Início » Ídolo do Cruzeiro, campeão olímpico no vôlei vira corretor de luxo: ‘Me encontrei’


De jogador de vôlei com destaque mundial a corretor de imóveis de luxo. Ídolo do Cruzeiro e campeão olímpico pela Seleção Brasileira nos Jogos do Rio 2016, o ex-oposto Evandro Guerra tem tido sucesso em outra carreira desde que aposentou, em 2022.
Paulista de Ibirá, Evandro hoje reside em Itajaí, cidade vizinha da badalada Balneário Camboriú, conhecida pelos arranha-céus com apartamentos de alto padrão. Diversos famosos têm imóveis no município, como o meia-atacante do Santos Neymar, os cantores setanejos Luan Santana e Zezé de Camargo e até a família do atacante português Cristiano Ronaldo.
O ex-jogador de vôlei é um dos cinco mil corretores que atuam na concorrida região do litoral do estado sulista. E, em entrevista exclusiva ao No Ataque, ele contou como tem sido a “nova vida”, à frente de negócios milionários com pessoas de todo o Brasil e até de outros lugares do mundo. Leia, abaixo, a íntegra da conversa.
É um ramo muito bom, que está em constante crescimento aqui na região. Eu já estava me preparando para o final da minha carreira. Foi muito bem pensado, eu já era investidor imobiliário, vim morar aqui na região, já tinha muitos conhecidos, então o meu início foi relativamente fácil.
Jamais posso falar que foi fácil porque não foi, mas relativamente fácil por eu já conhecer algumas pessoas e já ter conseguido desenvolver algumas vendas. E a razão principal para eu vir para cá e começar neste ramo foi realmente a vontade de fazer uma coisa diferente do que eu tinha feito nos últimos 27 anos da da minha vida.
“Eu tive 26, 27 anos de carreira, uma carreira linda, fui completamente realizado. Queria uma coisa nova, uma coisa que me desafiasse, que pudesse me colocar à prova de tudo que eu vivi e de tudo que eu penso. a respeito de como vencer na vida, de disciplina. Eu acho que o ramo imobiliário foi onde me encontrei exatamente por colocar essas coisas à prova.”
Evandro, em entrevista exclusiva ao No Ataque
Desde o primeiro momento eu já trabalhava com imóvel de luxo, com imóvel ‘alto padrão’. Eu me aposentei depois do Campinas. Quando saí de lá (em 2022), vim morar em Florianópolis, eu tinha apartamento e casa aqui. Daí eu juntei o útil ao agradável. O bairro onde estava morando, as amizades que eu tinha e os produtos que a gente tinha a possibilidade de vender.
Então, tive o início da minha trajetória em Florianópolis, vendendo casas de alto padrão e apartamentos de alto padrão. Culminou na minha vinda para Itajaí, na Praia Brava, que fica do lado de Balneário Camboriú. A minha vinda para cá foi pelo mercado, um mercado muito em ascensão nesta região.
Então, decidi vir para cá (Itajaí) principalmente pela localização, pelos companheiros de trabalho e pela possibilidade de vender muito mais unidades do que eu vendia em Florianópolis.
Sim, sempre quis um desafio diferente. Não tinha certeza se seria no ramo imobiliário, mas era o meu foco no momento. Não tinha certeza porque não sabia como ia ser a caminhada. Mas eu nunca tive perspectiva de continuar como técnico, preparador físico ou integrante de uma comissão técnica.
Nunca tive essa ambição e ainda não tenho. Sinto saudade sim do vôlei, sinto saudade sim do dia a dia que eu tinha no vôlei. É um dia a dia maravilhoso, eu costumo falar para os meus amigos e clientes aqui, a vida de atleta, a vida do jogador de vôlei é a melhor do mundo, porque temos um carinho muito grande, tanto do nosso entorno, da nossa comissão, de quem vive conosco, quanto de fora, dos torcedores, dos jornalistas, de todo mundo que faz parte desse meio.
Então, é uma vida muito boa e que dá um retorno muito legal para quem sabe se posicionar. Só que o que eu estou vivendo hoje é mais do que um sonho. Estou podendo trabalhar em frente ao mar todo dia, podendo ter boas conversas com bons clientes todo dia e obviamente ter o retorno, né? Ter a venda e o retorno financeiro disso tudo que estou plantando, em três anos e meio fora do jogo. Estamos colhendo já tem um tempo.
O vôlei e o mercado imobiliário não se parecem em nada (risos). Em nada. E sim, a minha carreira no vôlei me preparou para o pós-vôlei. Quando jogamos vôlei, não percebemos o que vamos viver, um planejamento muito ambicioso e concreto para o pós. Só que a nossa rotina de atleta demanda muito fisicamente, porque a gente acorda, come, treina, dorme.
Daí repete: acorda, come, treina, dorme. E é sempre assim. Só que você trabalha com o corpo e com a mente. É 100% do corpo a cada treino e 100% da mente também, porque você tem que estar preparado, tem que estudar os adversários. Você tem que ter uma disciplina muito maior do que uma pessoa normal, vamos dizer assim, porque está trabalhando com o seu corpo.
Então, se você não se cuida e realmente treina o que tem que ser treinado, não vai evoluir. Por isso me preparei muito. Quando parei de jogar vôlei, eu comentei que quis colocar os meus adjetivos à prova. Gosto muito de pegar na palavra disciplina. Acho que, tendo disciplina, você não precisa ter vontade. O que move a disciplina é acordar todo dia de manhã e fazer o que tem que ser feito.
Faça chuva, faça sol, goste ou não goste. E isso eu tinha como um atleta. Eu estava cansado, tinha que treinar e tinha disciplina de ir lá e dar o meu 100%, até porque quando a gente não dá o 100% e por acaso a gente está com um técnico muito bravo é uma briga, não só com o técnico, mas com os companheiros. Então, coloquei essa disciplina à prova aqui no mundo imobiliário.
Eu fiquei bastante tempo acordando de manhã para estudar o que tinha que fazer, me preparar e não tinha que cuidar somente de mim, tinha que cuidar do meu corpo, da minha família e de todos que dependem de mim aqui. Então, realmente a disciplina conseguiu me fazer chegar onde estou hoje, dentro do ramo imobiliário. E sou muito grato a isso.
“Não posso falar que eu sou grato ao voleibol por causa da disciplina, eu sou grato ao voleibol por tudo, mas com certeza a disciplina foi o que mais me agregou.”
Evandro, em entrevista ao No Ataque
Do dia a dia do vôlei. No começo, quando parei, eu não conseguia ver uma partida de vôlei, não conseguia ir a um treino, não conseguia pegar uma bola de vôlei, porque sentia falta do dia a dia, de acordar e ir para o treino e ter os meus colegas do lado, de poder fazer uma brincadeira com eles, de poder fazer uma coisa diferente.
Isso não é tão comum em outros ramos da vida. A gente obviamente acorda, brinca, faz tudo, mas o vôlei foi o meu habitat durante muitos anos. Então, o que eu mais senti falta foi realmente o dia a dia. Consegui voltar a ver vôlei depois de um bom tempo, mais de um ano. E consegui voltar só depois de mais de um ano porque eu estava de bem comigo mesmo. Demorou um pouco para eu largar o vôlei, para tirar o vôlei da minha cabeça e do meu corpo.
Tenho, tenho 100% do dia com a família. Graças a Deus, posso trabalhar num ambiente que eu posso ter a minha esposa e meus filhos perto. Então, para mim é muito gratificante isso.
“Um dos grandes motivos para eu sair do do vôlei, além da idade, foi por ter chegado a um ponto que vi que eu precisava realmente me afastar. Sempre tive comigo que ‘a partir do momento que entrar em decadência, vou me retirar’, porque eu tenho uma história muito bonita para passar vergonha dentro da quadra. E as dores realmente me pegaram. Dor no cotovelo, dor no joelho, dor nas costas.”
Evandro, em entrevista exclusiva ao No Ataque
Hoje estou numa vida completamente diferente, posso acordar e dormir com os meus filhos, passar o dia inteiro com eles. Hoje eu tenho um de quatro anos, que conseguiu participar ativamente do título paulista que eu ganhei em Campinas, que foi o último título da minha carreira. Ele tinha apenas um mês quando ele foi para o ginásio. Tenho até uma entrevista muito bonitinha com ele no meu colo.
Isso daí me marca muito, vejo sempre. E hoje eu tenho um de quatro meses e meio que não pôde curtir essa fase do vôlei, mas está podendo curtir uma fase espetacular aqui também.
Em relação a faturamento, a vendas, eu prefiro não abrir números. Essa é uma parte que eu posso relacionar ao vôlei também.
O salário no vôlei é muito baseado no quanto você joga, na produtividade durante o ano, entendeu? Durante cada treino, cada jogo. Sim. O nosso salário aqui não é garantido, não vai pingar todo mês se você não fizer por onde. Mas você sabe que se fizer por onde, uma bela de uma venda vai lhe dar uma bela de uma comissão. E essa bela de uma comissão é maior do que um salário do vôlei.
A gente não pode falar que é maior do que um salário de um atleta muito grande, mas dependendo da venda, sim, é um salário muito maior do que um atleta muito bom. Então, tem um retorno muito bom, mas não se vive só do retorno muito bom.
Vive-se do seu dia a dia, de como você planta isso. Porque como a gente tem muitos concorrentes. Vivemos num espaço muito pequeno com mais de 5 mil corretores, tem que se diferenciar de alguma forma. Fazendo bem feito, você vai ter um salário muito bom. Fazendo mais ou menos, você vai ter um salário mais ou menos.
O Cruzeiro é o meu time de coração, não sei por quê? (risos) Brincadeira, a minha passagem foi muito bonita pelo Cruzeiro, eu gostei muito, fiz bons amigos. Vivi numa família muito legal e muito interessante.
Tenho um carinho enorme, pretendo voltar aí para acompanhar umas partidas, rever grandes amigos que fiz. O Cruzeiro é o time onde tive meu auge, foram quatro temporadas, mais de 20 títulos. É uma casa pela qual tenho um carinho extraordinário e uma saudade enorme.
O Cruzeiro é o lugar que me fez não ver vôlei. Porque eu tenho saudade daí. Agora que eu estou acostumado, eu acho que estou, posso voltar já.
Não tenha dúvidas disso. É uma rotina muito muito gostosa, por isso que ser atleta é muito bom. Não faz bem só fisicamente e mentalmente, faz bem para tudo. Para o espírito. Porque você está sempre em em constante movimento. Então, sinto falta da Seleção, sinto falta dos companheiros.
O título olímpico foi muito marcante para mim e hoje percebo que vai estar aqui para sempre, porque quando a gente ganha, fala: ‘Poxa, sou campeão olímpico’. Só que no dia seguinte tem uma nova partida, um novo desafio, tem uma nova história. Pode vir uma derrota, pode vir uma vitória. Hoje que não jogo mais e vivo de outro mercado, vejo como gratificante ter sido campeão olímpico.
Vejo o quanto isso marca na vida das pessoas. O carinho que recebo, de pessoas que conheço e de quem nunca vi, por ter sido campeão olímpico. Tenho uma abertura especial por causa disso. Além de ter sido atleta e ser maravilhado com isso, esse título olímpico foi trazido para esse meu negócio, é, me dá uma visibilidade muito grande que eu acho muito interessante.”
Não, de jeito nenhum. Nunca tive nada assim, não penso dessa forma, porque sempre teve bons opostos. Eu fui para a Seleção Brasileira muito novo, né?
Então, eu lembro que em 2000, antes da Olimpíada de Sydney, um pessoal do juvenil foi convidado para treinar com um pessoal do adulto. Foi minha primeira experiência. E naquela época a gente já tinha Dante como oposto, Max, depois vieram André Nascimento, Leandro Vissotto, Wallace… Então, sempre teve grandes nomes na Seleção.
Eu tive a oportunidade de estar na Seleção acredito que pela minha garra, vontade de treinar e de realmente fazer parte do grupo, e obviamente o momento. Não penso que deveria ser diferente. Fui muito feliz onde estava. Fiquei muito feliz de o Wallace ter jogado tanto, ter sido um jogador fantástico.
“Credito a ele eu ter sido campeão olímpico, obviamente não só a ele, a todo grupo, porque vôlei é coletivo, se um perde, todos perdem, se um ganha, todos ganham. Então, eu realmente torcia por ele. O Wallace veio a ser um um ‘peso’ quando cheguei ao Cruzeiro, porque cheguei sendo o mesmo número que ele, camisa 8, e daí já vieram me falar: “Evandro, você acha bom ser camisa 8, tem o peso do Wallace”. Eu falei: ‘Jamais, vou ser camisa 8, não existe peso nessa vida de atleta, existe a vontade de implementar o trabalho em cada time’. Então, implementei o meu trabalho, consegui ficar quatro anos, ganhar vários títulos. A minha história está feita”
Evandro, em entrevista exclusiva ao No Ataque
O Wallace é uma pessoa ímpar, daqueles que não nascem muitos na geração. Tem que dar o crédito para ele, bater palma, tem que elevar o patamar, que ele é assim. E quando a gente se enfrentou, perdi algumas vezes e ganhei outras. Fui campeão sobre o Wallace quando eu estava no Cruzeiro e ele no Taubaté. Isso é coisa do esporte. Eu gostaria de poder ter jogado muito mais com ele, porque é uma pessoa brilhante.
Só que não dava, no patamar da carreira que a gente estava, não dava para um ser reserva do outro em clube também, né? Na Seleção é assim que funciona. São os melhores, os melhores têm que estar lá, e se ele estava jogando bem, eu estava feliz.
Não tenho contato ativamente na web com todo mundo, porque não mexo muito no Instagram, tenho quem faça isso por mim e realmente não sou de ficar mandando mensagem. Só que eventualmente, sim, a gente se manda mensagem no grupo da Seleção, mensagem para um ou outro. Mas a pessoa com quem mais mantenho o contato, quem mais guardo no meu coração, do vôlei, é o Riad (Ribeiro, central de 44 anos do Suzano).
O Riad é padrinho dos meus filhos, está perto de mim há muito tempo, o conheço há muitos anos. Mas quando encontro os outros e eventualmente a gente se fala por ligação ou por WhatsApp, é sempre uma festa. Tenho vários nomes para dizer aqui. São todos dessa geração.
São as pessoas com quem convivi. Bruninho, Rafa, William, estou falando dos levantadores… Daí tem o Visotto e o Wallace de opostos. Posso estar esquecendo alguém. Lucão, Éder (centrais), os dois maravilhosos. Vou ter vários nomes para falar, que se eu encontrar vai ser uma festa e são pessoas muito queridas.
Infelizmente realmente saí do mundo do vôlei. Primeiro porque eu precisava, psicologicamente. Segundo porque precisava ter uma disciplina no meu novo trabalho, entendeu? E foi dessa forma que eu consegui me condicionar.
São coisas que acontecem. Seleção é muito complicado. Hoje em dia não tem uma seleção que está lá para ganhar. Tem várias seleções que podem ganhar. Foi uma derrota que se tivesse vencido um set estaria classificado. Então, são coisas que acontecem.
“Nós mesmos, na Olimpíada de 2016, estivemos muito perto de fazer a pior campanha da história do Brasil nas Olimpíadas. Só que, por causa de uma chave virada, fomos campeões olímpicos. Então, são coisas que acontecem. A geração de hoje é, sim, muito boa, são bons nomes, são meninos que têm muito para crescer ainda. Estão bem servidos de técnico, não tem nem o que falar.”
Evandro, em entrevista exclusiva ao No Ataque
Então, é uma geração que, infelizmente, fez uma campanha ruim agora no Mundial, mas que daqui a pouco pode surpreender, pode surpreender na Olimpíada, ninguém vai estar esperando e a Seleção pode entrar e ser campeã.
É maravilhoso. É uma pessoa que realmente sabe espremer para tirar a última gota, sabe mexer com o brio. Às vezes você vai jogar a bola não para fazer o ponto para você, mas para fazer o ponto para ele, para provar para ele que você é melhor do que isso. Ele realmente sabe cutucar, espremer o melhor de cada atleta. Isso que eu não peguei e convivi com ele numa fase muito crítica, quando ele era muito bravo.
Peguei em 2016, que ele já estava mais tranquilo, e de todas as formas era o mesmo técnico. Ele quer o melhor de você, se ele acredita em você, busca dentro de você o seu melhor para representá-lo dentro de quadra.
Foi uma honra ter convivido com ele, cada preleção era uma palestra para nós, é uma pessoa e um profissional extremamente capacitado. Dessas coisas que eu sinto falta no vôlei, sabe?
Hoje, convivo com pessoas que têm uma mentalidade muito próspera, muito forte, mas independente da pessoa que eu chego perto, sempre lembro de alguns pontos que eram ensinados dentro do vôlei. E com certeza muitos desses pontos chaves vieram do Bernardinho.
É uma pessoa que tem uma uma capacidade mental extraordinária e sabe ensinar. Quando ele começa a falar, realmente prende a atenção das pessoas. Então, fui uma pessoa de muita sorte por ter passado por todos os técnicos com os quais eu passei e por ter tido tantos jogadores bons ao meu lado.

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