SAF do Cruzeiro faz aportes ‘na risca’ e estipula prazo para tornar clube autossustentável

SAF do Cruzeiro faz aportes ‘na risca’ e estipula prazo para tornar clube autossustentável

4 minutos 21/06/2026
SAF do Cruzeiro faz aportes ‘na risca’ e estipula prazo para tornar clube autossustentável
SAF do Cruzeiro faz aportes ‘na risca’ e estipula prazo para tornar clube autossustentável (Pedro Junio, Artur Jorge e Pedro Lourenço)

A SAF do Cruzeiro segue “na risca” o planejamento de aportes financeiros para estruturar o clube dentro e fora de campo. Segundo o vice-presidente Pedro Junio, o objetivo é tornar a instituição autossustentável em prazo de seis a oito anos.

Pedro explicou que todos os recursos injetados na SAF estavam previamente programados, incluindo os 30 milhões de euros (R$ 180 milhões) pagos ao Zenit, da Rússia, pela compra dos direitos econômicos do meio-campista Gerson, contratação mais cara da história da Raposa.

Sem esse movimento, seria difícil equiparar forças com Flamengo e Palmeiras, principais potências do futebol brasileiro há quase uma década. O Rubro-Negro carioca já supera os R$ 2 bilhões em arrecadação anual, enquanto o Alviverde Paulista fechou 2025 com R$ 1,8 bilhão em receitas.

“É o nosso objetivo ter o Cruzeiro autossustentável no prazo de seis a oito anos. Esses aportes que foram feitos na nossa gestão, que completa dois anos, incluindo o do Gerson, já eram aportes programados. Hoje entendemos que o clube tem uma arrecadação muito inferior ao dos principais concorrentes. Mas é nosso trabalho interno ir em busca de novos patrocínios”.

Pedro Junio, em entrevista ao No Ataque em abril

As movimentações do Cruzeiro

Outros jogadores também foram contratados mediante investimento alto. Em janeiro de 2025, o clube pagou R$ 44 milhões ao Flamengo pelo zagueiro Fabrício Bruno. No mesmo ano, em agosto, comprometeu-se a desembolsar mais de R$ 50 milhões pelo atacante Keny Arroyo, que tinha os direitos divididos entre Besiktas (Turquia) e Independiente del Valle (Equador).

A aposta dos donos da SAF do Cruzeiro é na qualificação do grupo de atletas para colocar o time em boas condições de brigar para ser campeão da Copa Libertadores, da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro.

Alcançar o êxito em alguma dessas competições resultará em ganhos com premiações, bem como potencializará receitas de bilheteria, sócio, patrocínio, direitos de transmissão e vendas de jogadores.

“O que vai aumentar nossa arrecadação é todo ano ir à fase de grupos da Copa Libertadores, avançar na Copa do Brasil, performar muito bem no Campeonato Brasileiro e conquistar títulos. E, automaticamente, com venda de novos atletas, que sejam importantes para o clube no momento, aumentará a receita e trará o Cruzeiro autossustentável”, explicou Pedro Junio.

Pedro Junio, vice-presidente da SAF do Cruzeiro - (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

Pedro Junio, vice-presidente da SAF do Cruzeiro (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

Na entrevista ao NA, o gestor não citou os valores dos aportes, mas garantiu que tudo está sendo feito dentro de um planejamento elaborado ainda em 2024, quando o seu pai, Pedro Lourenço, tornou-se sócio majoritário do Cruzeiro ao comprar 90% das ações que pertenciam ao ex-jogador Ronaldo Nazário.

“Desde o primeiro dia em que pisamos no clube, tínhamos o planejamento de aportes. Estamos seguindo na risca. Mas temos o planejamento de no máximo oito anos ver o clube sustentável. Para ser sustentável, precisa figurar nos principais campeonatos e ganhar títulos. Isso passa pela estruturação do elenco, um elenco mais competitivo, robusto e forte. O Cruzeiro não tinha essa condição financeira, então fizemos esses aportes. Mas em médio e longo prazo, esses aportes vão diminuir dentro de um planejamento e o clube caminhará com as próprias pernas para se tornar sustentável”.

Pedro Junio, vice-presidente do Cruzeiro

Resultado financeiro

Em 2025, o Cruzeiro contabilizou R$ 648 milhões em faturamento bruto, mais que o dobro em comparação aos R$ 307 milhões de 2024. Chamou atenção o expressivo aumento nas receitas de patrocínio, passando R$ 50,7 milhões para R$ 280 milhões.

Houve crescimento também em direitos de transmissão e performance (R$ 138 milhões para R$ 176 milhões), bilheteria e sócio (R$ 83 milhões para R$ 120 milhões), royalties e licenciamento (R$ 15 milhões para R$ 25 milhões) e publicidade (R$ 7 milhões para R$ 26 milhões.

Já a dívida fechou em R$ 1,275 bilhão, conforme os critérios do economista César Grafietti no Relatório Convocados 2026. Os números apresentaram certa estabilidade, uma vez que o valor pendente em 2024 era de R$ 1,265 bilhão. Pelo menos a metade dessas obrigações estão no plano de recuperação judicial da Raposa, cujo pagamento se estenderá até 2041.

A notícia SAF do Cruzeiro faz aportes ‘na risca’ e estipula prazo para tornar clube autossustentável foi publicada primeiro no No Ataque por Rafael Arruda

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