Heróis da única vitória do Cruzeiro na Bombonera indicam caminho para vencer o Boca

Heróis da única vitória do Cruzeiro na Bombonera indicam caminho para vencer o Boca

6 minutos 17/05/2026
Heróis da única vitória do Cruzeiro na Bombonera indicam caminho para vencer o Boca
Heróis da única vitória do Cruzeiro na Bombonera indicam caminho para vencer o Boca (Cruzeiro ganhou do Boca por 2 a 1, na Bombonera, na Libertadores de 1994)

A única vitória do Cruzeiro sobre o Boca Juniors em La Bombonera, em Buenos Aires, aconteceu há 32 anos. Em 1994, quando poucos clubes brasileiros conseguiam suportar a pressão de atuar na Argentina, a equipe celeste venceu por 2 a 1, em jogo pela Copa Libertadores, com gols do lateral-direito Paulo Roberto Costa e do ponta-esquerda Roberto Gaúcho.

Naquela altura, entre os times brasileiros, somente o Santos de Pelé havia derrotado o Boca na Bombonera em toda a história, em 1963. O Cruzeiro entrou para o seleto grupo e, às vésperas de um novo capítulo do confronto, os autores dos gols históricos apontaram ao elenco de 2026 o caminho para voltar a triunfar em um dos estádios mais icônicos da América do Sul.

A receita passa menos pela parte técnica e mais pela mentalidade: personalidade, controle emocional e coragem para jogar “de igual para igual”.

‘Entrar com 11 e terminar com 11’

Capitão do Cruzeiro naquela noite histórica, Paulo Roberto Costa relembrou, em entrevista ao No Ataque, que a batalha contra o Boca começa antes mesmo da bola rolar. Segundo ele, o lado psicológico costuma ser determinante em jogos na Bombonera.

“Fomos com muita confiança, o lado psicológico foi muito importante. Sempre que se joga contra os grandes argentinos há provocação e rivalidade. Se não estivermos preparados psicologicamente, eles sabem muito bem provocar e o brasileiro cai na provocação”.

Paulo Roberto

Estádio La Bombonera, Buenos Aires - (foto: Créditos: depositphotos.com / sobrevolandopatagonia@gmail.com)

Estádio La Bombonera, Buenos Aires(foto: Créditos: depositphotos.com / sobrevolandopatagonia@gmail.com)

O ex-lateral-direito explicou que o elenco celeste de 1994 já entrou em campo preparado para suportar pressão, catimba e provocações constantes dos argentinos.

“O argentino entra preparado para provocar e virar de costas, provocar e sair andando. São jogos com muitas expulsões, pois os argentinos entram para provocar.”

Paulo Roberto fazia questão de reforçar o alerta aos companheiros no trajeto até o estádio. “A chegada do ônibus na Bombonera foi muito difícil. Eu, como capitão, falava com os jogadores sobre entrarmos com 11 e terminarmos com 11.”

O conselho, segundo ele, continua atual para o elenco comandado pelo Cruzeiro em 2026. “Trinta anos depois, a rivalidade segue igual. Então os jogadores precisam evitar confusão. É entrar preparado, porque o Cruzeiro tem condição de ganhar, se souber usar o lado psicológico”.

Os lances de Boca 1 x 2 Cruzeiro na Libertadores de 1994

‘Não pode entrar para empatar’

Se Paulo Roberto enfatiza a cabeça no lugar, Roberto Gaúcho acredita que o Cruzeiro também precisará de coragem para competir sem medo na Bombonera. Também em conversa com o No Ataque, o autor do segundo gol celeste na vitória de 1994 descreveu o ambiente do estádio como algo quase sufocante.

“A pressão, estádio lotado… eu ia bater escanteio ali e parecia que eles estavam me pegando pelo cabelo. É uma pressão muito grande, você tem que ter personalidade.”

Roberto Gaúcho

Apesar do cenário hostil, Roberto Gaúcho entende que o maior erro de um visitante na Bombonera é entrar retraído. “O conselho que eu dou para os jogadores do Cruzeiro é ter personalidade, atitude, vontade e deixar tudo dentro de campo como a gente fazia.”

O ídolo celeste ainda reforçou que o time mineiro precisa sustentar postura agressiva mesmo atuando em Buenos Aires. “Tem que jogar para cima, não se encolher lá dentro da Bombonera. O Cruzeiro tem condições de vencer lá dentro de novo.”

Por fim, Roberto deixou uma mensagem para os atletas acerca da mentalidade para o duelo.

“Não pode faltar vontade e atitude dentro de campo. Tem que jogar com seriedade como se fosse uma final. Se não correr, não vence.”

Roberto Gaúcho

Jogadores de Boca Juniors e Cruzeiro na Bombonera em 1994 - (foto: Arquivo Estado de Minas)

Em 1994, Cruzeiro bateu o Boca na Bombonera (foto) e no Mineirão, pela Libertadores(foto: Arquivo Estado de Minas)

Vitória histórica em meio ao caos

As lembranças daquela noite ainda permanecem vivas para os dois ex-jogadores. Roberto Gaúcho relembrou o clima de guerra na chegada ao estádio. “Para entrar na Bombonera foi uma guerra. Quase viraram o nosso ônibus.”

Ainda assim, o Cruzeiro suportou a pressão e construiu uma das vitórias mais emblemáticas de sua história na Libertadores. Paulo Roberto abriu o placar com um dos gols mais marcantes da carreira, em linda cobrança de falta, enquanto Roberto Gaúcho definiu o triunfo celeste finalizando na saída do goleiro colombiano Navarro Montoya.

“Foi um dos gols mais bonitos da minha carreira. É bom ouvir a narração do Brasil empolgada e a narração da Argentina triste, murcha”, disse Paulo Roberto.

Já Roberto Gaúcho, que tinha Ronaldo Fenômeno como parceiro no ataque, reviveu o lance do segundo gol quase como se ainda estivesse em campo.

“O Ademir roubou a bola, tocou no Luiz Fernando e eu já entrei na diagonal entre os dois zagueiros. O Luiz Fernando enfiou essa bola, eu fui rápido, ágil e fuzilei o Navarro Montoya”.

Assista ao lance

O time vencedor

A escalação do Cruzeiro na vitória por 2 a 1 sobre o Boca Juniors teve Dida; Paulo Roberto, Célio Lúcio, Luizinho e Nonato; Ademir, Douglas, Luiz Fernando e Macalé (Cleison); Ronaldo e Roberto Gaúcho. O técnico era Ênio Andrade.

As equipes integravam o Grupo 2 da Libertadores, considerado o “da morte” em razão de confrontar brasileiros e argentinos. Além de Cruzeiro e Boca, a chave tinha Palmeiras e Vélez Sarsfield.

A Raposa avançou em segundo lugar, abaixo do Vélez e acima do Palmeiras. O Boca segurou a lanterna. Nas oitavas de final, o Cruzeiro enfrentou a Unión Española e foi eliminado com derrota por 1 a 0, no Chile, e empate por 0 a 0, em BH.

O campeão da Libertadores de 1994 saiu justamente do grupo do Cruzeiro. O Vélez Sarsfield passou por Defensor-URU (oitavas), Minervén-VEN (quartas de final), Junior Barranquilla-COL (semifinal) e São Paulo (final).

Paulo Roberto Costa no Cruzeiro

A passagem do lateral-direito Paulo Roberto Costa pelo Cruzeiro ocorreu no início da década de 1990, marcada pela conquista de muitos títulos.

Pelo clube celeste, venceu Copa do Brasil (1993), Supercopa Libertadores (1991 e 1992) e um Campeonato Mineiro (1992). Em 169 jogos, fez 26 gols – 13 em cobranças de falta, uma de suas maiores especialidades.

Paulo Roberto Costa e Ronaldo - (foto: Jorge Gontijo/EM)

Ex-lateral do Cruzeiro, Paulo Roberto Costa, ao lado de Ronaldo, hoje sócio majoritário da SAF(foto: Jorge Gontijo/EM)

Roberto Gaúcho no Cruzeiro

O ex-ponta-esquerda defendeu o Cruzeiro de 1992 a 1997. Em 224 jogos, marcou 54 gols e celebrou 10 títulos. Carismático, Roberto Gaúcho ficou conhecido por fazer gols e dar assistências em compromissos decisivos pelo clube.

Ele conquistou os títulos da Copa do Brasil (1993 e 1996), da Copa Ouro (1995), da Copa Libertadores (1997) e da Supercopa da Libertadores (1992), além de três estaduais (1992, 1994 e 1996).

Roberto Gaúcho em ação pelo Cruzeiro contra o Colo-Colo, do Chile, na Supercopa de 1995 - (foto: Jorge Gontijo/EM/D.A Press - 13/09/1995)

Roberto Gaúcho em ação pelo Cruzeiro contra o Colo-Colo, do Chile, na Supercopa Libertadores de 1995(foto: Jorge Gontijo/EM/D.A Press – 13/09/1995)

Duelo decisivo em 2026

Boca Juniors e Cruzeiro terão duelo decisivo na fase de grupos da Copa Libertadores de 2026. O jogo da quinta rodada da chave D será nesta terça-feira (19/5), às 21h30, em La Bombonera.

Os mineiros somam sete pontos, na segunda posição, enquanto os argentinos têm seis, em terceiro. A Universidad Católica, do Chile, está em primeiro, com sete, ao passo que o Barcelona, do Equador, é o último, com três.

Se o Cruzeiro ganhar ou empatar contra o Boca, continuará dependendo somente de si para se classificar às oitavas de final.

A notícia Heróis da única vitória do Cruzeiro na Bombonera indicam caminho para vencer o Boca foi publicada primeiro no No Ataque por Vitor de Araújo

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