Dirigente do Cruzeiro não vê alto índice de lesões como ‘infeliz coincidência’

Dirigente do Cruzeiro não vê alto índice de lesões como ‘infeliz coincidência’

3 minutos 29/05/2026
Dirigente do Cruzeiro não vê alto índice de lesões como ‘infeliz coincidência’
Dirigente do Cruzeiro não vê alto índice de lesões como ‘infeliz coincidência’ (Luiza Parreiras, gerente de futebol feminino do Cruzeiro, cercada pela lateral Letícia Alves e pela volante Capelinha)

A apreensão tem tomado conta da Toca da Raposa 1 quando o assunto é lesão de ligamento cruzado anterior, o famoso LCA. Somente nesta temporada, cinco jogadoras do Cruzeiro romperam a estrutura estabilizadora do joelho, e em um intervalo de menos de dois meses. Gerente de futebol feminino do clube estrelado, Luiza Parreiras não vê o alto índice de machucados como ‘infeliz coincidência’. A dirigente detalhou que o departamento trabalha para identificar possíveis agravantes e evitar novos casos.

A primeira a receber o temido diagnóstico de rompimento do LCA foi a atacante Millene Fernandes (joelho direito), que entrou em campo com a camisa do Cruzeiro em apenas duas ocasiões, em abril. No fim do mesmo mês, a meio-campista Gaby Soares (esquerdo), titular no esquema do técnico Jonas Urias, foi alvo da mesma questão.

Em maio, uma ‘chuva’ de notícias ruins. A zagueira Tainara (esquerdo), a lateral-direita Laura (esquerdo) e a atacante Ravenna (direito) romperam o LCA. Todas viviam momento de ascensão. A primeira e a última, inclusive, haviam sido chamadas para período de treinamento com a Seleção Brasileira, entre 15 e 20 de junho, em Itú, no interior de São Paulo.

O departamento médico do Cruzeiro já tratava Fabíola Sandoval pelo mesmo motivo. Em julho do ano passado, a atacante paraguaia rompeu o LCA do joelho esquerdo. Meses antes, em agosto de 2024, ela havia sofrido a mesma lesão no mesmo joelho. Agora, vive etapa de transição física – a princípio, o contrato com o clube dura até o fim do tratamento.

Nessa quinta-feira (28/5), assim que comunicou as lesões de Tainara e Laura, o Cruzeiro emitiu uma nota sobre o incômodo com a quantidade de ocorrências da mesma espécie: “Em que pesem os já conhecidos fatores que fazem as lesões ligamentares no joelho serem mais recorrentes no futebol feminino, e a casualidade das contusões em questão, o clube ressalta que tem realizado profundo estudo sobre as circunstâncias relacionadas a lesões sofridas pelas atletas com este diagnóstico. O Cruzeiro trabalha de maneira incessante para mitigar a incidência dessas lesões”.

Recorrência não é vista como ‘infeliz coincidência’

Luiza Parreiras pontuou que o rompimento de LCA é mais comum entre mulheres por questões anatômicas e fisiológicas. Ou seja, qualquer atleta de alto rendimento está sujeita. Contudo, o alto índice de lesões acendeu alerta no Cruzeiro. Os diagnósticos não são vistos como ‘infeliz coincidência’, e o clube monitora dados para entender o que tem sido determinante nesses casos.

“A gente entende que não é somente uma infeliz coincidência. Exatamente pelo alto índice de lesões que a gente tem sofrido até agora… É buscar informações de GPS, controle de carga, monitoramento de sono, humor, ciclo menstrual, percentual de gordura, hidratação pré e pós-jogo, todo o trabalho psicológico, de força. Utilizando para chegar a uma conclusão e entender as reais causas”

Luiza Parreiras, gerente de futebol feminino do Cruzeiro

Na sequência, a gestora pontuou que o departamento de futebol masculino também está envolvido na investigação. O clube ainda não tem um diagnóstico sobre a recorrência das lesões, mas espera concluí-lo na próxima semana.

“A gente sabe que a lesão de rompimento do LCA no feminino tem maior incidência por questões fisiológicas, mas a gente trabalha para poder minimizar e reduzir. Agora a gente foi impactado por tudo isso, tem nos preocupado. O que a gente tem feito é evolver todo o departamento de futebol do Cruzeiro, o masculino e o feminino, tentando achar causas para que a gente possa implementar mudanças necessárias. No momento, a gente não tem a conclusão, mas está trabalhando para que, nas próximas semanas, consiga apresentar e falar sobre”, finalizou a dirigente.

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