Rival vira exemplo para Arrascaeta no Flamengo; entenda

Rival vira exemplo para Arrascaeta no Flamengo; entenda

4 minutos 01/05/2026
Rival vira exemplo para Arrascaeta no Flamengo; entenda (Arrascaeta, do Flamengo)

Por Bruno Braz – Arrascaeta vive uma corrida contra o relógio para se recuperar a tempo de disputar a Copa do Mundo, após sofrer uma fratura na clavícula direita – no empate do Flamengo em 1 a 1 com o Estudiantes – que o fez ser submetido a um procedimento cirúrgico. E será no rival Botafogo que o uruguaio poderá se encher de esperança para atingir o objetivo.

Montoro passou pela mesma situação e voltou rapidamente

Joia alvinegra, o argentino Montoro também sofreu uma fratura na clavícula direita no dia 8 de outubro de 2025, durante o Mundial sub-20. Assim como Arrascaeta, ele precisou passar por cirurgia.

O prazo médio de retorno para este quadro clínico é de oito a 12 semanas, porém existem registros de casos mais rápidos como o de Montoro, que voltou aos gramados em 41 dias, praticamente seis semanas.

Se Arrascaeta conseguir a mesma proeza, ele poderá garantir sua participação na Copa do Mundo. Isso porque faltam 45 dias para a estreia do Uruguai, no Mundial, contra a Arábia Saudita.

Tudo, porém, vai depender da reação do organismo do jogador uruguaio. Vale lembrar que Montoro tem 19 anos, enquanto Arrascaeta está com 31.

Sim, são casos similares (Arrascaeta e Montoro), uma vez que envolveu o mesmo tipo de lesão e o mecanismo de trauma foi semelhante. Logo, a abordagem cirúrgica e a reabilitação deverão ser parecidas. As principais diferenças são por conta da individualidade biológica de como cada atleta responde ao tratamento

Rodrigo Cavendish, fisioterapeuta da Sociedade Nacional da Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física

A estratégia do Flamengo

A lesão não é considerada complexa pelo Flamengo, mas por se tratar da importância de Arrascaeta e também de sua meta pessoal de estar na Copa do Mundo, o clube optou por contratar dois médicos referências no assunto no Brasil para realizar a cirurgia do camisa 10.

Bruno Tebaldi e Marcio Schiefer são membros titulares da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Ombro e Cotovelo (SBCOC).

A dupla participou da cirurgia junto com Fernando Sassaki, médico e gerente de Saúde do Flamengo, e que é ortopedista e Traumatologista.

Zagueiro teve suporte do mesmo médico

Em janeiro deste ano, o zagueiro Jhonny, do sub-20, também passou por uma cirurgia na clavícula após lesão no dia 14, contra o Bangu, pelo Campeonato Carioca profissional, já que o Flamengo iniciou a temporada com a base.

A lesão, porém, não foi exatamente a mesma que Arrascaeta, uma vez que não foi óssea, embora também tivesse a necessidade de cirurgia. No caso do jovem, o caso clínico foi uma contusão na articulação acromioclavicular.

Assim como o uruguaio, Jhonny também foi submetido a um procedimento cirúrgico com o médico Bruno Tebaldi. Seu retorno aos gramados, no entanto, foi mais longo que o de Montoro e aconteceu neste mês, no dia 5 de abril, no clássico diante do Vasco, pelo Campeonato Carioca sub-20. Portanto, a volta aconteceu em dois meses e 22 dias.

Fases do tratamento de Arrascaeta

Fase 1 (pós-operatório)

Foco consiste em controlar a dor, proteger a região em recuperação e na manutenção do movimento e da força em articulações adjacentes.

Fase 2 (mobilidade)

Ganho progressivo da amplitude de movimento do ombro e trabalho de controle escapular, associado ao trabalho de força das articulações que estabilizam o ombro.

Ainda nesta fase, inicia-se o fortalecimento muscular, principalmente dos estabilizadores da escápula e dos músculos que atuam diretamente na articulação do ombro.

A partir desta fase o atleta já pode começar trabalhos metabólicos para recuperar o seu condicionamento físico, utilizando bicicleta estacionária e exercícios na piscina.

Fase 3 (trabalhos pliométricos)

Acrescentam-se os trabalhos pliométricos e exercícios funcionais de gestos esportivos. São, basicamente, atividades que focam em movimentos rápidos e explosivos, cujo objetivo principal é aumentar a força, a potência muscular e a velocidade.

Fase 4 (retorno ao campo)

Retorno aos trabalhos no campo, iniciando com atividades individuais sem contato progredindo para treinos com contato até a liberação completa, respeitando critérios como radiografia, traços de fratura, ausência de dor, força adequada e confiança no movimento.

O tempo médio de recuperação em atletas de alto rendimento gira entre oito e 12 semanas para retorno às atividades, porém existem casos em que o retorno ocorre com seis semanas. Existe, sim, a possibilidade de antecipar esse prazo desde que ocorra uma excelente evolução associada à uma boa consolidação óssea e uma recuperação funcional rápida. Pensando na Copa do Mundo, a volta antes do prazo ideal até pode acontecer, mas estará condicionada à evolução clínica do atleta após o processo cirúrgico

Rodrigo Cavendish

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