‘O ego me atrapalhou’: ex-Atlético desabafa e conta vida na várzea

‘O ego me atrapalhou’: ex-Atlético desabafa e conta vida na várzea

3 minutos 20/04/2026
‘O ego me atrapalhou’: ex-Atlético desabafa e conta vida na várzea
‘O ego me atrapalhou’: ex-Atlético desabafa e conta vida na várzea (Ruan Marvyn em ação pelo time Sub-20 do Atlético, em 2018)

Com uma trajetória que incluiu passagens pelas categorias de base de grandes clubes brasileiros, como Atlético, Palmeiras, Corinthians e Bahia, o zagueiro Ruan Marvyn vive hoje uma realidade diferente. Aos 26 anos, o jogador, que chegou a atuar profissionalmente, lamenta os erros do passado e celebra o recomeço no futebol amador.

Em entrevista ao documentarista Quinutee, o atleta admitiu que a falta de maturidade e o ego inflado foram os principais obstáculos que impediram sua ascensão no futebol profissional.

Ruan descreve que sua ascensão foi veloz, saindo do Flamengo de Guarulhos direto para o Atlético, clube no qual subiu para o profissional rapidamente. Segundo ele, faltou o processo natural de amadurecimento.

“No meu caso, o que atrapalhou de fato foi o ego, sempre achei que eu era mais do que realmente era. Às vezes a gente tem que chegar ao fundo do poço porque de lá a gente só olha para cima. Acho que isso fez com que eu entendesse o futebol raiz puro. Eu saí do Flamengo de Guarulhos e fui para o Atlético muito rápido, subi para o profissional e acho que faltava passar por esse processo para que eu pudesse entender um pouco e valorizar onde eu estava. Eu não tinha noção disso, hoje eu tenho”.

Indisciplina no Atlético

Após deixar o Atlético, o jogador passou por diversos clubes, incluindo experiências em times menores do Brasil e passagens por Uruguai e Polônia.

Ruan disse que a instabilidade familiar e a responsabilidade de viver sozinho muito cedo, sem preparo emocional, agravaram a situação durante seus anos de formação.

“Eu fui fazer um teste no Atlético, passei, fiquei no Sub-17, Sub-20, subi para o profissional, por causa de problemas indisciplinares, por falta de maturidade, acabei saindo, fui para o Sub-20 do Palmeiras, não consegui jogar, a diferença foi muito grande para mim. Depois fui par ao Corinthians, já tinha uma aceitação maior porque conhecia a comissão técnica. Praticamente fiquei pulando de galho em galho. A minha cabeça não estava muito boa, meu pai estava peso, minha mãe cozinheira eu morava sempre sozinho e não tive a maturidade de saber lidar com a responsabilidade de um jogador grande.”

O zagueiro abriu o jogo sobre os problemas disciplinares.

“Quando falam de problemas, falam em álcool e mulher, mas no meu caso o que me atrapalhou foi o meu ego, eu realmente sempre achei que eu era mais do que eu era. Talvez por ter saltado etapas, talvez por ter sido capitão dos times. Eu tinha uma palavra de liderança dentro dos grupos e acabava levando isso para fora, com atrasos nos treinos. Quando tinha alguma coisa que a diretoria não cumpria, eu era o primeiro a colocar a cara para cobrar, teve muitas coisas que errei por falta de maturidade.”

O resgate na várzea

Hoje, Ruan Marvyn defende a S.E. Divineia, time da Divisão Especial de São Bernardo do Campo-SP. Longe dos holofotes do profissionalismo, ele encontrou na várzea a oportunidade de recuperar o prazer em jogar.

“A várzea me dá uma condição financeira, conseguiu resgatar minha confiança, meu prestígio. Eu devo tudo à várzea, na verdade, e ela me fez entender a realidade dos jogadores que estavam comigo e a realidade dos torcedores. Acho que faltava passar por isso para valorizar onde eu estava”, concluiu.

A notícia ‘O ego me atrapalhou’: ex-Atlético desabafa e conta vida na várzea foi publicada primeiro no No Ataque por Thiago Madureira



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