‘Reservado’ e ‘jogadorista’: jornalistas argentinos analisam Domínguez, novo técnico do Atlético

‘Reservado’ e ‘jogadorista’: jornalistas argentinos analisam Domínguez, novo técnico do Atlético

5 minutos 20/02/2026

Figura de grande popularidade na Argentina, Eduardo Domínguez ainda não é um nome muito conhecido no Brasil. Acertado com o Atlético, o “Barba” fará despedida oficial do Estudiantes nesta sexta-feira (20/2) antes de assumir o comando do Galo. Para conhecer mais do perfil do profissional, o No Ataque recorreu a jornalistas argentinos, que analisaram o próximo treinador alvinegro como “reservado” e “jogadorista”.

Aos 47 anos, Domínguez já é um multicampeão como técnico. No currículo, ele ostenta uma Supercopa Uruguaia com o Nacional, uma Copa da Liga Argentina com o Colón, além de uma Copa Argentina, uma Copa da Liga Argentina, dois Troféus de Campeões e um Campeonato Argentino com o Estudiantes.

Para além da personalidade e da filosofia de jogo, a trajetória vitoriosa também pesou para a decisão do Atlético – que, até então, não confirma acerto com o Barba. As partes devem firmar contrato até dezembro de 2027.

Jornalistas argentinos analisam Eduardo Domínguez

De forma praticamente unânime, Eduardo Domínguez foi descrito pelos jornalistas argentinos contactados por No Ataque como um treinador de filosofia de jogo equilibrada, que privilegia o encaixe dos atletas mais talentosos acima de uma ideia tática fixa. Trata-se de um treinador adaptável, que molda suas equipes conforme os adversários.

O Barba ainda foi caracterizado por um dos profissionais consultados pela reportagem como um “jogadorista”. Na Argentina, o termo é utilizado para descrever técnicos com boa gestão de grupo, que priorizam a liberdade dos atletas em campo para extrair a melhor performance possível de seus comandados.

De toda forma, na esfera tática, Domínguez gosta que seus times sejam intensos e agressivos – tanto para defender como para atacar, independentemente do esquema adotado. Os laterais foram figuras cruciais de trabalhos recentes do treinador, com protagonismo ofensivo.

Guido Glait, jornalista da TyC Sports

Os times de Eduardo Domínguez são times que trabalham muito os jogos. Ele é um técnico ‘taticista’. Trabalha de acordo com o rival, olhando para as virtudes e os defeitos que os rivais tenham. Foi muito bem no Estudiantes dessa maneira.

Em um primeiro momento da carreira, geriu elencos com menos hierarquia. Com o correr do tempo, um pouco mais de hierarquia. Ele agarra este desafio no Galo em um bom momento, porque para além do fato de que tenha sido exitoso na Argentina, está em um momento em que podemos notá-lo muito maduro.

O traço mais destacável é esse: trabalhar muito as partidas. Não fecha com os mesmos 11 sempre, com um time que jogue sempre da mesma maneira, mas estuda cada jogo e, sobretudo, analisa muito o rival.

Martín Cruz Cabrera, jornalista do El Día

É um técnico de quase três anos à frente do time, campeão cinco vezes neste tempo. Sem dúvidas, um dos melhores treinadores da Argentina agora. Foi uma surpresa terrível, porque ele havia renovado seu contrato por dois anos no mês de janeiro. É muito surpreendente a sua saída.

Ele não tinha uma boa relação com Verón, que é o presidente do clube. Depois, houve a saída de Ascacíbar (volante), capitão do time. Cristian Medina, que vai jogar no Botafogo, e Román Gómez, que vai jogar no Bahia… Ele tomou a decisão de aceitar a oferta do Mineiro.

Tem um estilo de jogo com muita posse de bola, muita intensidade e trabalho pelas laterais. Joga com 4-2-3-1 ou 4-3-3 e sempre com só um atacante de área – no caso do Estudiantes, Carillo, que era o goleador do time.

Eduardo Domínguez foi campeão do último Campeonato Argentino com o Estudiantes - (foto: Luis Santillan/AFP)
Eduardo Domínguez foi campeão do último Campeonato Argentino com o Estudiantes(foto: Luis Santillan/AFP)

Germán Testa, jornalista do Deportivo 1270

É um treinador muito reservado. O estilo de seus times é de ser protagonista sem deixar de ser equilibrado, com jogadores que controlem bem a bola e ataquem cada vez que se possa fazer isso. Praticamente não fala com os jornalistas fora das coletivas de imprensa. Não usa WhatsApp e sempre se negou a ter conversas em off com os meios jornalísticos. Ele gosta de atacar, mas não no estilo de Sampaoli. É um treinador de filosofia equilibrada – não é defensivo e nem ultraofensivo.

Juan Ignacio Amicuzzi, locutor do El Día

É um ‘jogadorista’. Sempre tratou de armar seus times baseado nos jogadores que teve. No Colón, tinha um time aguerrido, consistente defensivamente, marcava em aplitude e aproveitava os lados do campo para defender e para atacar. Muitos jogadores do Colón foram vendidos ao exterior depois do título. Geralmente, foi se adaptando a isso: não teve problema de comandar times defensivos ou mais ofensivos.

No Estudiantes, teve três processos muito diferentes. O primeiro ciclo, de 2023, que terminou com a Copa Argentina, tinha um time com muita capacidade individual, com muitos gols, mas que sofria muitíssimo defensivamente. Isso se aprofundou no segundo ano, porque houve muita renovação e o Estudiantes mostrou muita hierarquia para atacar, mas custava a sair com a meta zerada. Sempre foi um time de proposta de ataque, mas não tinha problema também de se fechar. Bastante equilibrado. No ano passado, teve um ano muito ruim, que terminou se coroando graças à hierarquia de seus jogadores e às suas decisões, com dois títulos.

Hoje, é o melhor técnico da Argentina. Este histórico recente de títulos o Estudiantes nunca teve, com exceção da década de 1960 e o princípio da década 1970. É um técnico de títulos nacionais, que tem enfrentado dificuldades no plano internacional. A sua personalidade é essa: de se reinventar quando não tem nada, quando vendem os jogadores ao exterior. Mas também tem um pouco de soberba, um pouco de prepotência de um vencedor. De saber que é um técnico de hierarquia, que tem jogadores de hierarquia.

No Estudiantes, potencializou alguns jogadores das categorias de base, mas isso é difícil para ele. Confia muito em jogadores que dirigiu em outros lugares. No Colón, potencializou mais jovens porque não tinha tanto poderio econômico. Algo parecido aconteceu no Huracán. No Estudiantes, aproveitou da melhor posição econômica que o clube tem para trazer jogadores. São poucos atletas os que ele promoveu das divisões inferiores. Mas estes o ‘salvaram’ algumas vezes, em momentos de dificuldades. É bastante exigente e confia mais nos jogadores que ele mesmo indica.

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