Início » Peter Grieve revela ainda ter interesse na SAF do Atlético: ‘Esse é o meu time’


Em meados de 2023, o Atlético travou longas negociações com o empresário estadunidense Peter Grieve, investidor do futebol mundo afora. Mais de três anos depois das tratativas sem sucesso, o estrangeiro segue interessado na Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Galo.
Em entrevista ao Canal do Frossard, divulgada nesta sexta-feira (12/6), Peter Grieve contou toda a história por trás das negociações com o Atlético. À época, o estadunidense julgou o acordo como “injusto” por não incluir a Arena MRV e, principalmente, em virtude do tamanho da dívida do clube.
De toda forma, Grieve gostou das impressões que teve do Atlético e da gestão do clube mineiro. O estadunidense se disse “aberto” a novos contatos dos donos do Galo e garantiu que até hoje torce pela instituição brasileira.
“Sempre estou aberto a uma ligação deles. (…) Meu interesse no Atlético, eu tenho de ser honesto, começou há três anos, quando tive o primeiro contato. Mas acreditem em mim: esse é o meu time. Não sigo mais ninguém. Esse é o meu time. E fico decepcionado que não temos ninguém na Seleção Brasileira – o que tenho dificuldade em compreender.”
Peter Grieve, empresário estadunidense, ao Canal do Frossard
“Francamente, da minha parte, eu espero poder trazer nossa visão para o Brasil, para o Atlético e criar nosso portfólio tendo o Atlético como a grande joia da coroa do nosso portfólio. Então, fiquem de olho”, acrescentou.
Em outro momento, Peter Grieve mandou mensagem direta aos torcedores do Atlético. O investidor ainda assegurou que, pela diminuição da dívida bancária por meio do aporte mais recente, a SAF alvinegra é “mais atraente do que nunca”.
“Eu agradeço aos torcedores do Atlético pelo interesse – tanto pelos comentários positivos como pelos negativos (risos). Eu diria obrigado pela atenção, mas eu não presto atenção nisso. Mas posso dizer que o meu interesse no clube de vocês é puro e pelos motivos certos”, assegurou.
“Sim (é atraente). Mais do que nunca. Mais do que nunca. Estabilidade. Quando você tem proprietários que aportaram recursos próprios para abater dívidas… (…) Quando chegar a nossa hora de entrar, se houver menos dívida para abater e mais patrimônio líquido envolvido, será uma situação muito melhor para nós, porque caberá a nós eliminar o restante da dívida”, projetou.
Por fim, Peter Grieve saiu em defesa de Rubens e Rafael Menin, frequentemente criticados por torcedores do Atlético ao longo dos últimos anos. O estadunidense valorizou a quantidade de dinheiro investida pelos empresários brasileiros no Galo.
“Também acho que ser dono de um clube é uma situação muito delicada. Exigem que você coloque dinheiro. Os torcedores querem que você coloque dinheiro o tempo todo, cada vez mais, e eles não conhecem a realidade dos donos. Eu diria, de onde estou e observando donos de clubes pelo mundo: vocês têm um ambiente muito favorável”, iniciou.
“Vocês têm uma família que assinou cheques e continua a assinar cheques para apoiar o clube, porque eles são torcedores acima de tudo. Eles têm feito isso. Vocês não deveriam perder isso de vista. Vocês poderiam estar em uma situação muito pior”, encerrou.
Peter iniciou a carreira no Goldman Sachs, renomada instituição financeira multinacional sediada em Nova Iorque. Foram 25 anos na empresa até que, em 2009, deixou o cargo de diretor para ajudar a fundar a Cordia Bancorp Inc., grupo para adquirir e recuperar bancos falidos.
No mesmo período, Grieve começou a diversificar os investimentos e as áreas de interesse. Aventurou-se pela indústria de tecnologia e, é claro, pelo futebol. Em 2008, passou a integrar o quadro de diretores do Grassroot Soccer, organização que busca conscientizar jovens africanos sobre o HIV.
Em 2009, investiu no processo de fundação o Bantu Rovers, clube profissional de Zimbábue do qual é coproprietário até hoje. O time chegou à Primeira Divisão, mas não passou do nono lugar. Foi rebaixado em 2017 e ainda não voltou à elite local.
Entre 2017 e 2019, Grieve também integrou o grupo de donos do Europa Point, time de Gibraltar. Mais uma vez, não teve grande destaque. A equipe jogou uma edição da Primeira Divisão no período e ficou em 10º, com somente 12 clubes em disputa.
Em 2016, tentou dar o passo mais ousado da carreira e esteve muito perto de adquirir o Hull City, time que à época subiu para a Premier League. Segundo a imprensa inglesa, o acordo com a família Allam, que detinha o clube à época, estava apalavrado.
Porém, uma série de desavenças fez o negócio ser desfeito. CEO do Hull City na época, Nick Thompson contou ao The Athletic que os então donos do clube subiram o preço seguidas vezes, de forma repentina.
Grieve teria aceitado os novos valores e marcado um encontro num hotel em Londres para assinar o contrato, mas Ehab Allam não apareceu. O Hull City negou que isso tenha ocorrido.
Depois das três experiências no futebol, Peter Grieve decidiu dobrar a aposta. Fundou a The Football Co. e foi em diferentes continentes buscar investidores com interesse em adquirir equipes pelo mundo num formato chamado de “MCO” (Multi-club ownership), em que um grupo detém vários clubes.
Grieve é o acionista fundador, integrante do comitê de administração e presidente da empresa. De acordo com ele, os investimentos iniciais do The Football Co. serão de 1 bilhão de dólares (R$ 5,16 bilhões da cotação atual).
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