Ronaldo encantou o mundo no Cruzeiro, mas não saiu do banco na Copa de 1994

Ronaldo encantou o mundo no Cruzeiro, mas não saiu do banco na Copa de 1994

4 minutos 18/06/2026
Ronaldo encantou o mundo no Cruzeiro, mas não saiu do banco na Copa de 1994
Ronaldo encantou o mundo no Cruzeiro, mas não saiu do banco na Copa de 1994 (Ronaldo nos tempos de atacante do Cruzeiro)

A maior revelação da história do Cruzeiro encantou o planeta ainda na adolescência, mas só ficou na reserva durante a campanha da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1994.

Para Ronaldo Fenômeno, o ‘estágio’ com craques como Romário e Bebeto foi essencial na carreira, só que poderia ter sido ainda mais especial se tivesse tido uma chance de brilhar em campo.

Naquele ano, Ronaldo foi convocado ao Mundial dos Estados Unidos com 17 anos. O técnico Carlos Alberto Parreira, porém, manteve a jovem estrela no banco de reservas em todos os sete jogos.

Parreira explica falta de oportunidade a Ronaldo

Bebeto atuava no La Coruña, da Espanha – mesmo país do Barcelona, de Romário. Além da dupla de astros, Parreira tinha três opções no ataque: Ronaldo, do Cruzeiro; Viola, do Corinthians; e Muller, do São Paulo.

Em 2025, o técnico explicou a decisão de manter Ronaldo no banco. Segundo ele, Muller ainda estava à frente do garoto na fila de ‘espera’.

“A pergunta é: se boto o Ronaldo, eu tiro quem? Bebeto ou Romário? Não é fácil. Se eu coloco o Ronaldo sai quem? O Bebeto? O Romário? É fácil, né (risos)”, disse Parreira ao canal de YouTube Basticast.

“O Ronaldo estava começando a carreira, tinha 17 anos. Era um jogador que prometia muito, e eu fui muito feliz em levá-lo, porque ele poderia nem ter ido à Copa. Mas eu tinha que levá-lo, o cara era uma promessa do futebol, um fenômeno. Tinha que levá-lo, aí arranjei um lugar (no elenco), e ele foi.”

“Acabou nem entrando porque não foi preciso. Se tivesse precisado, teria entrado. A pergunta é simples. É momento. Sairia o Bebeto? Naquela ocasião o Bebeto era um tremendo nome, e o Romário era a mesma coisa.”

Carlos Alberto Parreira, ex-técnico

Começo fenomenal de Ronaldo no Cruzeiro

Contratado em 1993, Ronaldo chegou ao Cruzeiro com 16 anos. Ele atuava no futebol amador do São Cristóvão, do Rio de Janeiro, antes de desembarcar na Toca da Raposa, em Belo Horizonte.

O centroavante passou pouco tempo nas categorias de base e logo foi lançado no time profissional. A estreia na equipe principal ocorreu em maio de 1993. Um ano depois, Ronaldo já estava convocado a uma Copa.

Pelo Cruzeiro, R9 fez 56 gols em 58 jogos, sendo campeão e artilheiro do Campeonato Mineiro de 1994. Ele também foi o jogador que mais balançou as redes na Supercopa Libertadores de 1993.

“Nas vezes em que foi convocado com 17 anos, o Ronaldo jogou muito. (Convocar) não foi ideia (minha). Ele era novinho e estava arrasando no Cruzeiro. Era uma obrigação convocá-lo. E quando foi convocado, entrou e fez gol. Outro jogo fez gol”, relembrou Parreira.

“Ele já era um fenômeno, não tinha como deixá-lo fora do grupo final, embora não tenha jogado. E olha, eu digo com a maior naturalidade, não preciso fazer média. Naquele momento, se eu precisasse mexer, o Muller ainda estava na frente dele, pois já tinha jogado Copa.

“Não quero comparar valores, se é melhor ou não. Mas no quesito experiência para uma Copa. Ronaldo estava começando a carreira, era um fenômeno. São momentos e momentos, decisões que são tomadas na hora.”

Estreia de Ronaldo pela Seleção

Antes de marcar 15 gols em Copas e ser um dos poucos jogadores com dois títulos do torneio, o Fenômeno foi um adolescente com potencial. E coube a Parreira confiar na jovem promessa e deixar de fora outros grandes nomes de fora do time tetracampeão.

A primeira partida de Ronaldo pela Seleção ocorreu em 25 de março de 1994. Ele atuou por 10 minutos na vitória do Brasil por 2 a 0 sobre a Argentina, em amistoso no Estádio do Arruda, em Recife.

Já o primeiro gol com a Amarelinha saiu no triunfo por 3 a 0 sobre a Islândia, em 4 de maio daquele ano. O amistoso foi disputado na Ressacada, em Florianópolis.

‘R9’ encerrou a carreira com 62 gols em 98 jogos pela Seleção. Foram 23 em amistosos, 15 em Mundiais, 10 em Copas América, 10 em Eliminatórias para a Copa e quatro em Copas das Confederações.

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