Filho de Joãozinho também jogou no Cruzeiro, fez gol sobre o Barcelona e foi artilheiro no Vitória

Filho de Joãozinho também jogou no Cruzeiro, fez gol sobre o Barcelona e foi artilheiro no Vitória

7 minutos 07/08/2026
Filho de Joãozinho também jogou no Cruzeiro, fez gol sobre o Barcelona e foi artilheiro no Vitória
Filho de Joãozinho também jogou no Cruzeiro, fez gol sobre o Barcelona e foi artilheiro no Vitória (Ídolo do Cruzeiro, Joãozinho viu o filho ser campeão pelo clube)

Entrevistado pelo No Ataque no aniversário de 50 anos do título da Copa Libertadores de 1976 pelo Cruzeiro, Joãozinho viu um de seus filhos herdar o talento para o futebol. No início dos anos 2000, os torcedores celestes puderam acompanhar um pouco do DNA do ídolo das décadas de 1970 e 1980 por meio das atuações de João Soares de Almeida Neto. Batizado com o nome do pai e do avô, o meia-atacante nascido em 31 de janeiro de 1980 integrou a base da Raposa e viveu o auge no time principal em 2002.

As expectativas em torno do filho eram fortes. Em 1995, a TV Cultura fez uma reportagem com a lenda cruzeirense no antigo Estádio Palestra Itália. O local da conversa tinha uma explicação: Joãozinho defendeu o Palmeiras na reta final da carreira, em 1985. Em certo momento da matéria, o ex-jogador, então com 41 anos, foi levado ao treino do Corinthians. O técnico era Eduardo Amorim, com quem formou uma parceria duradoura na Toca, inclusive na Libertadores de 1976.

Após falar sobre a amizade com Joãozinho, Eduardo se dirigiu a um garoto que acompanhava a gravação para lhe desejar sorte na carreira. Era Joãozinho, o filho, que estava com 15 anos e despontava como um dos destaques da equipe infantil do Cruzeiro.

Assista abaixo

O filho de Joãozinho no Cruzeiro

Em 28 de março de 1998, o meia-atacante estreou pelo Cruzeiro ao entrar no lugar de Elivélton (autor do gol do bicampeonato da Libertadores em 1997) na vitória por 3 a 0 sobre o Montes Claros, pelo Campeonato Mineiro. Diante da forte concorrência no elenco, foi emprestado a clubes como Guarani, Ipatinga (artilheiro do estadual de 2000, com 14 gols) e Santa Cruz.

Joãozinho no Ipatinga em 2000 ao lado do técnico Pedro Rocha - (foto: Wolmer Ezequiel / Diario do Aco)

Joãozinho no Ipatinga em 2000 ao lado do técnico Pedro Rocha(foto: Wolmer Ezequiel / Diario do Aco)

De volta ao Cruzeiro em 2002, Joãozinho ganhou oportunidades com o técnico Marco Aurélio. Em campo, deu indícios de que poderia seguir o legado do pai ao demonstrar repertório de dribles, assistências e finalizações.

Uma de suas contribuições mais marcantes ocorreu na partida que selou o título do Supercampeonato Mineiro: de cabeça, anotou o terceiro tento da goleada por 4 a 0 sobre a Caldense, na rodada final, no Mineirão. A equipe celeste precisava vencer o adversário por três gols de diferença para superá-lo no saldo, visto que ambos terminaram empatados com nove pontos.

Joãozinho também integrou o elenco campeão da Copa Sul-Minas — competição que teve Edílson Capetinha como protagonista, com 10 gols — e esteve perto de ganhar a Copa dos Campeões, torneio que valia vaga na Copa Libertadores de 2003.

Joãozinho em ação pelo Cruzeiro contra o Corinthians na Copa do Brasil de 2002 - (foto: Jorge Gontijo/Estado de Minas - 03/04/2002)

Joãozinho em ação pelo Cruzeiro contra o Corinthians na Copa do Brasil de 2002(foto: Jorge Gontijo/Estado de Minas – 03/04/2002)

Na decisão contra o Paysandu, o meia balançou a rede no triunfo por 2 a 1 no jogo de ida e iniciou as jogadas de dois gols no confronto de volta, em que a equipe foi derrotada por 4 a 3. Na disputa por pênaltis, o Papão levou a melhor ao vencer por 3 a 0, aproveitando o fato de a Raposa ter desperdiçado todas as suas cobranças, com erros de Vander, Ricardinho e Jussiê.

Após o vice-campeonato na Copa dos Campeões, o técnico Marco Aurélio aceitou uma proposta do Kashiwa Reysol, do Japão, que já havia contratado Edílson e Ricardinho. Para comandar a equipe, a diretoria celeste buscou Vanderlei Luxemburgo.

O novo treinador chegou a utilizar Joãozinho no Campeonato Brasileiro — o meia-atacante marcou, inclusive, o único gol da equipe no revés por 4 a 1 para o Santos, no Mineirão —, mas por problemas extracampo acabou deixando o jogador fora dos planos para 2003, ano que ficaria eternizado pela conquista da Tríplice Coroa (Campeonato Mineiro, Copa do Brasil e Brasileirão).

Joãozinho recebe instruções de Vanderlei Luxemburgo em treino na Toca da Raposa - (foto: Paulo Filgueiras/Estado de Minas/16/08/2002)

Joãozinho recebe instruções de Vanderlei Luxemburgo em treino na Toca da Raposa(foto: Paulo Filgueiras/Estado de Minas/16/08/2002)

Gol sobre o Barcelona

Com 10 gols em 34 jogos pelo Cruzeiro em 2002, Joãozinho prosseguiu a carreira na Europa. Em fevereiro de 2003, o jogador foi emprestado ao Recreativo de Huelva, que brigava contra o rebaixamento no Campeonato Espanhol, mas fazia campanha surpreendente na Copa do Rei. Durante quatro meses, o brasileiro entrou em campo oito vezes (sete saindo do banco de reservas).

Dos dois gols de Joãozinho pelo Recreativo, um foi sobre o Barcelona, que não vivia grande fase (terminou LaLiga em sexto lugar), mas contava com jogadores renomados em campo, entre eles os zagueiros Frank de Boer e Carles Puyol, o meia Luis Enrique (hoje técnico do PSG) e os atacantes Patrick Kluivert e Javier Saviola.

Usando a camisa 23, Joãozinho entrou aos 31 minutos do segundo tempo, quando o time já perdia por 2 a 0 (gols de Saviola e Kluivert), e balançou a rede aos 42. A reação caiu rapidamente por terra, pois o argentino Juan Román Riquelme marcou o terceiro gol do Barcelona aos 43 minutos (3 a 1).

Foto de Joãozinho no álbum de figurinhas do Campeonato Espanhol

Outro momento de evidência de Joãozinho foi na final da Copa do Rei, em 28 de junho de 2003, em que o Recreativo enfrentou o Mallorca. Acionado aos 32 minutos do segundo tempo para ajudar a equipe a buscar uma reação, o cria do Cruzeiro se apresentou para o jogo, sofreu faltas e tentou alguns passes e finalizações. Contudo, uma falha da defesa resultou no gol de Samuel Eto’o, o terceiro do adversário, que saiu com a vitória por 3 a 0 e ergueu a taça no Estádio Manuel Martínez Valero, em Elche.

Com a perda da final da Copa do Rei e o rebaixamento à segunda divisão no Campeonato Espanhol (18º colocado, com 36 pontos), o Recreativo não prosseguiu com a compra dos direitos econômicos de Joãozinho e o devolveu ao Cruzeiro.

Artilheiro no Vitória e dispensa do Athletico-PR

Sem receber novas oportunidades na Toca, Joãozinho virou um andarilho da bola. No segundo semestre de 2003, defendeu o Fluminense. Posteriormente, passou por Juventude e Paysandu, além de uma segunda experiência na Europa, dessa vez no futebol da Bulgária. Entre 2005 e 2006, vestiu as camisas de Brasiliense, Ipatinga e Portuguesa.

A “virada de chave” ocorreu na ida para o Vitória, em 2007. Naquele ano, Joãozinho jogou com regularidade e se tornou o protagonista do Leão da Barra. Foram 35 gols na temporada: 15 na caminhada até o título do Campeonato Baiano, dois na Copa do Brasil e 18 na Série B, em que a equipe somou 59 pontos, fechou na quarta posição e subiu para a Série A.

Joãozinho em treino pelo Vitória em 2007 - (foto: Eduardo Martins / Ag. A Tarde / Agencia O Globo 19/05/2007)

Joãozinho em treino pelo Vitória em 2007(foto: Eduardo Martins / Ag. A Tarde / Agencia O Globo 19/05/2007)

Em 2008, Joãozinho começou novamente em alta, com quatro gols nos quatro primeiros jogos do Campeonato Baiano. Ele deixou o Vitória ainda em janeiro para outra experiência no exterior, dessa vez no Monarcas Morelia, do México.

Seis meses adiante, o ex-cruzeirense voltou ao Brasil para atuar pelo Athletico-PR. Em uma queda drástica de rendimento, fez somente um gol em oito partidas e acabou dispensado pelo Furacão no fim do ano.

Reta final da carreira

Na reta final de sua trajetória nos gramados, Joãozinho seguiu rodando por equipes brasileiras. Acumulou passagens por Bahia e América, além de novos regressos ao Ipatinga e experiências em clubes de menor expressão do interior baiano e paulista.

Embora mantivesse a habilidade refinada com a bola nos pés, lidava com dificuldades de emplacar uma sequência regular de partidas por causa de lesões e problemas físicos. Em 2015, aos 35 anos, pendurou oficialmente as chuteiras.

Joãozinho em apresentação no América em 2010 ao lado do diretor de futebol Alexandre Mattos - (foto: Marcos Michelin/EM D.A Press)

Joãozinho em apresentação no América em 2010 ao lado do diretor de futebol Alexandre Mattos(foto: Marcos Michelin/EM D.A Press)

Naquele período, o pai já residia nos Estados Unidos há alguns anos e não pôde acompanhar de perto todos os passos do filho nos gramados. Ainda assim, o eterno ídolo cruzeirense demonstra enorme orgulho pela trajetória construída pela “cria”, especialmente por tê-lo visto honrar a camisa azul e branca.

Atualmente, os dois vivem juntos no exterior e trabalham lado a lado em uma pizzaria localizada nas proximidades de Boston, no estado de Massachusetts.

Números de pai e filho

Joãozinho, o pai (João Soares de Almeida Filho)

  • Data de nascimento: 15 de janeiro de 1954
  • Período no Cruzeiro: 1973 a 1986
  • Jogos: 485
  • Gols: 119 (9º maior artilheiro)
  • Títulos: Copa Libertadores (1976), Campeonato Mineiro (1973 , 1974 , 1975 , 1977 e 1984) e Taça Minas Gerais (1973 e 1984)

Joãozinho, o filho (João Soares de Almeida Neto)

  • Data de nascimento: 31 de janeiro de 1980
  • Período no Cruzeiro (1998, 2000 e 2002)
  • Jogos: 36
  • Gols: 10
  • Títulos: Campeonato Mineiro (1998), Copa Sul-Minas (2002) e Supercampeonato Mineiro (2002)

Vídeo: a íntegra da entrevista de Joãozinho, ídolo do Cruzeiro, ao No Ataque

A notícia Filho de Joãozinho também jogou no Cruzeiro, fez gol sobre o Barcelona e foi artilheiro no Vitória foi publicada primeiro no No Ataque por Rafael Arruda

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