que a gente perdeu, que são importantíssimas, mas também para conseguir atletas que tivessem condição de jogo… Não adiantava trazer atletas que não pudessem jogar Brasileiro ou Copa do Brasil. Dentro disso tudo, identificar atletas com condição de jogo, que atenderiam demanda técnica, física e comportamental e, obviamente, que o orçamento. O reajuste foi feito, o presidente nos apoiou e entendeu que precisava contratar”, continuou Luiza Parreiras.
Por enquanto, a Raposa anunciou a contratação de duas jogadoras: a zagueira Yennifer Giménez, ex-Servette-SUI, e a atacante Radija, que estava no América. A defensora treina com o grupo há cerca de uma semana e tende a atuar como titular no esquema do técnico Jonas Urias, já que duas atletas da função se recuperam de lesão no ligamento cruzado anterior do joelho – Tainara e Paloma Maciel.
Radija, por sua vez, vive reta final de recuperação de LCA – sofrida enquanto defendia o América, no ano passado – e faz trabalhos físicos à parte. Na teoria, como explicou Luiza Parreiras, a atacante já poderia estar em campo, mas novas avaliações feitas pelo Cruzeiro no momento da contratação identificaram a necessidade de aprimoramento.
Nos próximos dias, o departamento de futebol feminino espera anunciar duas contratações. Posteriormente, em conjunto com a comissão técnica, avaliará a necessidade de um quinto reforço: “Tem mais reforços chegando, a gente em breve anuncia. Até porque precisam passar pelas avaliações médicas. A gente está com mais duas contratações fechadas, uma zagueira e uma lateral-direita. Pode ser que a gente busque mais uma, mas vamos entender com a comissão técnica onde é mais essencial pensando no restante da temporada”.
A primeira atleta do Cruzeiro a receber a péssima notícia de que havia rompido o LCA (joelho direito) na atual temporada foi a atacante Millene Fernandes, em meados de abril, durante treinamento na Toca da Raposa. No fim do mesmo mês, a meio-campista Gaby Soares (esquerdo), titular no esquema do técnico Jonas Urias, foi alvo da questão durante partida contra Bragantino.
Em meio, uma ‘chuva’ de notícias ruins. A zagueira Tainara (esquerdo), a lateral-direita Laura (esquerdo) e a atacante Ravenna (direito) romperam o LCA. As defensoras se lesionaram em duelo com o Vitória, enquanto a atacante se machucou durante treinamento no CT do Cruzeiro. Por fim, em junho, enquanto realizava atividades com a Seleção Brasileira, a zagueira Paloma Maciel (direito) recebeu o mesmo diagnóstico.
Flávia Magalhães, médica do esporte e nutricionista – com mais de 20 anos de atuação no futebol e passagem pela Seleção Brasileira; atualmente, é médica do projeto social Em Busca de Uma Estrela – concedeu entrevista ao No Ataque para esclarecer questões ligadas a tal lesão. Confira o material completo aqui.
FM: O ligamento cruzado anterior é uma das estruturas mais críticas do joelho. Ele funciona como o principal estabilizador primário da articulação, impedindo que o osso da perna (tíbia) deslize para frente em relação ao osso da coxa (fêmur), além de controlar os movimentos de rotação e torção (joelho virar).
NA: Por que o tempo de inatividade é tão longo?
FM: Diferente de um músculo ou da pele, o LCA está localizado em um ambiente intra-articular (dentro da cápsula do joelho), banhado pelo líquido sinovial. Esse líquido, embora lubrifique a articulação, impede a formação do coágulo necessário para a cicatrização natural do ligamento. Ou seja, um LCA rompido não se regenera sozinho. A inatividade prolongada ocorre porque o tratamento padrão-ouro para atletas de alto rendimento é a reconstrução cirúrgica (retira-se um enxerto de outro tendão do corpo para criar um novo ligamento). O longo prazo de recuperação se deve ao processo biológico de “ligamentização” – o corpo precisa de meses para transformar esse enxerto tendíneo em um tecido com propriedades de ligamento. Além disso, a atleta precisa de muito tempo para recuperar a massa muscular perdida (especialmente o quadríceps), restaurar o controle neuromuscular (a comunicação rápida entre o cérebro e o joelho) e superar a cinesiofobia (o medo psicológico de realizar o movimento que causou a lesão).
A notícia Diretora do Cruzeiro, Luiza Parreiras revela resultado de análise sobre lesões de LCA foi publicada primeiro no No Ataque por Sofia Cunha

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