Início » Mágoas passadas? Cruzeiro e Atlético se reencontram depois de pancadaria em final


É claro que a postura de Cruzeiro e Atlético, possivelmente regida pelo momento que vive os times, é tema de debate e interessa para o próximo clássico. Contudo, o clima entre os rivais também gera expectativa – talvez até maior. Isso porque Raposa e Galo se enfrentarão pela primeira vez desde a final do Campeonato Mineiro, vencida pelo clube celeste por 1 a 0 e marcada por cenas de selvageria: socos, chutes, voadoras e diferentes golpes.
O reencontro entre os mineiros está marcado para as 21 deste sábado (2/5), no Mineirão, em Belo Horizonte, pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro. Pela segunda vez consecutiva, torcedores de ambas as equipes poderão acessar o estádio – não na mesma proporção da anterior, já que o mando é do Cruzeiro e atleticanos têm direito a 10% da carga total de ingressos.
Até a noite dessa quinta-feira (30/4), pouco mais de 50 mil bilhetes haviam sido comercializados. Conforme detalhado pela assessoria de imprensa do Gigante da Pampulha, são esperados 60 mil torcedores. Caso a totalidade seja vendida, significará o maior público do Cruzeiro na temporada. O número pertence à vitória por 1 a 0 sobre o Boca Juniors-ARG, nessa terça-feira (28/4), pela terceira rodada do Grupo D da Copa Libertadores (59.126 fãs).
O comportamento das torcidas, inclusive, era o principal assunto antes de a bolar rolar naquele 8 de março, afinal, seria a primeira vez desde 2022 que Cruzeiro e Atlético dividiriam igualmente as arquibancadas do Mineirão. Teve operação especial de segurança, reuniões entre dirigentes e algo em torno de quatro mil lugares ‘sacados’ para aumentar a distância entre celestes e alvinegros.
Intercorrências não foram registradas no Mineirão, ocupado por 49.675 pessoas, e o planejamento correu como esperado. Isso fora de campo. Dentro do gramado, com os ânimos completamente exaltados, jogadores de Cruzeiro e Atlético se tornaram exemplo do que não cabe no futebol.
Como de praxe em finais únicas no Brasil, Cruzeiro e Atlético fizeram jogo truncado, caracterizado pela cautela. Sem querer se expor demais, as equipes pouco criaram chances reais. A melhor da partida, a Raposa aproveitou. Aos 14 minutos da segunda etapa, o meio-campista Matheus Pereira acionou o volante Gerson na linha de fundo. O camisa 11 cruzou na medida para o atacante Kaio Jorge, que ganhou da defesa do Galo e cabeceou.
O goleiro Everson até afastou a redonda, mas o árbitro Matheus Delgado Candançan apontou para o centro do gramado, indicando gol – a bola tinha cruzado a linha. Pode-se dizer que aquele momento incendiou o ânimo de todos os atletas, que discutiram antes de a partida recomeçar.
O Atlético até tentou se lançar ao ataque, mas não deu trabalho para o goleiro Cássio. Enquanto isso, o Cruzeiro se dedicou à manutenção do resultado e à exploração de contra-ataques.
Já nos acréscimos, o volante Christian cometeu falta no goleiro Everson. O atleticano reagiu mal ao lance e partiu para cima do cruzeirense, deitado no chão, o atingindo com os joelhos. A parti dali, socos, chutes e diferentes golpes foram vistos no Mineirão. O jogo ficou paralisado por mais de 10 minutos, até que o árbitro decidiu por apitar o fim da partida.
Torcedores de Cruzeiro e Atlético não rechaçaram a pancadaria e deram coro às cenas de selvageria. Contudo, passaram longe de dar o mesmo trabalho à polícia. Conforme relatado por pessoas que estavam no gramado do Gigante da Pampulha, qualquer foco de confusão foi rapidamente contido.
Ao fim da partida, o Cruzeiro conquistou o Campeonato Mineiro depois de sete anos, pela 39ª vez. Além disso, impediu um hepta inédito do Galo no Estadual.
Pouco mais de um mês depois, o Tribunal de Justiça Desportiva de Minas Gerais (TJD-MG) divulgou as sanções aplicadas ao Cruzeiro, ao Atlético e aos jogadores envolvidos na briga.
Os atletas do Cruzeiro terão de cumprir quatro partidas de suspensão em competições regidas pela Federação Mineira de Futebol (FMF). São eles: Christian, Fabrício Bruno, Lucas Romero, Kaio Jorge, João Marcelo, Kauã Prates, Villalba, Cássio, Matheus Henrique, Walace, Fagner e Gerson.
A punição para os atleticanos é a mesma. A cumprirão Everson, Alan Franco, Alan Minda, Ruan Tressoldi, Lyanco, Junior Alonso, Hulk, Angelo Preciado, Renan Lodi, Gabriel Delfim e Mateo Cassierra.
O comunicado da Procuradoria do TJD-MG detalhou também que Cruzeiro e Atlético terão de pagar multa de R$ 400 mil, com destinação integral à campanha Abrace Minas; realizar campanhas de arrecadação em favor da iniciativa Abrace Minas; e implementar campanha institucional de conscientização e prevenção à violência no futebol.
Um dos envolvidos no episódio, Gerson projetou o clássico e reiterou que os celestes ‘não se orgulham’ das agressões. O volante garantiu que o foco do Cruzeiro está em desempenhar bem – não à toa não deu brecha para o tema – e seguir pontuando no Brasileiro.
“Nosso pensamento é jogar bola. Já falei que não nos orgulhamos daquilo que aconteceu no final. Não é orgulho para ninguém. Nosso estádio mais uma vez vai estar muito cheio. É outra competição em que a gente precisa seguir pontuando”
Gerson, volante do Cruzeiro
O técnico Eduardo Domínguez fez diante do Cruzeiro o segundo jogo à frente do Atlético. Ao projetar o clássico, o comandante nem deu brecha às agressões e focou no que espera do comportamento do Galo.
“De novo, não vai depender do rival, vai depender de como nós atuamos diante disso. Posso ficar toda a semana preparando, mas se não tem esse desejo, esse fogo, esse motor interno, que estamos falando muito, motor interno… Podemos jogar com cinco, quatro, três, dois pontas, um ponta, vai seguir acontecendo o mesmo”
Eduardo Domínguez, técnico do Atlético
O Cruzeiro, que ocupou a lanterna do Brasileiro por algumas rodadas, hoje ocupa a 12ª posição na tabela de classificação do Brasileiro, com 16 pontos. Os números, inclusive, já são maiores que o do Atlético, que, em certo momento, deu a entender que encontraria estabilidade. O Galo figura em 15º, com 14 pontos.
O estado anímico das equipes também é diferente. A Raposa chega de vitória por 1 a 0 sobre o Boca Juniors-ARG, pela terceira rodada do Grupo D da Copa Libertadores. Desde que o técnico Artur Jorge assumiu a equipe, o clube celeste tem 70% de aproveitamento.
O Atlético, por sua vez, perdeu para o Cienciano-PER por 1 a 0, pela terceira rodada do Grupo B da Copa Sul-Americana, e não vence no Brasileiro desde a 10ª rodada. Domínguez soma seis vitórias, um empate e oito derrotas.
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