Ídolo analisa por que o Cruzeiro não foi campeão mundial contra o Bayern

Ídolo analisa por que o Cruzeiro não foi campeão mundial contra o Bayern

5 minutos 02/08/2026
Ídolo analisa por que o Cruzeiro não foi campeão mundial contra o Bayern
Ídolo analisa por que o Cruzeiro não foi campeão mundial contra o Bayern (Beckenbauer e Palhinha disputam bola no Mundial de 1976)

Campeão da Copa Libertadores de 1976, o Cruzeiro esteve muito perto de conquistar também o título mundial naquele ano. A equipe celeste enfrentou o poderoso Bayern de Munique, então base da seleção alemã campeã da Copa do Mundo de 1974, mas acabou superada na decisão da Copa Intercontinental.

Em entrevista exclusiva ao No Ataque, o ex-atacante Joãozinho apontou o principal fator que, em sua visão, impediu o Cruzeiro de levantar a taça: as condições climáticas enfrentadas na partida de ida, disputada sob forte neve em Munique.

Joãozinho aponta clima como fator decisivo

Na época, o Mundial era disputado em jogos de ida e volta. O primeiro duelo ocorreu em 23 de novembro de 1976, no Estádio Olímpico de Munique. Em um gramado completamente coberto de neve, o Bayern venceu por 2 a 0, com gols de Jupp Kapellmann e Gerd Müller, ambos já nos minutos finais da partida.

Para Joãozinho, o Cruzeiro conseguiu competir em igualdade durante boa parte do confronto, mas sofreu por não estar habituado às condições climáticas.

“Jogamos contra eles lá na Alemanha, na neve, perdemos e não fizemos feio. Perdemos na reta final. Não éramos acostumados a jogar nessas condições. Eles eram acostumados a jogar com chuva, condições ruins. Eles deram sorte que choveu por dois dias direto.”

Joãozinho, ídolo do Cruzeiro

O ex-ponta acredita que, em um campo sem neve, o desfecho poderia ter sido diferente.

“Lá nevou no dia do jogo. Se não neva, mesmo com a qualidade do time deles, poderíamos ter feito um jogo melhor. Éramos leves, muito rápidos e poderíamos ter vencido se fosse em condições normais.”

Lance do Mundial de 1976, na Alemanha - (foto: Arquivo/EM)

Lance de Cruzeiro x Bayern na Alemanha(foto: Arquivo/EM)

Cruzeiro criou mais dificuldades na Alemanha do que no Mineirão

Curiosamente, Joãozinho considera que o Cruzeiro conseguiu atuar melhor no confronto disputado em Munique do que na partida de volta, realizada diante de mais de 113 mil torcedores no Mineirão.

Segundo ele, o Bayern mudou completamente a postura em Belo Horizonte para administrar a vantagem construída no primeiro duelo.

“Jogamos melhor lá do que aqui. Aqui eles seguraram. Lá segurávamos eles e saíamos nos contra-ataques com Jairzinho, Palhinha e eu.”

O empate sem gols no Mineirão garantiu o primeiro título intercontinental da história do Bayern.

Lance de Cruzeiro x Bayern no Mineirão - (foto: Arquivo/EM)

Lance de Cruzeiro x Bayern no Mineirão(foto: Arquivo/EM)

Bayern reunia base da campeã do mundo

Joãozinho também destacou o tamanho do desafio enfrentado pelo Cruzeiro. O Bayern mantinha praticamente a espinha dorsal da Alemanha Ocidental campeã da Copa do Mundo de 1974 e era considerado uma das equipes mais fortes do planeta.

“Acho que time nenhum do Brasil trouxe um time daquela qualidade. Era a base da seleção da Alemanha, com Sepp Maier, Beckenbauer, Rummenigge… Era um time fantástico.”

Joãozinho, ex-ponta do Cruzeiro

Além do trio citado por Joãozinho, os bávaros contavam com Gerd Müller – maior artilheiro da história da Copa do Mundo até então – Schwarzenbeck, Uli Hoeness e Kapellmann.

Do lado brasileiro, o Cruzeiro também reunia um elenco estrelado, com Raul, Nelinho, Piazza, Jairzinho, Dirceu Lopes, Palhinha, Joãozinho e o uruguaio Pablo Forlán.

Lance de Cruzeiro x Bayern no Mineirão - (foto: Arquivo/EM)

Lance de Cruzeiro x Bayern no Mineirão(foto: Arquivo/EM)

Como foi a decisão do Mundial de 1976

O Cruzeiro chegou ao Mundial depois de conquistar a primeira Copa Libertadores da história do clube, ao derrotar o River Plate na decisão. Na Copa Intercontinental, porém, encontrou um adversário que dominava o futebol europeu.

Lance de Cruzeiro x Bayern no Mineirão - (foto: Arquivo/EM)

Lance de Cruzeiro x Bayern no Mineirão(foto: Arquivo/EM)

Jogo de ida

Bayern de Munique 2 x 0 Cruzeiro

  • Competição: Copa Intercontinental de 1976
  • Data: 23 de novembro de 1976
  • Local: Estádio Olímpico de Munique, Alemanha
  • Público: 22 mil torcedores
  • Árbitro: Luis Pestarino (Argentina)

Gols

  • Kapellmann, aos 35 minutos do segundo tempo
  • Gerd Müller, aos 37 minutos do segundo tempo

Jogo de volta

Cruzeiro 0 x 0 Bayern de Munique

  • Competição: Copa Intercontinental de 1976
  • Data: 21 de dezembro de 1976
  • Local: Mineirão, Belo Horizonte
  • Público pagante: 113.715 torcedores
  • Renda: Cr$ 6.318.855
  • Árbitro: Patrick Partridge (Inglaterra)

Cruzeiro

  • Raul; Nelinho, Moraes, Ozires e Vanderley; Piazza (Eduardo Amorim), Zé Carlos, Palhinha e Dirceu Lopes (Pablo Forlán); Joãozinho e Jairzinho. Técnico: Zezé Moreira.

Bayern de Munique

  • Sepp Maier; Andersson, Schwarzenbeck, Beckenbauer e Horsmann; Kapellmann, Torstensson, Weiss e Uli Hoeness; Gerd Müller e Rummenigge (Arbinger). Técnico: Dettmar Cramer.

Mesmo sem conquistar o título, aquela campanha consolidou o Cruzeiro entre as principais equipes do futebol mundial na década de 1970. Até hoje, a decisão contra o Bayern é lembrada como uma das maiores páginas da história do clube celeste.

Campanha histórica na Libertadores

Na Libertadores de 1976, a Raposa disputou 13 partidas, com 11 vitórias, um empate e apenas uma derrota, marcou 46 gols e sofreu 17. O título foi conquistado no desempate da final contra o River Plate, em Santiago, no Chile, quando Joãozinho marcou, aos 43 minutos do segundo tempo, o histórico gol da vitória por 3 a 2.

A cobrança de falta próxima à meia-lua seria executada por Nelinho. Enquanto o lateral-direito, especialista na bola parada, discutia com o capitão Piazza, Joãozinho correu para a bola, chutou por cima da barreira e anotou um golaço. A travessura rendeu o título continental e algumas broncas do técnico Zezé Moreira.

Antes disso, o time eliminou Internacional, Olimpia-PAR, Sportivo Luqueño-PAR, LDU-EQU e Alianza Lima-PER, consolidando uma das campanhas mais dominantes da história da competição.

Jogos do Cruzeiro na Libertadores de 1976

Primeira fase

  • 07/03 – Cruzeiro 5 x 4 Internacional – Mineirão, Belo Horizonte
  • 14/03 – Sportivo Luqueño 1 x 3 Cruzeiro – Defensores del Chaco, Assunção
  • 18/03 – Olimpia 2 x 2 Cruzeiro – Defensores del Chaco, Assunção
  • 24/03 – Cruzeiro 4 x 1 Sportivo Luqueño – Mineirão, Belo Horizonte
  • 28/03 – Internacional 0 x 2 Cruzeiro – Beira-Rio, Porto Alegre
  • 04/04 – Cruzeiro 4 x 1 Olimpia – Mineirão, Belo Horizonte

Semifinal

  • 09/05 – LDU 1 x 3 Cruzeiro – Atahualpa, Quito
  • 12/05 – Alianza Lima 0 x 4 Cruzeiro – El Mamute, Lima
  • 20/05 – Cruzeiro 7 x 1 Alianza Lima – Mineirão, Belo Horizonte
  • 30/05 – Cruzeiro 4 x 1 LDU – Mineirão, Belo Horizonte

Final

  • 21/07 – Cruzeiro 4 x 1 River Plate – Mineirão, Belo Horizonte
  • 28/07 – River Plate 2 x 1 Cruzeiro – Monumental de Núñez, Buenos Aires
  • 30/07 – Cruzeiro 3 x 2 River Plate – Estádio Nacional, Santiago

Participações na campanha

  • 13 jogos: Raul, Nelinho, Moraes e Eduardo
  • 12 jogos: Vanderlei, Jairzinho e Joãozinho
  • 11 jogos: Darci, Zé Carlos, Palhinha e Piazza
  • 7 jogos: Isidoro
  • 6 jogos: Roberto Batata e Ronaldo
  • 5 jogos: Ozires
  • 3 jogos: Valdo
  • 2 jogos: Silva
  • 1 jogo: Eli Mendes e Mariano

Artilheiros do Cruzeiro na Libertadores de 1976

  • 13 gols: Palhinha
  • 12 gols: Jairzinho
  • 7 gols: Joãozinho
  • 6 gols: Nelinho
  • 3 gols: Eduardo
  • 2 gols: Roberto Batata
  • 1 gol: Darci, Ronaldo e Valdo

Joãozinho no Cruzeiro

Joãozinho é um dos maiores ídolos da história do Cruzeiro. O ex-ponta-esquerda disputou 485 partidas com a camisa celeste, marcou 119 gols e conquistou a Copa Libertadores de 1976, além de cinco Campeonatos Mineiros (1973, 1974, 1975, 1977 e 1984).

Conhecido como “Bailarino da Toca”, eternizou seu nome principalmente pela habilidade, pelos dribles e pelo gol que garantiu ao Cruzeiro o primeiro título da Libertadores.

Joãozinho, ex-atacante do Cruzeiro - (foto: Arquivo/Estado de Minas)

Joãozinho, ídolo do Cruzeiro(foto: Arquivo/Estado de Minas)

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