Ídolo do Cruzeiro revela luta contra a morte e ajuda de Pedrinho: ‘Salvou a minha vida’

Ídolo do Cruzeiro revela luta contra a morte e ajuda de Pedrinho: ‘Salvou a minha vida’

4 minutos 13/06/2026
Ídolo do Cruzeiro revela luta contra a morte e ajuda de Pedrinho: ‘Salvou a minha vida’
Ídolo do Cruzeiro revela luta contra a morte e ajuda de Pedrinho: ‘Salvou a minha vida’ (Natal, ídolo do Cruzeiro, ergue o troféu de campeão da Taça Brasil de 1966, na Avenida Afonso Pena)

Aos 80 anos, Natal de Carvalho Baroni, o eterno “Diabo Louro” do Cruzeiro, conta que a maior finta não foi contra um zagueiro, mas contra a morte. Em entrevista emocionante ao programa Concentração, de No Ataque, o ídolo celeste detalhou o período, no ano passado, em que esteve – como ele mesmo diz -, “para lá de Bagdá”. “Eu já tinha falecido, só faltava enterrar”, relembra.

O inimigo silencioso e o ‘Doutor Atleticano’

Os bastidores da sobrevivência do ex-jogador ganharam contornos ainda mais dramáticos com os detalhes revelados pela esposa, Mônica Moreira. Tudo começou de forma traiçoeira em 27 de setembro de 2025. Natal, que sempre esbanjou vitalidade, foi diagnosticado com um aneurisma da aorta torácica silencioso – doença que cresce lentamente, sem sintomas aparentes.

“Não dava sinal nenhum. Certo dia, durante uma consulta de rotina, ele começou a se sentir mal. Passou mal justamente na frente de uma médica, que pediu um exame e acusou o problema”, relata Mônica.

O caso foi encaminhado ao Dr. Rodrigo Bernardes, cirurgião renomado do Hospital Madre Teresa, em Belo Horizonte, conhecido por já ter operado diversos ex-atletas do Cruzeiro. Natal, com seu humor característico, recorda o encontro com o médico.

“Ele, o Dr. Rodrigo, sabe? Atleticano doente… quando eu cheguei lá para me examinar, ele falou: ‘Você cansou de fazer gol no meu time, seu filho de uma…’”

Natal, ex-jogador do Cruzeiro, durante entrevista ao programa Concentração

Entre brincadeiras e o rigor da medicina, a luta pela vida de Natal começou.

Natal, ex-jogador e ídolo do Cruzeiro, em entrevista ao programa Concentração, de No Ataque - (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A. Press)

Kelen Cristina e Ailton do Vale entrevistam Natal no programa Concentração (Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A. Press)(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A. Press)

Duas cirurgias e um ‘milagre’

O tratamento não foi simples. Primeiro, foi realizado um procedimento para a colocação de um stent. Como a gravidade exigia cautela, foi necessário aguardar duas semanas para a segunda intervenção: a colocação de uma prótese para alargar a artéria.

O momento mais crítico ocorreu 48 horas após essa segunda cirurgia. Natal sofreu uma embolia pulmonar bilateral e uma parada cardíaca ainda no bloco cirúrgico. “O dr. Rodrigo o trouxe de volta. Deus permitiu que ele voltasse”, afirma Mônica, emocionada.

Natal resume a experiência com a franqueza de quem encarou a morte de frente. “Eu passei dois meses no hospital cuidando de A, B, C, D, porque quando começa a aparecer é igual a carro velho. Troca o pneu, tem que trocar tudo, tem que trocar bateria… mas o motor está funcionando bem, graças ao bom Deus e aos médicos lá do Madre Teresa”, agradeceu.

O ídolo do Cruzeiro ainda ressaltou a gravidade do quadro. “O negócio já estava para lá de Bagdá. Eu já tinha falecido, só faltava enterrar. E ele [dr. Rodrigo] conseguiu fazer a cirurgia.”

Pedrinho, o anjo da guarda

Um dos pontos mais tocantes da entrevista foi o agradecimento público a Pedro Lourenço, o Pedrinho, sócio majoritário da SAF do Cruzeiro. Embora a família não tenha recebido uma confirmação formal dos valores, o silêncio administrativo do hospital após a alta e o contato prévio em busca de auxílio não deixam dúvidas para Mônica e Natal sobre quem financiou o tratamento de altíssima complexidade.

“A cirurgia que eu fiz ficou um pouco cara. Só se eu roubasse um banco para poder pagar”, brincou Natal.

Com a voz embargada, ele foi categórico. “Me parece que foi ele que fez tudo, sabe? Porque não me cobraram mais. A primeira [cirurgia] eu sei que ele pagou… Dava para comprar um Alfa Romeo zeradão hoje, viu? Ele [Pedrinho] é uma pessoa que salvou minha vida.”

Após 45 dias de internação, Natal deixou o hospital sob os cuidados das enfermeiras que, independentemente da cor do time, o trataram com a dignidade que um herói merece. “O pessoal das enfermeiras, fui muito bem tratado, umas atleticanas, outras cruzeirenses… Foi um troço sensacional.”

Hoje, recuperado e com o brilho nos olhos de quem ainda enxerga o gramado do Mineirão ao falar de futebol, Natal deixa um recado para a torcida e para a vida: “Graças a Deus, vão ter que me aguentar mais um tempo”. O futebol brasileiro agradece.

A notícia Ídolo do Cruzeiro revela luta contra a morte e ajuda de Pedrinho: ‘Salvou a minha vida’ foi publicada primeiro no No Ataque por Ailton Bruno do Vale

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