Os acertos e erros de Domínguez no primeiro mês no Atlético

Os acertos e erros de Domínguez no primeiro mês no Atlético

5 minutos 24/03/2026
Os acertos e erros de Domínguez no primeiro mês no Atlético
Os acertos e erros de Domínguez no primeiro mês no Atlético (Domínguez em jogo do Atlético na Arena MRV)

A primeira impressão de Eduardo Domínguez à frente do Atlético foi de um técnico comedido, que fala baixo e lida bem com as críticas. Mesmo que mais observador, o treinador argentino já deixou a emoção falar mais alto e protagonizou momentos de insatisfação. Com 30 dias no comando do Galo, ele mostrou mais acertos do que erros dentro de campo mas segue com alguns problemas de desempenho ainda escancarados.

No dia 24 de fevereiro, exato um mês atrás, a torcida do Atlético vivia desconfiança e curiosidade para o próximo passo: a chegada de Domínguez apresentou um novo perfil de treinador em um momento de dúvida. O Galo vinha a trancos e barrancos no Campeonato Mineiro e ainda não havia vencido no Campeonato Brasileiro. O argentino, que tem o jogo mais defensivo, colocou pulga atrás da orelha de muitos torcedores.

Dentro de campo, contudo, o técnico mostrou que sabe sofrer. Com o desenho de um time mais defensivo, que não prioriza a posse de bola ou as jogadas ofensivas, Domínguez conquistou a classificação à final do Mineiro. Nos pênaltis, o alvinegro venceu o América e ganhou fôlego. Na grande decisão, ainda com a recém filosofia do argentino, o alvinegro saiu atrás no placar, não reagiu e amargou o vice para o rival Cruzeiro.

Os acertos

Na sequência do Brasileirão, o Atlético conquistou a primeira vitória com a ‘cara’ de Domínguez diante do Internacional. O Galo venceu o Colorado por 1 a 0, na Arena MRV, em lance veloz. No restante da partida, controlou bem as ações do jogo e se posicionou bem defensivamente – sem correr riscos.

Desde quando chegou, Domínguez destacou o processo de adaptação. Para ele, corrigir a defesa era um dos pilares. Ele implementou o esquema com três zagueiros para ocupar ainda mais espaços no setor de marcação e apostou nos laterais na cobertura das jogadas pelo lado.

“A mim me parece que a entrega está começando. Falamos com os jogadores que temos que começar a ter novos hábitos no dia a dia. Uma outra forma de treinar. É um treinador novo que chega. Obviamente, para implementar ideias. Não impor as ações. Como eu disse a eles, estamos buscando a nossa forma de ver, para que seja melhor”, disse após a vitória sobre o Inter.

O treinador não esconde que ainda não chegou num ’11 ideal’ e por isso tem testado muitos jogadores. O time foi a campo com escalações diferentes nos seis jogos sob o comando de Domínguez. Até mesmo nas formações ‘novas’, com jogadores pouco acostumados a atuarem juntos, o resultado foi positivo.

Diante do Inter, o ataque foi formado por Hulk, Cassierra e Cuello. O gol foi marcado justamente por Cuello com assistência do camisa 7. Os outros dois construíram chances ao longo da partida. No meio de campo, Alan Franco e Victor Hugo estiveram mais presentes na marcação – que não é a função principal de VH.

Chance para os jovens

Outro ponto na filosofia de jogo que agrada aos atleticanos é o uso dos jogadores mais jovens do elenco. Domínguez tem se mostrado aberto na avaliação dos atletas, apesar de evidenciar a necessidade de ter paciência. O treinador evita ‘queimar’ os garotos, mas elogia as atuações.

Até aqui, Domínguez deu oportunidade para três jovens que já estão no profissional do Atlético: o chileno Iván Román, o argentino Tomás Pérez, e o africano Cissé. Os três tem ganhado respaldo não só da comissão técnica, mas também dos torcedores, que apostam no DNA mais jovem para colher bons frutos no final da temporada.

“É fácil apontar o dedo para um jovem jogador, agora. Temos que apoiar, sustentar, eu falei com os jogadores, todo o tempo estamos todos juntos. Agora, esse momento é de estar ainda mais juntos, apoiar um ao outro, pensar mais na coletividade. Mais “nós” e menos “eu”. Temos que estar mais unidos, mais fortes. É isso que vai nos levar adiante”, comentou Domínguez após a derrota para o Fluminense por 1 a 0.

Os erros e problemas

Embora os acertos sejam dominantes, Domínguez ainda encontra erros e problemas para corrigir no Atlético. O aspecto ofensivo é o principal deles. O time ainda sofre com a criação e conclusão de jogadas perigosas.

Em seis jogos disputados, o Atlético marcou apenas dois gols – ambos no Brasileirão, nas vitórias por placar mínimo diante do Internacional e do São Paulo. O treinador reconhece a deficiência do ataque atleticano, que ainda não encontrou o encaixe perfeito em paralelo com as orientações do argentino.

“O futebol mudou, e a dinâmica mudou bastante nas velocidades. De fora, parece que não tomamos as melhores decisões. E você tem um segundo para decidir. Só um segundo. Sinto que, como você disse, os treinamentos e a busca pelo que queremos nos pode acelerar processos”, pontuou Domínguez sobre o problema ofensivo.

Além disso, o treinador encontra dificuldade para vencer fora de casa – problema que recorrente. Nesta temporada, pelo Brasileiro, o Galo ainda não pontuou como visitante – são duas derrotas sob o comando de Domínguez e outras duas sob o comando de Jorge Sampaoli.

“Não posso falar sobre todas as partidas anteriores como visitante, mas hoje me parece que houve uma evolução. Infelizmente, temos que conviver com essa situação, porque já vem de um tempo. Sabemos que o rival é a equipe que mais posse de bola tem no Brasileiro, mas não fez dano”, disse Domínguez.

O treinador terá mais de 10 dias para ajustar as questões que lhe afligem. Por causa da Data Fifa, o Atlético só volta a campo dia 2 de abril, para enfrentar a Chapecoense, às 19h, na Arena Condá, pela nona rodada do Brasileirão.

A notícia Os acertos e erros de Domínguez no primeiro mês no Atlético foi publicada primeiro no No Ataque por Izabela Baeta

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