‘Sigo pensando como jogador’: a filosofia de Eduardo Domínguez, próximo do Atlético

‘Sigo pensando como jogador’: a filosofia de Eduardo Domínguez, próximo do Atlético

7 minutos 19/02/2026

De acordo com informações da imprensa argentina, Eduardo Domínguez será o próximo técnico do Atlético. Ex-zagueiro de relativo sucesso dentro das quatro linhas, o argentino trilhou trajetória multicampeã na ainda curta carreira como treinador e tem a adaptação aos jogadores dos quais dispõe para trabalhar como foco central de sua filosofia de futebol.

O No Ataque analisou algumas das principais entrevistas concedidas por Domínguez nos últimos anos para tentar entender melhor como o futuro comandante do Galo pensa o jogo. Nestas oportunidades, o profissional não abordou tanto o aspecto tático de seus trabalhos, mas deixou claro em todas as ocasiões que foca nas características de cada atleta para definir como jogar.

A filosofia de Eduardo Domínguez, futuro técnico do Atlético

A seguir, a reportagem destrincha falas de Eduardo Domínguez nos últimos anos. Foram utilizados recortes do treinador sob os comandos de três clubes distintos na Argentina.

3/7/2021 – entrevista à Rádio Sol Sante Fe (Colón)

Depois de fazer história e dar ao Colón o primeiro título relevante da história do clube – a Copa da Liga Argentina -, Domínguez mencionou a importância de os atletas terem hábitos saudáveis no dia a dia. Além disso, destacou as variações táticas que promoveu junto à equipe durante a temporada para ser campeão.

Eu creio que precisamos ter uma base de jogadores muito inteligentes, que sejam capazes de crer em uma ideia e que façam dela uma ideia própria. Depois, fatores externos precisam se alinhar. Não termina sendo somente uma razão (para um título ser conquistado). Houve grandes jogadores, grandes times, grandíssimos treinadores. Por que agora (ganhamos)? Não sei.

(…) Temos que estar em cima de hábitos. Hábitos saudáveis. Incorporar o profissionalismo, que vivam para isso. Nós cremos que se você faz as coisas bem, se vive como tem que viver, se come como tem que comer, descansa como tem que descansar… Todas essas situações vão levar um jogador a ser um melhor esportistas. Eu entendi isso tarde (risos). Fui jovem. Como entendi isso agora, quero ensinar.

(…) Eu sentia que tinha as características para usar esse sistema (linha de cinco atrás). Se você joga de uma determinada forma, mas tem jogadores com características diferentes que não pode utilizar, de nada serve se eu gosto de jogar de outra forma e não tenho jogadores apropriados para isso. (…) Voltamos a rejuvenescer energia, essa motivação. Jogamos com linha de 4, e fomos jogar em um 4-3-1-2 e fomos bem. Temos jogadores para fazer isso. Se sentiram com confiança porque me viam com confiança. Fizeram isso de forma tão natural que parecia que tínhamos trabalhado isso todo ano.

7/9/2021 – entrevista à ESPN Argentina (Colón)

Domínguez prefere não se encaixar em qualquer “pote” como treinador de futebol. O argentino assegura que o seu diferencial é seguir “pensando como jogador”.

Sinceramente, não sei como te responder (risos). Sim, creio que muito do meu trabalho no dia a dia é entender o jogador e poder me adaptar o mais rápido possível a que tipo de jogadores temos para que tipo de time podemos ter. Ser competitivo. Não é o mesmo competir com o Colón do que com um dos grandes. As exigências são outras, os jogadores são outros. Não se fala dos jogadores do Colón, que são grandíssimos jogadores. Trato de seguir pensando como jogador. Sigo pensando como jogador. O que é o que eu gosto, o que é o que eu não gosto.

(…) Colón e os times desta característica tem de encontrar nos jovens uma fonte de energia para jogadores que possamos contratar ou que possam estar com experiência. Podemos fazer um bom mix para fazer um time muito bom.

10/2/2022 – entrevista à ESPN Argentina (Independiente)

Já nos tempos de Independiente, Eduardo Domínguez reforçou o pilar básico da sua forma de pensar o futebol: a agressividade. Seja para defender ou para atacar, os times do “Barba” precisam ser intensos em cada ação.

Ele também valoriza a capacidade de um treinador em se adaptar e deixar sua marca em cada clube em que passa. O objetivo é claro: deixar os atletas cômodos dentro do sistema de jogo proposto.

Nós temos uma boa base de jogadores de boa técnica e que são dinâmicos. Então, temos que encontrar e saber como explorar essa dinâmica. Obviamente, necessitamos ser mais agressivos – em todos os sentidos. Às vezes, se confunde a agressividade para recuperar a bola e não a agressividade para atacar. E nós buscamos ser agressivos no ataque. Ter essa agressividade para o um contra um, para quando desequilibramos realmente finalizar as jogadas ou dar esses passes para frente e buscar os espaços. Estamos trabalhando muito neste aspecto.

(…) Estamos focados no dia a dia para ir em busca dos resultados, porque trabalhamos para ganhar – obviamente, buscando uma forma de jogo. A forma vai variando pelas características dos jogadores que temos. À medida que o jogo vai transcorrendo, buscamos que os jogadores estejam cada vez mais cômodos no campo para entregar todo o seu repertório futebolístico ao benefício do time. Isso é o que buscamos. Que o atacante se sinta cômodo com o meio-campista, o meio-campista com os defensores, e assim sucessivamente. Que nos sintamos cômodos e possamos desenvolver o futebol que buscamos.

(…) Eu gosto disso em um treinador: que vá mudando ou entendendo a evolução do futebol. De acordo com os jogadores que tem, como deixar sua marca. Depois, quando vai ao outro time, se encontra com outro tipo de jogadores e vai precisar de muito mais tempo para se identificar com essa equipe para onde quer levar.

26/9/2025 – entrevista coletiva pós-eliminação para o Flamengo (Estudiantes)

O Estudiantes sofreu baque no ano passado ao ser eliminado pelo Flamengo nas quartas de final da Copa Libertadores, nos pênaltis. Naquela noite, no entanto, Eduardo demonstrou confiança de que a equipe poderia ser constante – ou até superior – no nível de futebol apresentado contra o rival brasileiro.

O desafio que temos agora é voltar a insistir com este rendimento para que isso seja não o teto, mas sim o piso. Vai depender dos dias, do tempo, das partidas. Se (os torcedores) têm vontade de criticar, vão criticar, se querem apoiar, vão apoiar. Não sei te dizer. Mas eu, Eduardo, estou muito convencido de que ainda podemos melhorar. O teto tem a ver com quem põe e para quê o põe. Eu quero que este lugar seja um piso para nos impulsionar. Há partidas em que vamos jogar melhor, outros em que não vamos jogar tão bem. Mas a construção do time ou seguir construindo um time ganhador, que crê nos valores que treina e que esteja tão decidido para entrar no campo, independentemente de se classificar ou não, isso é o que busco. Que (os jogadores) estejam convencidos. Se os vemos convencidos, o mais provável é que estejamos perto de cumprir um novo objetivo. Se não estamos tão convencidos, tudo isso que se viveu e o que se construiu vai se diluir no tempo.

Eduardo Domínguez foi campeão do último Campeonato Argentino com o Estudiantes - (foto: Luis Santillan/AFP)
Eduardo Domínguez foi campeão do último Campeonato Argentino com o Estudiantes(foto: Luis Santillan/AFP)

Eduardo Domínguez no Atlético?

Nos últimos dias, a busca do Atlético por um comandante se afunilou, e um novo nome passou a ser o favorito da cúpula alvinegra para a posição. Trata-se de Eduardo Domínguez, de 47 anos, que comanda o Estudiantes, da Argentina, desde 2023 – já acertado com o Galo por dois anos, segundo grandes veículos da imprensa argentina como o Diário Olé e o Clarín.

Domínguez é representado por Eduardo Riep, ex-meia argentino que construiu carreira especialmente em times da Venezuela e da Colômbia. O treinador tinha respaldo de sobra no Estudiantes, já que conquistou uma Copa Argentina (2023), uma Copa da Liga Argentina (2024), dois Troféus dos Campeões (2024 e 2025) e um Campeonato Argentino (2025) com os “Pincharratas”.

O clube argentino é presidido por Juan Sebastián Verón, também ex-meia argentino que tem relação histórica com o Atlético. Ele foi um dos atletas a conquistar a Copa Libertadores de 2009 com o Estudiantes, em final contra o Cruzeiro, arquirrival do Galo.

A informação de que o Atlético havia iniciado negociações com Eduardo Domínguez foi antecipada pelo comunicador Wander Lourenço e confirmada por No Ataque nesta quinta-feira (19/2). O grande desafio do Galo passava por romper o contrato entre Domínguez e Estudiantes, que era válido até dezembro de 2027 – isso será feito mediante pagamento de multa de 1 milhão de dólares (cerca de R$ 5,2 milhões), ainda de acordo com jornalistas argentinos.

Os veículos da Argentina ainda dão conta de que o profissional comandará seu último compromisso pelos Pincharratas nesta sexta-feira (20/2), a partir das 17h45 (de Brasília). Pela sexta rodada do Apertura do Campeonato Argentino, o Estudiantes receberá o Sarmiento no Estádio Jorge Luis Hirschi, em La Plata.

Fonte

Conteúdos que podem te interessar...