Início » Heróis da única vitória do Cruzeiro na Bombonera indicam caminho para vencer o Boca


A única vitória do Cruzeiro sobre o Boca Juniors em La Bombonera, em Buenos Aires, aconteceu há 32 anos. Em 1994, quando poucos clubes brasileiros conseguiam suportar a pressão de atuar na Argentina, a equipe celeste venceu por 2 a 1, em jogo pela Copa Libertadores, com gols do lateral-direito Paulo Roberto Costa e do ponta-esquerda Roberto Gaúcho.
Naquela altura, entre os times brasileiros, somente o Santos de Pelé havia derrotado o Boca na Bombonera em toda a história, em 1963. O Cruzeiro entrou para o seleto grupo e, às vésperas de um novo capítulo do confronto, os autores dos gols históricos apontaram ao elenco de 2026 o caminho para voltar a triunfar em um dos estádios mais icônicos da América do Sul.
A receita passa menos pela parte técnica e mais pela mentalidade: personalidade, controle emocional e coragem para jogar “de igual para igual”.
Capitão do Cruzeiro naquela noite histórica, Paulo Roberto Costa relembrou, em entrevista ao No Ataque, que a batalha contra o Boca começa antes mesmo da bola rolar. Segundo ele, o lado psicológico costuma ser determinante em jogos na Bombonera.
“Fomos com muita confiança, o lado psicológico foi muito importante. Sempre que se joga contra os grandes argentinos há provocação e rivalidade. Se não estivermos preparados psicologicamente, eles sabem muito bem provocar e o brasileiro cai na provocação”.
Paulo Roberto

O ex-lateral-direito explicou que o elenco celeste de 1994 já entrou em campo preparado para suportar pressão, catimba e provocações constantes dos argentinos.
“O argentino entra preparado para provocar e virar de costas, provocar e sair andando. São jogos com muitas expulsões, pois os argentinos entram para provocar.”
Paulo Roberto fazia questão de reforçar o alerta aos companheiros no trajeto até o estádio. “A chegada do ônibus na Bombonera foi muito difícil. Eu, como capitão, falava com os jogadores sobre entrarmos com 11 e terminarmos com 11.”
O conselho, segundo ele, continua atual para o elenco comandado pelo Cruzeiro em 2026. “Trinta anos depois, a rivalidade segue igual. Então os jogadores precisam evitar confusão. É entrar preparado, porque o Cruzeiro tem condição de ganhar, se souber usar o lado psicológico”.
Se Paulo Roberto enfatiza a cabeça no lugar, Roberto Gaúcho acredita que o Cruzeiro também precisará de coragem para competir sem medo na Bombonera. Também em conversa com o No Ataque, o autor do segundo gol celeste na vitória de 1994 descreveu o ambiente do estádio como algo quase sufocante.
“A pressão, estádio lotado… eu ia bater escanteio ali e parecia que eles estavam me pegando pelo cabelo. É uma pressão muito grande, você tem que ter personalidade.”
Roberto Gaúcho
Apesar do cenário hostil, Roberto Gaúcho entende que o maior erro de um visitante na Bombonera é entrar retraído. “O conselho que eu dou para os jogadores do Cruzeiro é ter personalidade, atitude, vontade e deixar tudo dentro de campo como a gente fazia.”
O ídolo celeste ainda reforçou que o time mineiro precisa sustentar postura agressiva mesmo atuando em Buenos Aires. “Tem que jogar para cima, não se encolher lá dentro da Bombonera. O Cruzeiro tem condições de vencer lá dentro de novo.”
Por fim, Roberto deixou uma mensagem para os atletas acerca da mentalidade para o duelo.
“Não pode faltar vontade e atitude dentro de campo. Tem que jogar com seriedade como se fosse uma final. Se não correr, não vence.”
Roberto Gaúcho

As lembranças daquela noite ainda permanecem vivas para os dois ex-jogadores. Roberto Gaúcho relembrou o clima de guerra na chegada ao estádio. “Para entrar na Bombonera foi uma guerra. Quase viraram o nosso ônibus.”
Ainda assim, o Cruzeiro suportou a pressão e construiu uma das vitórias mais emblemáticas de sua história na Libertadores. Paulo Roberto abriu o placar com um dos gols mais marcantes da carreira, em linda cobrança de falta, enquanto Roberto Gaúcho definiu o triunfo celeste finalizando na saída do goleiro colombiano Navarro Montoya.
“Foi um dos gols mais bonitos da minha carreira. É bom ouvir a narração do Brasil empolgada e a narração da Argentina triste, murcha”, disse Paulo Roberto.
Já Roberto Gaúcho, que tinha Ronaldo Fenômeno como parceiro no ataque, reviveu o lance do segundo gol quase como se ainda estivesse em campo.
“O Ademir roubou a bola, tocou no Luiz Fernando e eu já entrei na diagonal entre os dois zagueiros. O Luiz Fernando enfiou essa bola, eu fui rápido, ágil e fuzilei o Navarro Montoya”.
A escalação do Cruzeiro na vitória por 2 a 1 sobre o Boca Juniors teve Dida; Paulo Roberto, Célio Lúcio, Luizinho e Nonato; Ademir, Douglas, Luiz Fernando e Macalé (Cleison); Ronaldo e Roberto Gaúcho. O técnico era Ênio Andrade.
As equipes integravam o Grupo 2 da Libertadores, considerado o “da morte” em razão de confrontar brasileiros e argentinos. Além de Cruzeiro e Boca, a chave tinha Palmeiras e Vélez Sarsfield.
A Raposa avançou em segundo lugar, abaixo do Vélez e acima do Palmeiras. O Boca segurou a lanterna. Nas oitavas de final, o Cruzeiro enfrentou a Unión Española e foi eliminado com derrota por 1 a 0, no Chile, e empate por 0 a 0, em BH.
O campeão da Libertadores de 1994 saiu justamente do grupo do Cruzeiro. O Vélez Sarsfield passou por Defensor-URU (oitavas), Minervén-VEN (quartas de final), Junior Barranquilla-COL (semifinal) e São Paulo (final).
A passagem do lateral-direito Paulo Roberto Costa pelo Cruzeiro ocorreu no início da década de 1990, marcada pela conquista de muitos títulos.
Pelo clube celeste, venceu Copa do Brasil (1993), Supercopa Libertadores (1991 e 1992) e um Campeonato Mineiro (1992). Em 169 jogos, fez 26 gols – 13 em cobranças de falta, uma de suas maiores especialidades.

O ex-ponta-esquerda defendeu o Cruzeiro de 1992 a 1997. Em 224 jogos, marcou 54 gols e celebrou 10 títulos. Carismático, Roberto Gaúcho ficou conhecido por fazer gols e dar assistências em compromissos decisivos pelo clube.
Ele conquistou os títulos da Copa do Brasil (1993 e 1996), da Copa Ouro (1995), da Copa Libertadores (1997) e da Supercopa da Libertadores (1992), além de três estaduais (1992, 1994 e 1996).

Boca Juniors e Cruzeiro terão duelo decisivo na fase de grupos da Copa Libertadores de 2026. O jogo da quinta rodada da chave D será nesta terça-feira (19/5), às 21h30, em La Bombonera.
Os mineiros somam sete pontos, na segunda posição, enquanto os argentinos têm seis, em terceiro. A Universidad Católica, do Chile, está em primeiro, com sete, ao passo que o Barcelona, do Equador, é o último, com três.
Se o Cruzeiro ganhar ou empatar contra o Boca, continuará dependendo somente de si para se classificar às oitavas de final.
A notícia Heróis da única vitória do Cruzeiro na Bombonera indicam caminho para vencer o Boca foi publicada primeiro no No Ataque por Vitor de Araújo

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