Golaço, torcida de pé e música: ídolo do Cruzeiro relembra momentos marcantes no Mineirão

Golaço, torcida de pé e música: ídolo do Cruzeiro relembra momentos marcantes no Mineirão

5 minutos 01/08/2026
Golaço, torcida de pé e música: ídolo do Cruzeiro relembra momentos marcantes no Mineirão
Golaço, torcida de pé e música: ídolo do Cruzeiro relembra momentos marcantes no Mineirão (Joãozinho marcou 119 gols pelo Cruzeiro)

Palco de alguns dos maiores capítulos da história do Cruzeiro, o Mineirão também foi o cenário onde Joãozinho construiu a idolatria que atravessa gerações. Dono de dribles desconcertantes, gols históricos e atuações memoráveis, o eterno “Bailarino da Toca” reviveu, em entrevista exclusiva ao No Ataque, lembranças que marcaram sua trajetória no Gigante da Pampulha.

Entre elas estão um golaço antológico diante do Fluminense, a atuação histórica na vitória por 5 a 4 sobre o Internacional pela Copa Libertadores de 1976, a música cantada pela torcida e até a grave lesão que o impediu de disputar a Copa do Mundo de 1982.

Joãozinho viveu momentos especiais no Mineirão com a camisa do Cruzeiro - (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Joãozinho viveu momentos especiais no Mineirão com a camisa do Cruzeiro(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Inesquecível golaço contra o Fluminense

Ao recordar seus momentos mais especiais no Mineirão, Joãozinho destacou o gol marcado na vitória do Cruzeiro por 3 a 1 sobre o Fluminense, em 6 de abril de 1980, no Campeonato Brasileiro.

Na reta final da partida, o ponta arrancou praticamente do meio-campo, deixou um marcador para trás, driblou o goleiro Paulo Goulart e empurrou para as redes, em um lance eternizado como um dos mais bonitos da história do estádio.

“Teve esse contra o Inter (pela Libertadores de 1976), contra o Fluminense, em que fiz um golaço partindo do meio-campo e driblando zagueiro e goleiro.”

Torcida levantava antes de toque na bola

Joãozinho provocava uma reação quase automática da torcida celeste. Segundo ele, fazia até parte da estratégia ficar alguns minutos sem participar diretamente das jogadas, aguardando o momento ideal para acelerar pelo lado esquerdo.

“Comecei a jogar aqui muito cedo, com 16 anos, então peguei a manha de jogar no Mineirão. Conhecia os atalhos, o campo era até maior, a grama bem mais alta. Os times de fora não entendiam como eu corria tanto, mas já era acostumado. Aqui foi praticamente a minha casa.”

Joãozinho, ídolo do Cruzeiro

Na sequência, descreveu uma cena que se repetiu inúmeras vezes ao longo da carreira.

“Começava o jogo e eu ficava uns dois ou três minutos sem pegar na bola. Quando mandavam a bola para mim, a torcida do Cruzeiro se levantava.”

Joãozinho, ex-atacante do Cruzeiro - (foto: Arquivo/Estado de Minas)

Joãozinho, ídolo do Cruzeiro(foto: Arquivo/Estado de Minas)

‘Mistura de Garrincha com Pelé’

O carinho da torcida ia além dos aplausos. Joãozinho relembrou uma das músicas mais famosas entoadas pela arquibancada do Mineirão, que comparava seu estilo de jogo ao de dois dos maiores nomes da história do futebol brasileiro.

“Me chamavam de John Travolta, de Bailarino da Toca. Começavam a cantar: ‘Ei Cafuné, ei Cafuné, o Joãozinho é uma mistura de Garrincha com Pelé’. Era fantástico.”

Joãozinho, ex-ponta do Cruzeiro

O ex-jogador aproveitou para agradecer pelo carinho que recebe até hoje dos cruzeirenses.

“Eu devo muito ao Cruzeiro, aos dirigentes, à torcida, enfim, todo mundo que faz parte do Cruzeiro até hoje. Eu só tenho a agradecer tudo o que fizeram por mim.”

Joãozinho em ação pelo Cruzeiro na final da Libertadores de 1976, contra o River Plate - (foto: Arquivo Estado de Minas - 21/07/1976)

Joãozinho em ação pelo Cruzeiro na final da Libertadores de 1976, contra o River Plate(foto: Arquivo Estado de Minas – 21/07/1976)

Atuação histórica contra o Internacional

Entre tantos jogos memoráveis, Joãozinho também destacou a vitória por 5 a 4 sobre o Internacional, na fase de grupos da Copa Libertadores de 1976, considerada por muitos uma das maiores partidas da história do Mineirão.

Naquele duelo, o camisa 10 foi decisivo: marcou dois gols, deu duas assistências e ainda sofreu o pênalti convertido por Nelinho nos minutos finais.

Uma das jogadas mais lembradas nasceu após um erro de passe de Elías Figueroa, um dos maiores zagueiros da história do futebol sul-americano.

“O Figueroa foi sair jogando, errou o passe, eu peguei, dei uma pedalada nele e bati cruzado para o gol do Palhinha.”

Joãozinho considera aquela sua melhor atuação com a camisa celeste.

“Talvez tenha sido o meu melhor jogo, principalmente pela qualidade do Internacional. Fiz dois gols, dei dois passes para gol e o pênalti foi em cima de mim. A crônica até hoje fala que foi o melhor jogo que teve aqui no Mineirão.”

Lesão interrompeu sonho da Copa de 1982

Se o Mineirão foi palco de grandes alegrias, também marcou o início do episódio mais doloroso da carreira. Joãozinho relembrou a grave fratura exposta sofrida em 1981, em partida contra o Sampaio Corrêa pelo Campeonato Brasileiro. A lesão o afastou dos gramados por quase dois anos e acabou encerrando seu sonho de disputar a Copa do Mundo de 1982.

Joaõzinho fraturou a perna jogando pelo Cruzeiro em 1981 - (foto: Sidney Lopes/Estado de MInas)

Joaõzinho fraturou a perna jogando pelo Cruzeiro em 1981(foto: Sidney Lopes/Estado de MInas)

Segundo ele, o técnico Telê Santana já havia sinalizado que contava com o atacante para o Mundial da Espanha.

“O Telê Santana era o treinador da Seleção. Ele falou comigo para continuar jogando e treinando, que eu iria para a Copa. Eu já vinha sendo convocado de 1977 a 1981, mas infelizmente tive uma fratura e não recuperei a tempo.”

O ídolo explicou como aconteceu o lance.

“Eu estava ali no meio do campo, acho que o Eduardo deu o passe para mim. Esperei o rapaz chegar na bola porque sabia que depois ele não iria me pegar. Mas calculei mal e ele deu o carrinho quando minha perna estava no chão. Tive uma fratura exposta.”

Na época, a medicina esportiva ainda estava distante dos recursos atuais, o que tornou a recuperação muito mais longa.

“Demorei praticamente dois anos para voltar. A minha lesão foi muito grave e naquela época a medicina não era tão avançada como hoje. Depois disso eu não consegui voltar ao meu nível.”

Joãozinho no Cruzeiro

A própria mudança de comportamento ajudou Joãozinho a se transformar em um dos maiores jogadores da história do Cruzeiro.

O ex-atacante disputou 485 partidas, marcou 119 gols e foi um dos protagonistas da conquista inédita da Copa Libertadores de 1976, além de cinco Campeonatos Mineiros (1973, 1974, 1975, 1977 e 1984).

Conhecido como “Bailarino da Toca”, eternizou seu nome pela habilidade, pelos dribles e pelo gol que garantiu ao Cruzeiro o primeiro título da Libertadores, na vitória por 3 a 2 sobre o River Plate, no jogo de desempate da final, em Santiago, no Chile.

Joãozinho, ex-atacante do Cruzeiro - (foto: Arquivo/Estado de Minas)

Joãozinho, ídolo do Cruzeiro(foto: Arquivo/Estado de Minas)

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