Ex-presidente do Corinthians, Duilio renuncia ao título de sócio: ‘Não tenho vaidade’

Ex-presidente do Corinthians, Duilio renuncia ao título de sócio: ‘Não tenho vaidade’

4 minutos 28/05/2026
Ex-presidente do Corinthians, Duilio renuncia ao título de sócio: ‘Não tenho vaidade’
Ex-presidente do Corinthians, Duilio renuncia ao título de sócio: ‘Não tenho vaidade’ (Duilio Monteiro Alves)

Em carta aberta publicada nas suas redes sociais nesta quinta-feira, o ex-presidente do Corinthians, Duilio Monteiro Alves, anunciou sua renúncia ao título de sócio e afastamento do clube. Com isso, Duilio também abre mão do seu cargo como membro vitalício do Conselho Deliberativo e sua participação no Cori (Conselho de Orientação).

“Com minha saída, talvez muita gente finalmente abra os olhos para os três grandes problemas realmente preocupantes do presente, que tantos fingem não enxergar:

1. A reforma tributária tornará a vida dos clubes associativos mais cara do que a das SAFs.

2. A dívida que estava controlada em 2023, com três superávits sucessivos nos anos da minha gestão, foi catapultada em mais R$ 1 bilhão nos anos Augusto/Osmar, com aprovação de gente que agora deseja se candidatar.

3. E a agência de fair play financeiro implementada pela CBF prevê penas como transfer ban e até rebaixamento para clubes que contratam sem pagar — ainda mais para aqueles que se comportam como se não precisassem pagar.”, analisou.

“Minha retirada do quadro associativo não resolve nada disso. Mas ao menos comprova que não tenho vaidade, estou desapegado e disposto a ver o Corinthians discutir, de fato, o seu futuro.”, completou.

Processo interno

Em meio a um processo de investigação dos órgãos internos do clube, que buscava o afastar das suas funções, a renúncia do ex-presidente deve fazer com que o processo perca seu objeto e deixe de existir.

Duilio é alvo de questionamentos relacionados ao uso de cartão corporativo e a suspeitas de notas irregulares, casos que estão sob análise da Justiça, do Ministério Público e também de órgãos internos do Corinthians.

“A guerra política do Corinthians deixou muita gente cega. O clube se tornou ingovernável. E, em vez de debater regras, responsabilidades e mecanismos de controle, preferiram criminalizar práticas próprias da vida de uma empresa que fatura R$ 1 bilhão, como renegociação de dívidas e o uso do cartão corporativo.”, declarou Duilio.

“No meu caso, com o valor total utilizado nos 3 anos de gestão com média inferior a R$35,00 por dia e com uso estritamente institucional, ou seja, transformaram atos administrativos ordinários em narrativas criminais, sem o devido contexto técnico e contábil.”, se defendeu.

Nota da Gaviões

A Gaviões da Fiel, principal organizada do Corinthians, também se manifestou sobre o tema:

“A carta aberta divulgada por Duílio Monteiro Alves, ex-presidente do Corinthians, tenta revestir sua saída com um discurso técnico e emocional, mas não consegue afastar o elemento central dos fatos: a renúncia não decorre de desprendimento, e sim de um contexto iminente de responsabilização política e institucional, que inevitavelmente culminaria em sua expulsão, tal como ocorreu com o ex-presidente Andrés Sanchez e, certamente, ocorrerá com Augusto Melo na próxima segunda-feira.

Ao antecipar sua retirada do quadro associativo, abrindo mão do título de sócio remido e do cargo de conselheiro vitalício, o ex-presidente opta por um movimento preventivo que, na prática, evita as consequências de um eventual processo de expulsão.

Sob a ótica estatutária, tal conduta pode ser interpretada como uma renúncia estratégica, uma forma de esvaziar os efeitos jurídicos de sanções que já se desenhavam no horizonte. Mas aqui é Corinthians. Aqui não se trata apenas de formalidade. Trata-se de responsabilidade.

A tentativa de reconstruir a narrativa, alegando perseguição política e “criminalização” de atos administrativos, não afasta o julgamento da Fiel, que acompanhou de perto decisões, gestões e consequências que impactaram diretamente o clube.

Se houve perseguição ou não, isso compete às instâncias competentes. Mas o julgamento moral e esportivo, este já foi feito pela arquibancada.

E a verdade é simples: quem sai pela porta da renúncia para evitar a expulsão não demonstra grandeza institucional, demonstra receio das consequências.

No campo simbólico, sua saída não representa uma perda. Representa apenas o encerramento de um ciclo que, para muitos, já deveria ter terminado há tempos.

O Gaviões da Fiel aproveita a oportunidade para solicitar aos diretores e integrantes de gestões anteriores que causaram todos esses prejuízos ao Corinthians que sigam o mesmo caminho: sumam do clube, ou serão objeto de processos de expulsão. Estamos atentos a TODOS que prejudicaram o SCCP.

O Corinthians segue. A Fiel Torcida está mais forte, mais vigilante e, acima de tudo, lutando por um Corinthians maior do que qualquer dirigente.”

Gaviões da Fiel Torcida

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