Título parou no tapetão: a única vez em que Cruzeiro interrompeu hepta do Galo

Título parou no tapetão: a única vez em que Cruzeiro interrompeu hepta do Galo

3 minutos 06/03/2026

O Cruzeiro entra em campo neste domingo (8/3), às 18h, no Mineirão, com a missão de quebrar hegemonia estadual do Atlético, que conquistou os últimos seis Campeonatos Mineiros (2020-2025). Para desbancar o arquirrival, a Raposa pode buscar inspiração em 1984, a única vez em que segurou o hepta alvinegro. Naquela edição, o título foi decidido na Justiça.

O regulamento de 1984 previa dois turnos, com os quatro melhores avançando às semifinais de cada etapa. No primeiro, o Atlético ficou em sexto lugar e foi eliminado precocemente. A fase final foi disputada por Cruzeiro, Guarani, Villa Nova e América. A Raposa bateu o time de Divinópolis na semifinal, enquanto o Coelho despachou o Leão do Bonfim. Na grande final do turno, o time celeste venceu o América duas vezes por 2 a 1.

No segundo turno, o Galo se recuperou e fez a melhor campanha, seguido de Cruzeiro, Democrata-GV e Valério. Nas semifinais, a Raposa passou pelo time de Itabira e o Galo superou o clube de Valadares.

No primeiro jogo da final do returno, em 5 de dezembro de 1984, o Cruzeiro não tomou conhecimento do então hexacampeão. Aplicou goleada por 4 a 0, com gols de Carlinhos (2), Tostão II e Carlos Alberto Seixas. Na finalíssima do returno, o Atlético venceu por 1 a 0.

Por causa da diferença no saldo de gols, o Cruzeiro garantiu o título do returno e, consequentemente, da competição.

Atlético x Cruzeiro: título no tapetão

Inconformado, o Atlético levou o caso ao Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-MG). O argumento era de que, com a vitória por 1 a 0 no segundo jogo, o Galo somava mais pontos que a Raposa no returno, o que o tornaria campeão da etapa e forçaria uma nova finalíssima pelo título estadual.

A indefinição tomou conta das bancas de jornal. Em 11 de dezembro de 1984, o Estado de Minas estampava: “Não há decisão em campo. Só na Justiça”.

Estado de Minas do dia 11 de dezembro de 1984 - (foto: Reprodução)
Jornal Estado de Minas do dia 11 de dezembro de 1984 mostrou a indefinição daquele campeonato(foto: Reprodução)

Flávio Dalva Simão, então vice-presidente e chefe jurídico do Atlético, foi o responsável levar o caso à Justiça.

“Reitero minha certeza na vitória nos tribunais, como eu tinha também na vitória do nosso time no domingo, daí ter feito aquele mandado de garantia. Agora, vamos aos tribunais para ganhar novamente”, afirmou o dirigente na época.

Simão ainda defendeu a busca pelo troféu fora de campo como um ato democrático.

“Uma das maiores conquistas da democracia é o poder judiciário, um poder equilibrado e moderador. Diferente daquele tempo em que a espada do mais forte resolvia tudo. Vamos ganhar na Justiça, se for o caso, o título do segundo turno, e devolver aqueles acidentais 4 a 0.”

O desfecho de título de 1984

Apesar da ofensiva do Atlético, a Justiça desportiva acabou reconhecendo o título do Cruzeiro. O entendimento foi de que a Raposa, de fato, venceu os dois turnos do Campeonato Mineiro de 1984, frustrando o sonho do heptacampeonato do rival.

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