Entre o luto e a luta: Cruzeiro buscou título da Libertadores após morte trágica de artilheiro

Entre o luto e a luta: Cruzeiro buscou título da Libertadores após morte trágica de artilheiro

4 minutos 30/07/2026
Entre o luto e a luta: Cruzeiro buscou título da Libertadores após morte trágica de artilheiro
Entre o luto e a luta: Cruzeiro buscou título da Libertadores após morte trágica de artilheiro (Roberto Batata é o 12º maior artilheiro do Cruzeiro: marcou 111 gols em 290 jogos)

Embora seja o destino de todos, a morte não chega sem abalar. Em 1976, o Cruzeiro era representado por ídolos geracionais e desfilava bom futebol na Copa Libertadores. Parecia caminhar rumo à glória com leveza e encaixe. Até ter de lidar com a partida dolorosa de Roberto Batata. Como pode a primeira grande conquista continental do clube estrelado – que completa 50 anos nesta quinta-feira (29/7) – ser atravessada por um dos episódios mais dramáticos do cenário nacional?

O dono mais emblemático da camisa 7* celeste morreu aos 27 anos, horas depois de balançar a rede uma vez na goleada acachapante por 4 a 0 sobre o Alianza Lima-PER, no Mamute, em Lima, pela triangular semifinal da Libertadores. Quando chegou em Belo Horizonte, Roberto Batata pegou o carro para visitar a família em Três Corações, como de costume. O que saiu do roteiro foi o desfecho da viagem. No quilômetro 182 da rodovia Fernão Dias, envolveu-se em um acidente fatal.

Em entrevista exclusiva ao No Ataque, Joãozinho, também ídolo da Raposa e um dos principais nomes da conquista de 1976, dimensionou o choque: “Temos que falar da grande e inesperada perda do nosso querido Roberto Batata… Foi irreparável por causa da nossa amizade. Éramos uma família. Todos o chamavam de Batatinha. Ele brincava, sorria, conversava sorrindo, era um cara queridíssimo. Sentimos bastante porque não acreditávamos que tinha acontecido essa fatalidade”.

A tristeza teve espaço no vestiário celeste e se tornou uma motivação, explicou Joãozinho: “Acho que todos nós colocamos a cabeça no lugar e falamos: ‘vamos vencer, vamos vencer’. E aquilo fez com que não perdêssemos o foco”.

Gols de Cruzeiro 7 x 1 Alianza Lima

Curiosamente, sete dias depois da partida de Roberto Batata, o Cruzeiro goleou o Alianza Lima novamente, dessa vez no Mineirão, em Belo Horizonte. O placar? 7 a 1. O ponta parecia estar em todos os lugares e recebera uma homenagem não programada: “A goleada por sete gols foi uma coincidência, virou uma lenda. Todos lembraram da camisa dele”.

Motivado pela tragédia, o Cruzeiro seguiu absoluto na Libertadores. Na última partida do triangular, derrotou a LDU-EQU por 4 a 1 e confirmou a ida à decisão, composta por três partidas. No primeiro encontro com o River Plate-ARG, os celestes triunfaram por 4 a 1 em casa. Perderam o segundo jogo por 2 a 1, no Monumental de Núñez, em Buenos Aires, e, posteriormente, fizeram história ao vencer o último embate por 3 a 2, no Estádio Nacional, em Santiago, no Chile.

“Foi uma tragédia perdermos o Batata. Se tivesse ele, acho que venceríamos a Libertadores com mais facilidade, porque além de um baita jogador, era um artilheiro nato… Ele foi muito importante não só na na Libertadores, mas antes também, porque era um jogador também bem entrosado com a gente. Foi uma uma fatalidade que ninguém esperava”, concluiu Joãozinho.

Roberto Batata participou de seis jogos daquela edição de Libertadores e marcou dois gols. Não há como desassociar o primeiro grande título continental do Cruzeiro com o lendário camisa 7, o 12º maior artilheiro do clube estrelado: 111 tentos em 290 partidas.

*Naquela edição da Libertadores, Roberto Batata vestia a 14, e o número 7 pertencia a Jairzinho.

Jogos do Cruzeiro na Libertadores de 1976

Primeira fase

  • 07/03 – Cruzeiro 5 x 4 Internacional – Mineirão, Belo Horizonte
  • 14/03 – Sportivo Luqueño 1 x 3 Cruzeiro – Defensores del Chaco, Assunção
  • 18/03 – Olimpia 2 x 2 Cruzeiro – Defensores del Chaco, Assunção
  • 24/03 – Cruzeiro 4 x 1 Sportivo Luqueño – Mineirão, Belo Horizonte
  • 28/03 – Internacional 0 x 2 Cruzeiro – Beira-Rio, Porto Alegre
  • 04/04 – Cruzeiro 4 x 1 Olimpia – Mineirão, Belo Horizonte

Triangular Semifinal

  • 09/05 – LDU 1 x 3 Cruzeiro – Atahualpa, Quito
  • 12/05 – Alianza Lima 0 x 4 Cruzeiro – El Mamute, Lima
  • 20/05 – Cruzeiro 7 x 1 Alianza Lima – Mineirão, Belo Horizonte
  • 30/05 – Cruzeiro 4 x 1 LDU – Mineirão, Belo Horizonte

Final

  • 21/07 – Cruzeiro 4 x 1 River Plate – Mineirão, Belo Horizonte
  • 28/07 – River Plate 2 x 1 Cruzeiro – Monumental de Núñez, Buenos Aires
  • 30/07 – Cruzeiro 3 x 2 River Plate – Estádio Nacional, Santiago

Participações na campanha

  • 13 jogos: Raul, Nelinho, Moraes e Eduardo
  • 12 jogos: Vanderlei, Jairzinho e Joãozinho
  • 11 jogos: Darci, Zé Carlos, Palhinha e Piazza
  • 7 jogos: Isidoro
  • 6 jogos: Roberto Batata e Ronaldo
  • 5 jogos: Ozires
  • 3 jogos: Valdo
  • 2 jogos: Silva
  • 1 jogo: Eli Mendes e Mariano

Artilheiros do Cruzeiro na Libertadores de 1976

  • 13 gols: Palhinha
  • 12 gols: Jairzinho
  • 7 gols: Joãozinho
  • 6 gols: Nelinho
  • 3 gols: Eduardo
  • 2 gols: Roberto Batata
  • 1 gol: Darci, Ronaldo e Valdo

A notícia Entre o luto e a luta: Cruzeiro buscou título da Libertadores após morte trágica de artilheiro foi publicada primeiro no No Ataque por Sofia Cunha

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