‘Tiramos o pé’ e artilheiro vaiado: trio ex-Atlético relembra goleada por 11 a 0

‘Tiramos o pé’ e artilheiro vaiado: trio ex-Atlético relembra goleada por 11 a 0

4 minutos 28/02/2026

Quando Gérson marcou o oitavo gol do Atlético contra o Caiçara, do Piauí, o sentimento que ficou em campo não era apenas orgulho, mas também de compaixão pelo adversário. Os jogadores atleticanos decidiram ‘tirar o pé’ com o resultado já encaminhado. Há exatos 35 anos, a partida que terminou 11 a 0 para o Galo contou com vaias ao artilheiro e ficou marcada como a maior goleada da história da Copa do Brasil.

Em 1991, a Copa do Brasil era uma competição recém-criada: estava na terceira edição. Atlético e Caiçara se classificaram por terem sido campeões estaduais no ano anterior e se encontraram logo na primeira fase do torneio. Esta foi, inclusive, a única vez que as equipes se enfrentaram na história. No primeiro jogo, no Piauí, o Galo venceu por 1 a 0, com gol de Gérson.

No segundo jogo, no Independência, em 28 de fevereiro, 3.126 pagantes assistiram ao duelo histórico. Sob o comando do técnico Jair Pereira, o Atlético era o favorito para o confronto. Dentro das quatro linhas, não deu outra: o Galo marcou três gols em 22 minutos e mostrou a que veio. No fim do primeiro tempo, já estava 4 a 0, com dois gols de Gérson, um de Marquinhos e um de Edu Zanello.

No segundo tempo, depois que Marquinhos fez mais um e Gérson marcou mais três, o time decidiu tirar o pé. Foi o que contou o ídolo e lateral-esquerdo do Atlético à época, Paulo Roberto Prestes. Ao No Ataque, ele revelou que a lembrança do jogo não é tão vívida, apesar da goleada histórica.


Foto Jose Pereira/EM/D.A Press

“Eu lembro até pouco desse jogo. Mas foi algo instintivo. Quando chegou nos sete, oito gols, o jogo perde a intensidade, porque o resultado já estava mais do que certo, então a gente começou a tirar o pé, nada forçado, foi natural. O time (Caiçara) não tinha reação, então deu dó mesmo na hora, pena”, relembrou o jogador.

Depois disso, Marquinhos fez o terceiro dele na partida, enquanto Edu Zanello marcou mais um. Sérgio Araújo foi quem fechou o caixão. Com exclusividade ao NA, o ex-atacante atleticano revisitou as memórias daquele dia e falou do sentimento em campo. Após o apito final, ele chegou a trocar camisa com um jogador do Caiçara.

“Eu fiz chover neste dia, fiz um grande jogo, grandes lances. É uma lembrança muito boa, saudades desse tempo, dos companheiros. Nós tiramos o pé mesmo, se não seria muito mais”, contou.

Vaias ao artilheiro

Artilheiro da partida, com cinco gols, Gérson ainda foi vaiado pela torcida do Atlético ao fim do jogo. Na época, o atacante não era unanimidade, apesar de ter se destacado inúmeras vezes no setor ofensivo. Naquele ano, inclusive, foi o maior goleador da Copa do Brasil.

Ao NA, Marquinhos, autor de três gols na goleada histórica, apontou o descontentamento dos atleticanos com Gérson como cena curiosa na noite marcante no Independência.

“Eu lembro uma coisa interessante nesse jogo. O falecido Gerson fez cinco gols nessa partida e ainda foi vaiado pela torcida. Nessa época, a torcida estava pegando no pé dele. Uma coisa interessante foi isso: fez cinco gols e foi vaiado pela torcida. A torcida tinha aquele misto de gostar e de não gostar dele. Fazia muito gol e tudo, mas tinha parte da torcida que não gostava dele”, comentou.

Com a camisa do Galo, Gérson marcou 92 gols em 149 jogos e conquistou três títulos: dois Mineiros (1989 e 1991); e o Torneio Ramón de Carranza de 1990.

O atacante faleceu três anos depois da goleada histórica. Gérson morreu aos 29 anos, vítima de toxoplasmose.


Foto Jorge Gontijo/Estado de Minas

Festa no vestiário?

Depois do jogo, seria natural que o vestiário contasse com uma grande ‘festa’, já que o placar dominante deu confiança ao time do Atlético. Mas não foi assim que aconteceu. Paulo Roberto contou que não teve espaço uma comemoração especial. Apesar da classificação expressiva à segunda fase, a equipe conteve os ânimos.

“Foi uma situação complicada, a gente ficou com mais pena dos caras, do time… Como que comemora uma vitória de 11 a 0? Ainda tirando o pé, não tem jeito. Ficou um vestiário meio chocho, digamos assim”, contou o ex-lateral.

Já Sérgio Araújo lembrou da felicidade individual por ter marcado um gol: “A gente ficou feliz, e eu que fiz uma grande partida, fiquei feliz também. Ficamos satisfeitos”.

Na segunda fase, o Atlético enfrentou o Criciúma, que viria a se tornar o grande campeão daquela edição da Copa do Brasil. O Galo perdeu os jogos de ida e volta por 1 a 0.

ATLÉTICO 11 X 0 CAIÇARA-PI

Atlético: Carlos; Alfinete, Paulo Sérgio, Cléber, Paulo Roberto; Amauri, Marquinhos, Edu Zanello; Sérgio Araújo, Éder Lopes (Mattos), Gérson (Joélton). Técnico: Jair Pereira

Caiçara-PI: Dalmir; Gilvan, Chicão, Neto (Cordeiro), Chico; Macedo, Chiquinho, Marques (Paulo César); Antônio Carlos, Zé Henrique, Edvaldo. Técnico: Francisco Oliveira

Gols

  • Gérson (8 do 1T)
  • Marquinhos (10 do 1T))
  • Gérson (22 do 1T)
  • Edu Zanello (41 do 1T)
  • Gérson (8 do 2T)
  • Gérson (14 do 2T)
  • Marquinhos (22 do 2T)
  • Gérson (23 do 2T)
  • Edu Zanello (28 do 2T)
  • Sérgio Araújo (30 do 2T)

Fonte

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