Sobre o preto, o branco e o verde: uma carta a Hulk, por ser Atlético

Sobre o preto, o branco e o verde: uma carta a Hulk, por ser Atlético

4 minutos 04/05/2026
Sobre o preto, o branco e o verde: uma carta a Hulk, por ser Atlético
Sobre o preto, o branco e o verde: uma carta a Hulk, por ser Atlético (Hulk em comemoração de gol pelo Atlético na Arena MRV)

Distante dos holofotes do futebol, essa história começa muito antes da fama, da idolatria, dos carros e imóveis de luxo. Ao fim da década de 1990, os clientes assíduos da barraca de carne de Gilvan e Socorro na Feira Central de Campina Grande frequentemente se encontravam com um garoto parrudo, sempre disposto ao trabalho. Aos 11 anos, Givanildo Vieira de Sousa já conciliava a responsabilidade nos estudos ao empenho no labor – por muitas vezes, deixava o local completamente sujo pelo sangue dos animais que carregava nas costas. Um trabalhador, na mais pura acepção da palavra.

Quis o destino que este sorridente e educado garoto se encontrasse com um povo acolhedor, que tem o preto e o branco como DNA da alma, mais de 20 anos depois. Ainda que as condições de vida já fossem completamente diferentes do passado, o consagrado super-herói Hulk – não estadunidense, mas acima de tudo campinense – voltava ao país natal em 2021, com a necessidade de provar que o menino parrudo e disposto da feira do interior da Paraíba ainda era o dono do homem.

Como em qualquer grande roteiro, o começo dessa simbiose não foi fácil. Não houve radiação, mas foi necessária alguma dose de raiva – tal qual Bruce Banner – para que Givanildo acionasse o Hulk nos primeiros meses em que representou o Galo.

A virada de chave veio no palco que consagraria o atacante alguns meses depois, em 21 de abril daquele ano, com dois gols na vitória do Atlético sobre o América de Cali, da Colômbia, por 2 a 1, no Mineirão. Dali em diante, muitas tardes e noites alvinegras ganharam a vibração e a potência do verde.

A irreverência e a humildade de um garoto somadas ao talento – e a uma dose massiva de esforço – de um grande profissional. Arrancadas explosivas, dribles desconcertantes, assistências precisas, chutes colocados ou daqueles que pareciam que furariam as redes… Foram muitos os lances que fizeram com que não somente os olhos de uma Massa brilhassem, mas sim de toda uma gente apaixonada pelo esporte bretão.

Nada disso chega perto do que representou – e para sempre representará – o ser humano Givanildo Vieira de Sousa para a torcida do Atlético. Um super-herói que se revelou frágil quando próximo aos mais necessitados, emocionado diante das dificuldades do outro, constrangido perante ao carinho que sempre mereceu receber. Caridoso de verdade, sem a necessidade de câmeras para distribuir atos de solidariedade.

Um herói que se fazia mais humano que herói. Não foi somente dono de nomes nas costas de milhares de camisas, mas transformou a máscara de um dos personagens mais conhecidos dos quadrinhos em um rosto que agora parece impossível que seja desassociado ao Clube Atlético Mineiro.

Seus números e protagonismo em títulos foram impressionantes, Hulk, mas nada disso se compara a quem você foi para o torcedor do Galo. “Olhem para o jeito que eu vivi cada jogo, porque ali, em cada dividida, em cada gol, tinha um homem tentando ser digno de vocês”, disse o ídolo com os olhos marejados na despedida.

Me perdoe pelo clichê, mas seu pedido será interpretado pela Massa como uma ordem, Givanildo. Para quem fez tanto por essa torcida, “ser digno” foi pouco diante da história que você construiu nos últimos anos. Você foi o coração alvinegro calçado de chuteiras. Não mais sujo pelo sangue das carnes, mas agora vestido com a glória que o marcará por toda a eternidade.

A esta altura já é notável: este não pretende ser um texto sobre estatísticas, taças e prêmios individuais. É sobre uma das mais lindas histórias que o futebol brasileiro já pôde proporcionar.

Da Praia do Bessa, em João Pessoa, passando por Miami, aos condomínios de Lagoa Santa e Nova Lima, seus imóveis agora parecem pouco importantes, Hulk. A sua verdadeira morada está nos corações dos milhões que seguirão vestindo o preto e o branco – agora e para sempre, abrilhantado pelo verde.

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A notícia Sobre o preto, o branco e o verde: uma carta a Hulk, por ser Atlético foi publicada primeiro no No Ataque por Lucas Bretas

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