Jonas Urias assume responsabilidade por fase do Cruzeiro e manda recados à torcida

Jonas Urias assume responsabilidade por fase do Cruzeiro e manda recados à torcida

5 minutos 28/07/2026
Jonas Urias assume responsabilidade por fase do Cruzeiro e manda recados à torcida
Jonas Urias assume responsabilidade por fase do Cruzeiro e manda recados à torcida (Anne Barros, auxiliar técnica, e Jonas Urias, comandante do Cruzeiro, em treinamento na Toca da Raposa 1, em Belo Horizonte)

Não é preciso muito para entender que o Cruzeiro vive momento ruim na temporada. O contraste entre expectativa e realidade está evidente na queda precoce na Copa do Brasil e na tabela de classificação do Campeonato Brasileiro. Esperava-se que as Cabulosas brigassem no topo ao longo do torneio nacional, mas, ao fim da 13ª rodada, ocupam a oitava posição (21 pontos) – a última da zona de classificação. Contestado em função de resultados amargos, o técnico Jonas Urias assumiu a responsabilidade pela fase e aproveitou entrevista coletiva para mandar recados à torcida celeste.

A semana passada foi triste para os cruzeirenses. Logo no retorno aos compromissos oficiais, a Raposa sofreu virada ‘bizarra’ – pela avaliação de Jonas Urias – para o Fluminense, perdeu por 2 a 1 e caiu nas oitavas de final da Copa do Brasil. Em seguida, recebeu o São Paulo na Arena do Jacaré, saiu derrotado pelo mesmo placar no embate pela 13ª rodada do Brasileiro e perdeu uma posição na tabela de classificação.

Os últimos dois resultados intensificaram as críticas às Cabulosas, mas os placares anteriores à pausa no calendário nacional já incomodavam – especialmente os empates com equipes anteriores, como Juventude e Vitória. No cenário de desconfianças, Jonas Urias se tornou alvo. O comandante aproveitou a entrevista coletiva depois da partida contra o Tricolor Paulista para conversar com a torcida.

‘Dedicação para caramba’

Jonas Urias assegurou dedicação e listou as obrigações da comissão técnica para os próximos compromissos: “Da nossa parte é dedicação para caramba, é não deixar de entregar para elas nosso melhor, manter a humildade no sentido de olhar para dentro, ver o que precisa melhorar no dia a dia e, de verdade, transmitir muita confiança”.

O treinador revelou que o grupo sentiu fortemente a derrota para o São Paulo. Em seguida, garantiu que não falta consciência acerca da responsabilidade que carrega por representar o Cruzeiro.

“Estava todo mundo acabado no final. Todo mundo. A gente sabe da responsabilidade que tem em representar a nação, a camisa, a história, o clube, o investimento. A gente carrega essa por** aqui para caralh**. A gente não queria que estivesse da forma que está”

Jonas Urias, técnico do Cruzeiro

A avaliação do comandante é que o Cruzeiro tem feito partidas justas apesar dos tropeços. Mas, agora, o desempenho fica em segundo plano, e as vitórias se tornam obrigações, alegou.

“O que tenho para dizer é que fazer bons jogos já não são suficiente. A gente precisa vencer, porque a desconfiança vai embora… Está sendo muito difícil, mas a gente não está baixando a guarda no que está no nosso alcance para tirar o Cruzeiro desse momento ruim. Quebrar esse ciclo é extremamente difícil, mas o que posso dizer para o torcedor é que estamos muito empenhados em mudar isso e vamos dar tudo que temos de recurso para reverter a confiança e ter um desempenho daqui para melhor e sair dos jogos com a vitória. É isso que importa agora”, continuou.

Jonas Urias assumiu a responsabilidade

Como dito anteriormente, o Cruzeiro já encontrava dificuldades para confirmar o favoritismo diante de equipes tecnicamente inferiores. E viu o planejamento praticamente ir por água abaixo quando perdeu seis atletas – cinco vinham atuando como titulares – por lesão no ligamento cruzado anterior: as zagueiras Tainara e Paloma Maciel, a lateral-direita Laura, a meio-campista Gaby Soares e as atacantes Ravenna e Millene Fernandes.

“As pessoas não têm ideia do quão difícil é planejar um ano, o mais importante da história do futebol feminino do Cruzeiro, criar imensas expectativas, formar um grupo bom, forte, com opções, versatilidade e jogadoras capazes de desequilibrar e (lidar) com as lesões de seis atletas que vinham sendo titulares e que sustentavam muito bem tecnicamente”, pontuou.

As ausências pesam, e as escalações refletem. Contra o São Paulo, por exemplo, a Raposa atuou sem zagueiras de ofício. Além das lesionadas, Vitória Calhau precisou cumprir suspensão e Yenifer Giménez e Isadora Amaral, recém-contratadas, não estavam regularizadas para atuar. As volantes Capelinha e Ana Flávia e a lateral-direita Ketlin compuseram a primeira linha.

Seria injusto dizer que o Cruzeiro não conseguiu fazer frente ao Tricolor Paulista por parte importante do confronto. Mas não foi o suficiente. Ainda teve o azar de sofrer um gol contra bizarro. Ao fim do jogo, parte da torcida do Cruzeiro contestou a fase ruim e chegou a pedir a saída do treinador. Ele definiu como ‘horrível’ toda a situação e também assumiu a responsabilidade.

“Vencer dentro das circunstâncias e das dificuldades é um desafio muito grande, mas não estamos abaixando a cabeça. Estamos fazendo o que podemos e o que não podemos para chegar nas vitórias, sanar a falta de resultado e voltar a olhar no espelho e sentir orgulho pela trajetória, o quanto a gente já honrou a camisa do Cruzeiro. Consequentemente, dar alegria para a torcida. Hoje apoiou enquanto a gente estava pareado. Depois, criticou. É horrível isso. É horrível pensar que a gente se colocou nessa situação. A responsabilidade é minha, é nossa, é de todo mundo, principalmente minha. O que posso dizer é que não tem ninguém acomodado. Se visse a quantidade de gente caindo aos prantos naquela roda no final, é a prova de que todo mundo está sentindo”

Jonas Urias, técnico do Cruzeiro

De quantos pontos o Cruzeiro precisa?

A Raposa tem mais quatro compromissos no Brasileiro, contra Botafogo (1º/8, às 15h, na Arena do Jacaré), Grêmio (9/8, às 11h, no Estádio Passo d’Areia), Mixto (15/8, às 18h, no Dutrinha) e Palmeiras (22/8, às 18h, na Arena do Jacaré). Ou seja, 12 pontos em disputa. A projeção de Jonas Urias é que o Cruzeiro consiga 75% dos pontos para que não dependa de combinações.

“A gente tem quatro jogos, precisa pelo menos de nove pontos para não depender de ninguém. Vencer três dos próximos quatro adversários para não depender de combinação de resultado”, completou.

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