Domínguez resiste a turbulências e completa seis meses de Atlético em melhor fase

Domínguez resiste a turbulências e completa seis meses de Atlético em melhor fase

5 minutos 24/08/2026
Domínguez resiste a turbulências e completa seis meses de Atlético em melhor fase
Domínguez resiste a turbulências e completa seis meses de Atlético em melhor fase (Eduardo Domínguez, técnico do Atlético)

Em 24 de fevereiro, o Atlético confirmava aposta em um nome pouco conhecido do futebol brasileiro para substituir o argentino Jorge Sampaoli. Conterrâneo do antecessor, mas de filosofia significativamente distinta, Eduardo Domínguez interrompeu trabalho vitorioso no Estudiantes-ARG e aceitou a proposta alvinegra para trabalhar pela primeira vez em terras tupiniquins, sob o comando de um time que conviveu com intensa pressão nos últimos anos. Depois de resistir a turbulências dentro das quatro linhas e no vestiário, além de resultados negativos, “Barba” completa, nesta segunda-feira (24/8), seis meses sob à frente do Galo – em meio a melhor fase.

Distante do almejado pelo exigente treinador, o Atlético de Sampaoli não conseguia convencer em campo e tinha o argentino em clara rota de colisão com a diretoria alvinegra, principalmente por discordâncias em relação à postura na busca por reforços no mercado. Depois de empate com o Remo (3 a 3) na Arena MRV, em Belo Horizonte, em 11 de fevereiro, a pressão se tornou insustentável e Jorge acabou demitido.

Auxiliar fixo do clube, Lucas Gonçalves comandou a equipe em três compromissos antes que Domínguez assumisse. Barba finalmente estreou no Brasil em 1° de março, com conquista de vaga à final do Campeonato Mineiro em emocionante disputa de pênaltis – depois de empatar com o América (0 a 0) no tempo regulamentar.

As “tempestades” no caminho de Domínguez

Depois daquela semifinal do Campeonato Mineiro, Domínguez viveu semanas de uma verdadeira “montanha-russa” de altos e baixos na direção do Atlético. A atuação apática na final do Estadual, perdida diante do arquirrival Cruzeiro (1 a 0) no Mineirão, foi motivo de fortes cobranças públicas do treinador ao grupo de jogadores.

“O que falei no vestiário é que temos que nos olhar no espelho. Se você não quer olhar na própria cara… Não buscar desculpas em um companheiro, não buscar desculpas. (…) Temos que nos preparar melhor. Hoje, não jogamos como se fosse uma final. Eles sim. Isso foi notável. Temos de deixar as palavras de lado. Feitos. Feitos. Precisamos de ação. Eu falei no vestiário. Não tenho problema em dizer. Temos que nos preparar melhor, senão vai ser difícil. (…) Quem não corre não vai jogar.”

Eduardo Domínguez, treinador do Atlético, em 8 de março

O tempo corria em meio ao conturbado calendário brasileiro sem que o Galo conseguisse engrenar. A equipe chegou a vencer duelos importantes contra Internacional (1 a 0), São Paulo (1 a 0), Chapecoense (4 a 0), Athletico-PR (2 a 1), Juventud-URU (2 a 1) e Ceará (2 a 1), mas amargou derrotas para Vitória (2 a 0), Fluminense (1 a 0), Puerto Cabello-VEN (2 a 1), Santos (1 a 0) e Coritiba (2 a 0) no mesmo período.

O baque mais duro veio em 26 de abril. Irreconhecível e outra vez apático, o Atlético foi atropelado pelo Flamengo (4 a 0) dentro da Arena MRV, em duelo pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro. Três dias depois, ainda perdeu para o Cienciano-PER (1 a 0) no Estádio Inca Garcilaso de la Vega, em Cusco.

A virada de chave do Atlético

Em 2 de maio, o Atlético chegou para clássico contra o Cruzeiro pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro sob extrema pressão – e já sem o atacante Hulk, referência técnica do elenco nos cinco anos anteriores. Com claras dificuldades em campo e problemas internos de vestiário, o Galo tinha especialmente Eduardo Domínguez e Paulo Bracks, vice-presidente de futebol, ameaçados nos respectivos cargos.

O que se viu dentro das quatro linhas naquela noite no Mineirão, no entanto, foi um verdadeiro “nó tático” do time alvinegro no arquirrival. Com show nos contra-ataques e domínio do confronto, o Atlético pôs fim ao momento oscilante com personalidade e superou a Raposa, por 3 a 1 – dando início a uma “nova era” na temporada.

Para que se tenha noção do efeito daquele pós-clássico, o Galo só perdeu duas das 17 partidas seguintes – e em uma dessas derrotas, inclusive, venceu o Ceará nos pênaltis, garantindo classificação às oitavas da Copa do Brasil. No outro revés, fez jogo equilibrado com o Corinthians, mas pagou caro por desatenção nos últimos minutos na Neo Química Arena, em São Paulo.

Domínguez passa instruções a Alan Franco, Igor Gomes e Cissé no vestiário do Atlético na Arena MRV - (foto: Pedro Souza/Atlético)

Domínguez passa instruções a Alan Franco, Igor Gomes e Cissé no vestiário do Atlético na Arena MRV(foto: Pedro Souza/Atlético)

Pausa como “catalisadora”

A parada para a Copa do Mundo deu ao Atlético o fôlego necessário. Com tempo para trabalhar antes de retomar a “maratona” de jogos, Domínguez encontrou um padrão tático e fez do Galo um time difícil de ser batido.

Algumas peças – como Ruan Tressoldi, Maycon, Bernard e Cuello – se transformaram em pilares da equipe. A consistência defensiva de um time que se sente confortável em marcar com linhas mais recuadas também passou a dificultar o trabalho dos adversários.

Desde que voltou da pausa para o Mundial, o Atlético já fez nove partidas, com quatro vitórias e cinco empates. Os avanços às quartas de final da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana, ainda que em circunstâncias “sofridas”, deram mais “casca” ao elenco.

E o impacto dos resultados positivos também se fez sentir no Campeonato Brasileiro. O Galo saiu da parte de baixo da tabela de classificação e agora é o oitavo colocado, com 33 pontos e um jogo a menos que alguns dos principais concorrentes.

O próximo desafio

Em bom momento, o Atlético se concentra em mais um clássico contra o Cruzeiro – desta vez, pelas quartas de final da Copa do Brasil. A partida de ida será disputada no Mineirão, em Belo Horizonte, a partir das 21h desta terça-feira (25/8).

Mais uma chance para que Domínguez prove a força de seu Galo no Gigante da Pampulha – onde a “maré mudou” para o clube alvinegro em tempos de desesperança. Agora, com os ventos a favor.

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A notícia Domínguez resiste a turbulências e completa seis meses de Atlético em melhor fase foi publicada primeiro no No Ataque por Lucas Bretas

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