Executivo do Atlético detalha plano para transformar Arena MRV em potência na América Latina

Executivo do Atlético detalha plano para transformar Arena MRV em potência na América Latina

19 minutos 23/05/2026
Executivo do Atlético detalha plano para transformar Arena MRV em potência na América Latina
Executivo do Atlético detalha plano para transformar Arena MRV em potência na América Latina (Arte na Arena MRV vista de cima do estádio)

Em 30 de março, o Atlético anunciou contratação importante para o time de executivos do clube. Economista com especializações em administração de negócios e marketing, Márcio Freire, que já trabalhou em gigantes como Google, Meta e Itaú, assumiu o cargo de vice-presidente de negócios do Galo. Responsável pelas áreas comercial, marketing, sócio-torcedor e novos produtos, o executivo tem na Arena MRV pilar fundamental para contribuir para a sustentabilidade financeira da instituição no médio prazo. Em entrevista exclusiva ao No Ataque, ele detalhou o plano para transformar a casa alvinegra em potência na América Latina.

“O meu objetivo é que a Arena MRV seja o maior espaço de eventos – esportivos ou não – e de engajamento com marcas da América Latina. No mínimo. A meta tem que ser essa. Se nós atingirmos 80% dela, estaremos infinitamente melhores do que estamos hoje”, assim, Márcio Freire resumiu o projeto ao NA.

“Fiquei dois meses em um processo de aprendizado muito profundo, sem tirar conclusões precipitadas em relação aos temas. Sem ser engenheiro de obra pronta, porque é fácil criticar o passado e chegar aqui e dar solução pra tudo do dia para a noite. Um dos motivos pelos quais eu fui contratado é para a gente aumentar consideravelmente a receita do clube”, explicou.

Mudança no perfil da receita como meta

Como vice-presidente de negócios do Atlético, Márcio Freire espera conduzir o clube no caminho do aumento de receitas ao longo dos próximos anos. Esse crescimento, na visão do executivo, deve estar indispensavelmente associado à diversificação dessas fontes de renda para o Galo.

“Tem um aumento de receita muito relevante no último ano, mas esse aumento é muito focado principalmente na linha de patrocínio – teve a entrada de um patrocinador bem grande. A gente tem uma necessidade muito grande de diversificação de receita ao longo dos próximos anos. Não podemos ter receita concentrada – e hoje é”, disse.

“Temos uma concentração muito grande de receitas em patrocínios – camisa, especificamente. E uma concentração muito grande em poucos patrocinadores – o que é ótimo do ponto de vista de entrega de valor para esse patrocinador, mas ao mesmo tempo diversificar receita reduz risco. É maravilhoso para o longo prazo”, acrescentou.

A paixão pelo Atlético

Márcio Freire se sentiu atraído pelo projeto do Atlético especialmente pelo tamanho dos desafios enfrentados pelo clube. À reportagem, o profissional também rasgou elogios a Pedro Daniel, que é oficialmente o CEO da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) alvinegra desde janeiro.

“Eu tenho alguns grandes motivos para estar no clube hoje. Um motivo: eu amo desafios, gosto de problemas. Quando me foi falado dos desafios que a gente tinha aqui, meus olhos brilharam para caramba. Larguei um empreendimento pessoal que estava indo super bem, larguei mesmo. Saí da sociedade para vir para o clube e ajudar. Segundo ponto: eu sou fanático. Fiquei 11 anos em São Paulo e voltei em 2021. Para mim, o Atlético sempre foi uma paixão muito importante. Desde 2021, se tornou parte ainda mais importante”, revelou.

“O terceiro ponto: Pedro Daniel. O fato de ele ter topado esse desafio deu uma chancela de que o projeto é muito sério. Muito sério. Vi isso de fora, mas quando vejo ele vindo para cá, tenho essa certeza. O Pedro une duas características que muitas vezes são antagônicas: competência e humildade. Isso é muito único. Ele passa na fala dele, na forma de lidar no dia a dia, a humildade. Se tornou atleticano e é muito preocupado com engajamento com a torcida, com aproximação”, exaltou.

Arena MRV como potência: o projeto de Márcio Freire

Para transformar a Arena MRV em potência no campo das receitas, Márcio Freire quer trabalhar em três pilares principais. São eles: a transformação do conceito de parceria com patrocinadores, o aumento da eficiência nos jogos do Atlético e a realização de uma maior quantidade de eventos que não sejam relacionados ao futebol.

As parcerias: do modelo transacional ao consultivo

Na abordagem do Atlético aos patrocinadores atuais e aos potenciais parceiros, Márcio tem trabalhado para promover mudança de cultura no clube. O vice-presidente de negócios quer desenhar cada vez mais modelos de parcerias baseados nas necessidades das empresas, ofertando diferentes possibilidades de exposição relacionadas ao Galo – e à própria Arena MRV.

“A Arena MRV, falando como espaço de exposição de marca e parceria com grandes marcas. Falo de forma genérica, porque não gosto de pensar em naming rights, exposição no telão, ring led… São ‘N’ oportunidades de exposição em inventário de mídia e experiência de marca dentro da Arena MRV. Como eu enxergo essa oportunidade? Hoje, o futebol é muito transacional – quando falo em termos de receitas e oportunidades comerciais. Vai lá, o clube fala com um possível parceiro ou patrocinador e vai vender um patrocínio de camisa ou naming rights de setor. Isso é muito transacional”, explicou.

“Vale tanto pela visibilidade de marca, com um cálculo mínimo, e isso na minha visão é muito pouco consultivo. O que eu quero é reverter essa lógica. A lógica é o quê? ‘Parceiro, qual é o seu objetivo de marca? Qual o seu objetivo de negócio?’ E a partir disso, vou construir um projeto comercial com soluções que envolvem a Arena MRV, sem dúvidas, mas que envolvem o clube. Por exemplo, uma exposição na camisa, GNV com contato direto com nosso sócio, as nossas redes sociais – que têm contato com milhões de torcedores, somando todas”, desenvolveu.

“Aqui, a minha abordagem para esse tema e a utilização da Arena MRV como exposição de mídia, inventário de mídia e experiência de marca, é em um âmbito muito consultivo e não transacional. Isso é muito relevante, e é uma mudança total de mindset – não só do Atlético como do futebol. O futebol hoje é muito transacional. Isso não é opinião”, acrescentou ao No Ataque.

“Desde a minha entrada, com mais de 20 marcas que eu chamo de tier 1 (nível 1, em tradução simples ao português) aqui, que são parceiros, clientes, potenciais parceiros, CMOs (chefes de marketing, na tradução ao português) de empresas e CEOs de empresas, e todo mundo fala: ‘O cara chega aqui e quer me vender uma exposição de marca na camisa, uma barra frontal, um patrocínio máster com exposição de camisa’ – como é a H2bet hoje para a gente aqui. Mas definitivamente não é a forma como eu abordo hoje os nossos parceiros”, prosseguiu.

Camisa do Atlético antes de jogo na Arena MRV - (foto: Pedro Souza/Atlético)

Camisa do Atlético antes de jogo na Arena MRV(foto: Pedro Souza/Atlético)

Márcio disse acreditar que a Arena MRV está distante do potencial de valor que pode gerar a eventuais patrocinadores. O profissional trabalha com possibilidades de interação cada vez mais ligadas ao estádio.

“A Arena MRV hoje entra dentro desse hall de oportunidades de exposição de marca, quando penso aqui no parceiro B2B (business-to-business, empresas que vendem produtos a outras empresas) principalmente. E aí, não só exposição de marca como experiência de marca”, explicou Márcio.

“Tipo, hoje o cara pode ter uma experiência de marca dentro de algum espaço na Arena MRV. Posso oferecer para uma montadora, por exemplo, uma experiência de test-drive na esplanada – coisa que nunca foi oferecida anteriormente. Falando desse primeiro pilar no qual eu acredito muito, que é um pilar que tem oportunidades ilimitadas, porque hoje a Arena MRV está longe do potencial de ser explorada para esse fim”, exemplificou.

Os eventos esportivos

Outro pilar importante passa por um aumento das receitas com bilheteria nas tardes e noites de jogos do Atlético na Arena MRV. Diante do cenário de momento, Márcio Freire reconhece a necessidade de reaproximação por parte do clube com a torcida.

“Eu acho que tem uma necessidade muito grande de reaproximação da nossa torcida, e isso é uma prioridade do clube como um todo. Da área comercial não é diferente. Não tenha dúvida disso. Porque definitivamente a torcida é nosso maior ativo. Quando falei no meu post de chegada aqui, falei isso e não foi da boca para fora. Acredito muito nisso. Eu sou torcedor de carteirinha, de berço. Tenho minha cadeira no Brahma Oeste desde o momento da inauguração da Arena MRV. Como torcedor, tenho as minhas ‘críticas’ e oportunidades de melhorias dentro da Arena MRV. Isso é muito importante, porque trago um contexto muito relevante de fora”, opinou.

Para aumentar o ticket médio na Arena MRV sem tirar o público de baixa renda do estádio, o Atlético tem pensado em diversas iniciativas. Um dos focos principais é melhorar a experiência dos torcedores alvinegros no local.

“Falando de forma muito simplista: qual é a necessidade hoje da Arena MRV como um todo? É um aumento de ticket médio sem abrir mão do nosso torcedor que porventura não tenha capacidade de pagar altos preços de ingressos. Isso é muito relevante. É uma balança. Eu tenho que aumentar o ticket médio, mas ao mesmo tempo tenho que encher mais a Arena MRV. Definitivamente, não só pelo espetáculo esportivo, mas por tudo que o entorno pode oferecer. Para fazer isso, tenho que ser muito criativo”, iniciou Freire.

“Para fazermos isso, acho que tem várias frentes de trabalho. Nossa experiência de alimentos e bebidas hoje é boa, foi melhorando ao longo dos últimos três anos, mas não tenha dúvida que ainda tem oportunidade de melhoria. A gente tem uma relação muito próxima com nosso fornecedor, e é uma empresa muito aberta, muito profissional. Eles têm pensado o tempo inteiro em como trazer uma melhor experiência para o torcedor de todo tipo, de todos os segmentos”, continuou.

“Ao mesmo tempo, aumentar o consumo com experiência boa. Não é aumentar o preço dos produtos – pelo contrário, é trazer mais oportunidades de produtos legais para dentro da Arena MRV. Acho que isso é bem relevante. Trazer o pré-jogo do torcedor não só para a esplanada, mas para dentro da própria Arena MRV. Aqui, as experiências de esplanada, especificamente, podem ser muito melhoradas. Dá para fazer muito mais coisa ali. É uma oportunidade gigante para marcas, para eventos esportivos e para eventos de shows”, detalhou o executivo ao No Ataque.

Arena MRV com torcedores do Atlético na esplanada - (foto: Daniela Veiga/Atlético)

Arena MRV com torcedores do Atlético na esplanada(foto: Daniela Veiga/Atlético)

O clube também estuda formas de arrecadar mais com o público de alta renda. Márcio Freire e seu time têm trabalhado no desenvolvimento de estratégias para evoluir a experiência “premium” na Arena MRV, que podem causa impacto importante nas receitas do Atlético com as partidas.

“Pensando em ticket médio, aumentar e melhorar as experiências que a gente tem hoje também para o público premium. Temos hoje três lounges e um restaurante. Dentro desses lounges, uma experiência que deveria ser premium e pode ser muito melhorada. Temos o GNV Premium, que é um grande foco nosso aumentar a ocupação desses lounges ao longo do tempo. Tem uma questão de discussão de não só melhorar a experiência dos lounges, mas precificar isso de forma correta para que a gente consiga aumentar a ocupação e também permitir que os nossos torcedores possam fazer upgrades de experiência dentro da Arena MRV”, analisou.

“Quando o cara ia comprar uma experiência de lounge dentro da Arena MRV, tinha que fazer isso com antecedência. Hoje, pode fazer isso e tem benefícios em fazê-lo, mas ao mesmo tempo também queremos permitir que esse torcedor faça upgrade de experiências (ter bebida liberada, comida liberada) resolvendo isso no momento. ‘Estou animado hoje, quero fazer essa experiência diferenciada’. Cada vez mais, queremos permitir isso. Temos uma outra iniciativa específica para, dentro das nossas parcerias com empresas, termos a venda de pacotes corporativos de ingressos. Isso ajuda a aumentar o publico no estádio e também o ticket médio”, revelou Márcio.

“O que a gente quer é dar uma experiência que os nove milhões de torcedores querem e valorizam. Eu não posso pensar só no público que não vai no estádio hoje – que eu também quero ter convivência e contato, com engajamento totalmente diferente -, mas também para aquele cara que vai ali e dentro do estádio ter experiência completamente diversa de acordo com a vontade e com o poder aquisitivo também. Isso é muito importante. Apesar de ser um percentual pequeno desses torcedores, é um torcedor que tem um ticket médio muito mais alto. E, sem dúvidas, aumentando essa ocupação, consigo aumentar a receita total do estádio sem perder a minha possibilidade de ter um ingresso mais barato. Esse é um tema bem relevante.”

Márcio Freire, vice-presidente de negócios do Atlético

O executivo quer ainda minimizar o impacto de eventuais resultados negativos dentro de campo nos públicos registrados na Arena MRV. Naturalmente, trata-se de um dos principais desafios para qualquer clube brasileiro.

“Eu não posso, como gestor comercial do clube, depender da performance esportiva, porque eu não controlo isso. Na verdade, ninguém controla isso. A gente pode de alguma forma gerenciar isso. Não tenho dúvidas que o Bracks faz esse trabalho muito bem hoje no clube, e agora com a chegada do Guilherme, com notícias boas relacionadas a isso, acho que vai melhorar ainda mais. O Domínguez, que é um super treinador. O elenco, que é um bom elenco e vai ao longo do tempo sendo reforçado, com mudanças de peças acontecendo. Mas a gente não controla”, frisou.

“Eu não posso depender disso. Quando eu falo: ‘Pô, o que eu tenho que fazer?’ Tenho que gerar a melhor experiência possível para o torcedor independentemente do resultado. O resultado vai potencializar a minha possibilidade de geração de receita. Aqui, se eu depender disso no dia a dia, muitas vezes eu deixo de fazer muitas coisas que, porventura, são experiências legais. (…) Não tenho dúvida que ao longo do tempo, com todas as iniciativas que a gente está fazendo de reaproximação da torcida, o resultado terá impacto, mas o impacto será menor do que é hoje. Eu espero”, projetou o dirigente.

Time do Atlético postado antes de jogo contra o Cienciano-PER pela Sul-Americana na Arena MRV - (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press)

Time do Atlético postado antes de jogo contra o Cienciano-PER pela Sul-Americana na Arena MRV(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press)

Os shows e eventos externos

O Atlético tomou decisão estratégia em relação à Arena MRV: a priorização absoluta do futebol em detrimento dos eventos. O cenário limita a recepção de shows por parte do estádio, e o clube quer aumentar a eficiência nesse sentido.

“O terceiro pilar tem muito potencial e, ao mesmo tempo, acho que evoluiu muito no último ano. No ano passado, a gente teve R$ 6 milhões de receita de shows e eventos de entretenimento na Arena MRV. Esse ano, a gente espera pelo menos dobrar esse valor. É uma notícia bem boa, bem positiva em relação a esse cenário. Mas o potencial disso é enorme. Eu tento ao máximo não comparar a outras arenas. Me comparo a mim mesmo”, iniciou Márcio Freire sobre o tema.

“O que eu tenho feito? Esse exercício foi para tudo. Um mapeamento das oportunidades comerciais que a gente tem no clube – tanto inventário comercial, do ponto de vista de exposição de marca que eu comentei, toda parte de Arena MRV, de rede social, produção de conteúdo, patrocínio em camisa, naming rights, mas também o nosso potencial máximo de eventos na Arena MRV. Isso é muito importante”, destacou.

“Como a Arena MRV é nossa, a gente tem uma decisão estratégica de priorizar eventos esportivos e não shows. Temos uma limitação de calendário, e isso é muito importante frisar. A gente tem como planejar, tem como levar para a CBF e negociar datas diante de uma agenda de shows. Existe essa possibilidade e a gente faz isso. Esse relacionamento é muito bom, justamente para fazer esse planejamento, mas definitivamente as datas do futebol impactam na possibilidade de gerar receita com eventos”, pontuou Freire ao NA.

“Definitivamente, a gente está longe do nosso potencial. Olhando para um plano de hoje até 2030, queremos chegar em pelo menos R$ 30 milhões de receita em eventos fora eventos esportivos. Isso seria multiplicar por dois e meio ou três até o ano de 2030 (considerando o faturamento previsto para 2026) – o que é muito legal.”

Márcio Freire, vice-presidente de negócios do Atlético

Show de Paul McCartney na Arena MRV, em dezembro de 2023 - (foto: Divulgação/X/@ArenaMRV)

Show de Paul McCartney na Arena MRV, em dezembro de 2023(foto: Divulgação/X/@ArenaMRV)

Além dos seis shows de nível internacional já garantidos pela parceria com a Live Nation, o Atlético trabalha para receber outros dois eventos de grande porte na Arena MRV em 2026. O clube já tem atrações de peso confirmadas no estádio.

“Para grandes eventos, temos hoje uma parceria com a Live Nation, que garante pelo menos seis eventos de nível internacional a cada ano na Arena MRV. Isso é bacana, porque nos ajuda a começar o ano com essa possibilidade, com esse forecast (projeção ou previsão, em português) de shows. Além disso, o meu papel é estabelecer uma proximidade e parceria com os maiores produtores de eventos do Brasil. Fiz bons relacionamentos e vamos trazer, se tudo der certo, dois shows que não estavam previstos para esse ano. Não posso falar ainda. Apesar dessa expectativa de receita dobrar esse ano, ainda estamos olhando outras possibilidades por meio de bons relacionamentos para que aumentemos essa agenda ainda esse ano. Pensa nisso multiplicado pelos próximos anos”, estimou Márcio.

“Temos para esse ano Revelação, Kid Abelha, Djavan, Xuxa. Temos evento da Red Bull, o Ore Comigo e o Vira Brasil, que acontece na virada do ano. Fizemos uma escolha de trabalhar no esquema de eventos produzidos por terceiros e, eventualmente, podemos começar a produzir eventos nós mesmos. Essa possibilidade existe lá na frente. Não necessariamente é algo que perseguimos no curto prazo, até por uma questão de capacidade de time, tudo isso. Temos uma situação financeira em que não podemos ter um aumento de time muito relevante. Isso aumentaria nossa margem absurdamente – não só olhando para a linha de receitas, mas para a de lucro. Não é para 2026, mas para um prazo de dois, três anos”, revelou.

Por fim, dentro do tópico, Márcio Freire destacou os eventos médios. A Arena MRV tem sido palco de conferências de diversas grandes empresas desde a inauguração – e quer mais.

“Nossos eventos médios aqui são muito focados em eventos corporativos, e esse é um tema legal, porque envolve também a expansão das possibilidades comerciais. Hoje temos um ecossistema de empresas em torno do Galo que é muito relevante. Não só as empresas do grupo aqui, mas temos um ecossistema de 112 camarotes, do Clube dos 113, associação, conselheiros que são empresários e executivos de altas empresas, que são um canal muito forte de novos eventos corporativos na Arena MRV”, projetou Freire.

“Quem ali não gostaria de trazer um evento anual da sua empresa para a Arena MRV? Canal de aquisição de possibilidades de novos eventos. Estão no nosso ecossistema e nunca foram explorados de forma ativa. O desafio nosso aqui é, dentro do nosso próprio ecossistema, trazer pessoas já engajadas com o clube para eventos médios aqui para dentro da Arena MRV. É uma possibilidade enorme de linha de receita”, complementou.

Os naming rights da Arena MRV

Entre todos os estádios com naming rights na Série A do Campeonato Brasileiro, a Arena MRV é a que tem o acordo comercial fechado por menor valor – mesmo corrigido pela inflação para os dias atuais. O acordo assinado em 2020 previa o pagamento de R$ 71,7 milhões por parte da empresa de engenharia ao Atlético – dos quais o clube antecipou crédito de R$ 42,5 milhões.

Ciente de que o número está abaixo dos praticados atualmente no mercado, Márcio Freire admite a possibilidade de que o Galo renegocie o tópico nos próximos anos. Entre as várias alternativas oferecidas pelo mercado, reconstruir o contrato com a MRV pode ser um dos caminhos, segundo o executivo.

“Os naming rights da Arena MRV foram negociados em um período no qual o estádio não existia. Era um projeto. Isso muda muito quando você tem uma arena pulsante, funcionando e olhando para as possibilidades que existem no âmbito de naming rights. As conversas são constantes em relação a esse tema. A MRV acredito que enxerga muito valor hoje na parceria com a gente. Do ponto de vista de visibilidade de marca… Tanto que a gente chama de Arena MRV, e não Arena Galo, por exemplo”, iniciou.

“Aqui, sem dúvidas, temos discussões – inclusive com a própria MRV, que é do grupo. Temos conversas com eles mas também com outros parceiros que porventura faça sentido. Não quero: ‘Vou sair ofertando o naming rights da Arena MRV a torto e a direito’. Eu tenho uma marca que tem necessidade de gerar visibilidade, mas o naming rights é uma perna de um plano. É uma perna que, no geral, é uma perna pequena dentro de um plano macro – que envolve ‘N’ outras atividades quando penso no pitch disso para uma marca. Ativamente, tenho feito conversas no qual o naming rights faz sentido para algumas”, prosseguiu.

Foto da Arena MRV do alto, pegando a esplanada cheia de torcedores - (foto: Divulgação/Atlético)

Arena MRV, em Belo Horizonte(foto: Divulgação/Atlético)

“Isso pode vir a acontecer (a mudança). Não tem um prazo, porque uma negociação de naming rights hoje no mundo às vezes demora anos. Não são dias, nem meses. O contrato com a MRV é de 10 anos, até 2033. Estamos felizes com a parceria, não temos nenhum problema em relação a isso, pelo contrário. Eles também estão felizes. Mas definitivamente, eu sinto que quando olho para objetivos de vários parceiros com quem tenho conversado, o naming se encaixa dentro de projetos comerciais para atingir aqueles objetivos”, encerrou ao No Ataque sobre o tema.

O foco principal do projeto

Na sequência da entrevista, Márcio Freire enfatizou o principal ponto de atenção do projeto que visa à transformação do setor comercial do Atlético. O executivo almeja o clube cada vez mais focado na geração de valor aos parceiros e espera que, com isso, consiga atrair mais receitas.

“A nossa tríade: empresas, torcida e clientes (porventura visitantes de shows, não necessariamente torcedores). É sempre gerar valor para essa tríade e, a partir disso, maximizar oportunidades de receitas. Um vem antes do outro de propósito. A gente não consegue maximizar oportunidades de receitas se a gente não gerar valor para essa tríade. Hoje, acho que temos oportunidades enormes nas três frentes”, explicou.

“Falei muito delas, mas tem uma que eu queria reforçar muito, que é a minha especialidade: gerar valor para empresas. Primeiro, antes de qualquer oferta de produto, de patrocínio, de oportunidades dentro da Arena MRV, preciso entender qual é o desafio do meu cliente, do meu parceiro. O meu trabalho está sendo ouvir o mercado – tanto os parceiros que já estão dentro de casa como futuros parceiros. Um olho no peixe e outro no gato”, continuou.

“Temos que inverter essa lógica: a partir do momento em que esse cara está aqui dentro, falar: ‘Parceiro, vem aqui. A partir do momento em que você faz um investimento comigo, eu tenho que demonstrar o valor que isso gera para o seu negócio’. Isso é uma mudança de lógica completa hoje dentro do clube e dentro do futebol brasileiro. Eu nunca vou oferecer para um parceiro: ‘Vem aqui e investe na barra frontal da minha camisa’. Isso não é parceria, não é a forma como eu vendo o Galo. Para outras indústrias, isso já mudou há muito tempo”, encerrou Márcio sobre o tema.

Arena MRV - (foto: Pedro Souza/Atlético)

Arena MRV, em Belo Horizonte, é o estádio do Atlético(foto: Pedro Souza/Atlético)

A visão para o futuro do Atlético

Por fim, o vice-presidente de negócios demonstrou otimismo em relação ao futuro do Atlético, mesmo diante dos desafios impostos pelo endividamento bilionário da SAF. O executivo aposta na paixão como ingrediente especial do time de funcionários do Galo para reverter o cenário ao longo dos próximos anos.

“Como eu vejo o futuro do Galo? Um clube que eu acho que já é muito mais profissional do que era, mas que ainda será muito mais. Uma estrutura e um time que hoje são muito bons. Eu peguei um time de pessoas muito motivadas, muito boas, que dão o sangue pelo clube – isso é muito diferente de tudo o que eu já fiz na minha vida. Envolve paixão. Trabalhei em empresas muito legais, mas que não necessariamente envolviam o nível de paixão que envolve aqui”, analisou.

“Ao longo do tempo, tem que se desenvolver para que atue no modelo que eu acredito, que é o modelo consultivo – não o transacional. Eventualmente, vou aumentar o time – não substituir – para ajudar a disseminar essa cultura. Hoje, isso não é possível. Para mim, no curto e médio prazo, estar muito próximo da ponta, para desenhar um modelo que gere muito valor para nossos parceiros, torcedores e clientes. Mas ao mesmo tempo, trazendo uma estrutura muito mais profissional em todas as áreas”, projetou ao No Ataque.

“O futuro, na minha visão, é brilhante. Acho que temos oportunidades gigantescas. Eu montei um plano de negócios agora, completo, com tudo o que aprendi ao longo dos últimos meses. Compartilhei algumas das coisas que estão no plano. Essa parte de engajamento com a torcida, e não só com sócios-torcedores, é muito relevante, porque envolve tudo: desde pricing de ingressos até logística, mobilidade, cadastramento do GaloID… Tem um milhão de iniciativas que temos feito para aumentar esse engajamento, aumentar essa aproximação que ‘foi perdida’ ao longo dos últimos anos. Temos como essencial, é uma prioridade muito grande no meu prato hoje.”

Márcio Freire, vice-presidente de negócios do Atlético

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A notícia Executivo do Atlético detalha plano para transformar Arena MRV em potência na América Latina foi publicada primeiro no No Ataque por Lucas Bretas



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