Início » Ídolo do Cruzeiro relembra gol histórico na Bombonera: ‘Sempre fui decisivo’


Herói da última vitória do Cruzeiro sobre o Boca Juniors-ARG na Bombonera, o ponta-esquerda Roberto Gaúcho ainda revive cada detalhe da noite histórica dquele 16 de março de 1994 quase como se ela tivesse acontecido ontem.
A pressão da torcida argentina, o ônibus cercado na chegada ao estádio, o ambiente hostil e, principalmente, o gol marcado diante do lendário goleiro colombiano Navarro Montoya seguem vivos na memória do ex-ponta-esquerda.
Em entrevista exculsiva ao No Ataque, o ídolo celeste relembrou os bastidores do triunfo por 2 a 1 sobre o Boca, pela Copa Libertadores, e reforçou o orgulho por ter escrito o nome na história do clube em um dos cenários mais difíceis do futebol sul-americano.
“A lembrança que ficou desse jogo contra o Boca na Bombonera foi incrível. Está até hoje na memória. Jogar lá dentro, a atmosfera é algo surreal, um dos maiores estádios do mundo.”
À época, entre os clubes brasileiros somente o Santos de Pelé havia derrotado o Boca na Bombonera, em 1963. O Cruzeiro entrou para o seleto grupo graças aos gols do lateral-direito Paulo Roberto Costa e de Roberto Gaúcho.

Ao relembrar o gol marcado na Bombonera, Roberto Gaúcho não esconde o orgulho pelo histórico em jogos grandes com a camisa do Cruzeiro.
“Sempre fui um cara decisivo. Foram seis finais, tudo título internacional e nacional, Copa do Brasil, Supercopa, Recopa. Então, sempre iluminado.”
O atacante reviveu o lance do gol em detalhes, quase como uma narração em câmera lenta.
“O Ademir roubou a bola, tocou no Luiz Fernando e eu já entrei na diagonal entre os dois zagueiros. O Luiz Fernando enfiou essa bola, eu fui rápido, ágil e fuzilei o Navarro Montoya. Fazer um gol na Bombonera é para poucos”
Roberto Gaúcho descreveu o ambiente da Bombonera como sufocante. Segundo ele, suportar a pressão psicológica foi tão importante quanto jogar bola naquela noite.
“A pressão, estádio lotado… ia bater escanteio ali e parecia que eles estavam me pegando pelo cabelo. É uma pressão muito grande, você tem que ter personalidade.”
O ex-jogador também relembrou o clima de guerra vivido pelo elenco celeste antes mesmo da bola rolar.
“Para entrar na Bombonera foi uma guerra. Quase viraram o nosso ônibus.”
Apesar do cenário hostil, Roberto faz questão de destacar a personalidade daquela equipe comandada por Ênio Andrade, que tinha nomes como Dida, Cleisson e Ronaldo Fenômeno.
“Nosso time tinha muita qualidade, uma defesa sólida, um meio de campo compacto e um ataque fulminante, eu e o Ronaldo Fenômeno.”
O ex-ponta ainda exaltou a força coletiva do Cruzeiro naquela Libertadores.
“Um grande time começa com um grande goleiro. O Dida fechou o gol também. Tinha Luizinho, Célio Lúcio, Nonato, Paulo Roberto, Douglas, Boiadeiro, Cleisson… era um time unido. Tinha que ter muita personalidade, vontade. Isso não faltava para o nosso time.”
A escalação do Cruzeiro na vitória por 2 a 1 sobre o Boca Juniors teve Dida; Paulo Roberto, Célio Lúcio, Luizinho e Nonato; Ademir, Douglas, Luiz Fernando e Macalé (Cleison); Ronaldo e Roberto Gaúcho. O técnico era Ênio Andrade.
As equipes integravam o Grupo 2 da Libertadores, considerado o “da morte” em razão de confrontar brasileiros e argentinos. Além de Cruzeiro e Boca, a chave tinha Palmeiras e Vélez Sarsfield.
A Raposa avançou em segundo lugar, abaixo do Vélez e acima do Palmeiras. O Boca segurou a lanterna. Nas oitavas de final, o Cruzeiro enfrentou a Unión Española e foi eliminado com derrota por 1 a 0, no Chile, e empate por 0 a 0, em BH.
O campeão da Libertadores de 1994 saiu justamente do grupo do Cruzeiro. O Vélez Sarsfield passou por Defensor-URU (oitavas), Minervén-VEN (quartas de final), Junior Barranquilla-COL (semifinal) e São Paulo (final).
Mais de três décadas depois, Roberto Gaúcho acredita que a receita para vencer o Boca na Bombonera continua praticamente a mesma: coragem para jogar e personalidade para suportar a atmosfera do estádio.
“O conselho que eu dou para os jogadores do Cruzeiro é ter personalidade, atitude, vontade e deixar tudo dentro de campo como a gente fazia.”
Segundo ele, entrar retraído em Buenos Aires pode ser fatal.
“Tem que jogar para cima, não se encolher lá dentro da Bombonera. O Cruzeiro tem condições de vencer lá dentro de novo.”
O ídolo ainda reforçou que a postura mental faz diferença em jogos desse tamanho.
“Não pode faltar vontade e atitude dentro de campo. Tem que jogar com seriedade como se fosse uma final. Se não correr, não vence.”
O ex-ponta-esquerda defendeu o Cruzeiro de 1992 a 1997. Em 224 jogos, marcou 54 gols e celebrou 10 títulos. Carismático, Roberto Gaúcho ficou conhecido por fazer gols e dar assistências em compromissos decisivos pelo clube.
Roberto Gaúcho brilhou pelo Cruzeiro na década de 1990. Foram 56 gols em 221 jogos do então ponta-esquerda com a camisa celeste. Ele conquistou os títulos da Copa do Brasil (1993 e 1996), da Copa Ouro (1995), da Copa Libertadores (1997) e da Supercopa da Libertadores (1992), além de três estaduais (1992, 1994 e 1996).
Boca Juniors e Cruzeiro terão duelo decisivo na fase de grupos da Copa Libertadores de 2026. O jogo da quinta rodada da chave D será nesta terça-feira (19/5), às 21h30, em La Bombonera.
Os mineiros somam sete pontos, na segunda posição, enquanto os argentinos têm seis, em terceiro. A Universidad Católica, do Chile, está em primeiro, com sete, ao passo que o Barcelona, do Equador, é o último, com três.
Se o Cruzeiro ganhar ou empatar contra o Boca, continuará dependendo somente de si para se classificar às oitavas de final.
A notícia Ídolo do Cruzeiro relembra gol histórico na Bombonera: ‘Sempre fui decisivo’ foi publicada primeiro no No Ataque por Vitor de Araújo

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