Ídolo do Cruzeiro elogia Villarreal e Arroyo e dá dicas para os dois evoluírem no clube

Ídolo do Cruzeiro elogia Villarreal e Arroyo e dá dicas para os dois evoluírem no clube

4 minutos 31/07/2026
Ídolo do Cruzeiro elogia Villarreal e Arroyo e dá dicas para os dois evoluírem no clube
Ídolo do Cruzeiro elogia Villarreal e Arroyo e dá dicas para os dois evoluírem no clube (Kaio Jorge, Neyser e Arroyo comemoram gol da vitória do Cruzeiro sobre o Boca Juniors, no Mineirão, pela Libertadores)

Ídolo do Cruzeiro e autor do gol da conquista da Copa Libertadores de 1976, o ex-atacante Joãozinho acredita que dois dos jovens atacantes do elenco celeste têm grande margem para evolução. Em entrevista exclusiva ao No Ataque, o ex-ponta elogiou o colombiano Néiser Villarreal e o equatoriano Keny Arroyo, mas também apontou aspectos que, na visão dele, precisam ser aperfeiçoados.

Joãozinho ressaltou que ambos têm qualidades naturais importantes, mas destacou que a evolução passa, sobretudo, pela repetição nos treinamentos, lembrando exemplos que viveu ao lado de grandes jogadores do Cruzeiro, como Nelinho.

Joãozinho viveu momentos especiais no Mineirão com a camisa do Cruzeiro - (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Joãozinho viveu momentos especiais no Mineirão com a camisa do Cruzeiro(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Joãozinho vê potencial em Villarreal e pede paciência da torcida

Contratado pelo Cruzeiro nesta temporada, Néiser Villarreal soma 22 partidas, quatro gols e pouco mais de minutos em campo.

Apesar dos números, o atacante colombiano costuma receber críticas da torcida por desperdiçar oportunidades claras de gol, mesmo se destacando pela movimentação e pela capacidade de se posicionar no ataque. Para Joãozinho, o jovem precisa de tempo e muito treinamento para corrigir a principal deficiência.

“Muitos cruzeirenses não têm paciência com o Néiser. É um menino que joga muito bem, gosto dele. Tem dificuldade com a finalização, mas é só treinar.”

O eterno camisa 10 usou Nelinho, um dos maiores cobradores de falta da história do futebol brasileiro, como exemplo de dedicação.

“Manda ele treinar. O Nelinho chutava muito bem porque acabava o treino e batia 300 faltas. Pega o Neiser depois do treino, pede umas bolas para o preparador físico e treina de direita, de esquerda, de frente para o goleiro, jogar por cima do goleiro. Ele é novo, tem margem para evoluir, é forte, muito rápido. Eu fui aprender a fazer gol com 18 anos.”

Joãozinho, ídolo do Cruzeiro

Joãozinho ainda relembrou um ensinamento do técnico Zezé Moreira, comandante do Cruzeiro campeão da Libertadores de 1976.

“O Zezé Moreira sempre falava que tudo na vida é treinar. O pianista treinava muito para tocar piano, o jogador tem que treinar. O Nelinho batia 100 pênaltis de manhã, depois voltava à tarde e fazia a mesma coisa. Então é mais ou menos isso. É treino.”

Néiser Villarreal, atacante do Cruzeiro - (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Néiser Villarreal, atacante do Cruzeiro(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Conselhos para Keny Arroyo

Outro jogador elogiado por Joãozinho foi Keny Arroyo. O equatoriano, contratado como uma das principais apostas recentes do Cruzeiro, já disputou 35 partidas pelo clube, marcou oito gols e deu duas assistências desde a chegada à Toca da Raposa.

Embora seja reconhecido pela velocidade e pelo bom chute, Arroyo ainda é alvo de críticas por decisões precipitadas durante as partidas e pelo excesso de cartões. Na avaliação do ex-craque, o atacante precisa explorar mais uma característica que marcou gerações de pontas.

“Hoje em dia sou fã do Arroyo. Tem que tentar mais ir para a linha de fundo. Ele tem um chute muito bom, tem que treinar falta porque solta várias pedradas. É só treinar e trabalhar também a perna direita. Ele é excelente jogador.”

Joãozinho, ex-atacante do Cruzeiro

Arroyo, do Cruzeiro - (foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)

Arroyo, jogador do Cruzeiro(foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)

Experiência como ponta serve de referência

Ao comentar a função dos atacantes pelos lados do campo, Joãozinho explicou que o futebol mudou bastante em relação à década de 1970, mas afirmou que alguns fundamentos continuam sendo decisivos.

“Não posso falar muito porque mudou muito. Hoje há muitos jogos. Na minha época era um jogo por semana e só existiam o Campeonato Mineiro e o Brasileiro.”

Mesmo assim, o ídolo celeste destacou que o ponta precisa saber variar as jogadas para se tornar imprevisível.

“Os gols realmente saem da linha de fundo. Drible para a linha de fundo, com cruzamentos ou chutes. Eu comecei a fazer isso e, depois de ganhar mais prestígio com os treinadores, passei a driblar para o meio por minha conta. Se eu via que o zagueiro fechava a linha de fundo, eu ia para o meio.”

Joãozinho no Cruzeiro

A própria mudança de comportamento ajudou Joãozinho a se transformar em um dos maiores jogadores da história do Cruzeiro.

O ex-atacante disputou 485 partidas, marcou 119 gols e foi um dos protagonistas da conquista inédita da Copa Libertadores de 1976, além de cinco Campeonatos Mineiros (1973, 1974, 1975, 1977 e 1984).

Conhecido como “Bailarino da Toca”, eternizou seu nome pela habilidade, pelos dribles e pelo gol que garantiu ao Cruzeiro o primeiro título da Libertadores, na vitória por 3 a 2 sobre o River Plate, no jogo de desempate da final, em Santiago, no Chile.

Joãozinho marcou 119 gols pelo Cruzeiro - (foto: Arquivo/Estado de Minas)

Joãozinho marcou 119 gols pelo Cruzeiro(foto: Arquivo/Estado de Minas)

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