Novo técnico do Atlético foi campeão com prêmio irrisório na Argentina

Novo técnico do Atlético foi campeão com prêmio irrisório na Argentina

3 minutos 24/02/2026

Novo técnico do Atlético, Eduardo Domínguez chega a Belo Horizonte com um título nacional recente no currículo. Em 2025, ele comandou o Estudiantes na conquista do Torneio Clausura do Campeonato Argentino.

O clube de La Plata terminou a primeira fase na oitava posição do Grupo A, com 21 pontos em 16 rodadas. Nos mata-matas, eliminou Rosario Central (1 a 0), Central Córdoba (1 a 0) e Gimnasia (1 a 0).

A final contra o Racing terminou empatada por 1 a 1. Nos pênaltis, o Estudiantes venceu por 5 a 4. Apesar da glória esportiva, a premiação expõe uma realidade distante do futebol brasileiro. O clube faturou US$ 500 mil pelo título, o equivalente a cerca de R$ 2,7 milhões na cotação da época.

A quantia se torna ainda mais irrisória quando comparada às cifras movimentadas no Brasil. O valor recebido pelo Estudiantes por vencer a primeira divisão é inferior ao prêmio pago ao campeão da Série B do Campeonato Brasileiro. Em 2025, o Coritiba faturou R$ 3,5 milhões por ter vencido a Segundona no Brasil.

Na Série A do Brasileirão, o Flamengo embolsou R$ 53,6 milhões pelo título, de acordo com informações do jornalista Rodrigo Mattos, colunista do UOL. O valor é quase 20 vezes superior ao montante destinado ao Estudiantes.

Eduardo Domínguez foi campeão do último Campeonato Argentino com o Estudiantes - (foto: Luis Santillan/AFP)
Eduardo Domínguez foi campeão do último Campeonato Argentino com o Estudiantes(foto: Luis Santillan/AFP)

Realidades financeiras opostas

Essa diferença nos prêmios não é um caso isolado e está diretamente ligada à crise econômica que afeta a Argentina. A forte desvalorização do peso e a inflação elevada impactam os contratos de patrocínio e os direitos de transmissão dos clubes locais.

Nesse cenário, as equipes argentinas frequentemente operam com orçamentos muito mais enxutos que os seus pares brasileiros. Clubes de ponta no país vizinho muitas vezes possuem receitas totais inferiores às de equipes intermediárias do Brasileirão.

O sucesso de Domínguez à frente do Estudiantes, portanto, demonstra capacidade de construir times competitivos mesmo em um ambiente de recursos limitados.

Carreira de Eduardo Domínguez, novo técnico do Atlético

O primeiro trabalho de Eduardo Domínguez como técnico foi com apenas 37 anos, uma semana após se aposentar como jogador. Ele iniciou pelo Huracán e também passou pelo Colón. A primeira conquista ocorreu em 2019, fora da Argentina.

Há sete anos, Eduardo Domínguez passou pelo Nacional, do Uruguai, e até teve sucesso no início. O “Barba” celebrou a Supercopa Uruguaia em clássico contra o arquirrival Peñarol, mas viu o trabalho ser interrompido depois de apenas oito jogos e intensa pressão de torcedores e da imprensa.

Já em 2021, Domínguez começou a trajetória vitoriosa na terra natal. E foi com direito a um feito histórico. Ele deu ao modesto Colón o primeiro título de expressão na história: a Copa da Liga Argentina – superando Talleres, Independiente e Racing no mata-mata da competição.

No ano seguinte, o “Barba” teve uma passagem frustrada pelo Independiente, mas chegou ao Estudiantes no mesmo ano e colecionou canecos no “velho conhecido” dos torcedores do Atlético. O time de La Plata venceu a Copa Libertadores de 2009 em cima do Cruzeiro, arquirrival do Galo.

Domínguez conquistou cinco taças em três temporadas com os “Pincharratas”, sendo o Campeonato Argentino do ano passado o mais importante. Em 158 jogos pelo Estudiantes, obteve 71 vitórias, 47 empates e 40 derrotas, com 54,8% de aproveitamento entre 2022 e 2026.

Eduardo terá contrato com o Atlético até dezembro de 2027. Ele substitui Jorge Sampaoli, demitido do clube em 12 de fevereiro, no dia seguinte ao empate por 3 a 3 com o Remo, na Arena MRV, pela terceira rodada da Série A.

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