Início » Filho de Joãozinho também jogou no Cruzeiro, fez gol sobre o Barcelona e foi artilheiro no Vitória


Entrevistado pelo No Ataque no aniversário de 50 anos do título da Copa Libertadores de 1976 pelo Cruzeiro, Joãozinho viu um de seus filhos herdar o talento para o futebol. No início dos anos 2000, os torcedores celestes puderam acompanhar um pouco do DNA do ídolo das décadas de 1970 e 1980 por meio das atuações de João Soares de Almeida Neto. Batizado com o nome do pai e do avô, o meia-atacante nascido em 31 de janeiro de 1980 integrou a base da Raposa e viveu o auge no time principal em 2002.
As expectativas em torno do filho eram fortes. Em 1995, a TV Cultura fez uma reportagem com a lenda cruzeirense no antigo Estádio Palestra Itália. O local da conversa tinha uma explicação: Joãozinho defendeu o Palmeiras na reta final da carreira, em 1985. Em certo momento da matéria, o ex-jogador, então com 41 anos, foi levado ao treino do Corinthians. O técnico era Eduardo Amorim, com quem formou uma parceria duradoura na Toca, inclusive na Libertadores de 1976.
Após falar sobre a amizade com Joãozinho, Eduardo se dirigiu a um garoto que acompanhava a gravação para lhe desejar sorte na carreira. Era Joãozinho, o filho, que estava com 15 anos e despontava como um dos destaques da equipe infantil do Cruzeiro.
Em 28 de março de 1998, o meia-atacante estreou pelo Cruzeiro ao entrar no lugar de Elivélton (autor do gol do bicampeonato da Libertadores em 1997) na vitória por 3 a 0 sobre o Montes Claros, pelo Campeonato Mineiro. Diante da forte concorrência no elenco, foi emprestado a clubes como Guarani, Ipatinga (artilheiro do estadual de 2000, com 14 gols) e Santa Cruz.

De volta ao Cruzeiro em 2002, Joãozinho ganhou oportunidades com o técnico Marco Aurélio. Em campo, deu indícios de que poderia seguir o legado do pai ao demonstrar repertório de dribles, assistências e finalizações.
Uma de suas contribuições mais marcantes ocorreu na partida que selou o título do Supercampeonato Mineiro: de cabeça, anotou o terceiro tento da goleada por 4 a 0 sobre a Caldense, na rodada final, no Mineirão. A equipe celeste precisava vencer o adversário por três gols de diferença para superá-lo no saldo, visto que ambos terminaram empatados com nove pontos.
Joãozinho também integrou o elenco campeão da Copa Sul-Minas — competição que teve Edílson Capetinha como protagonista, com 10 gols — e esteve perto de ganhar a Copa dos Campeões, torneio que valia vaga na Copa Libertadores de 2003.

Na decisão contra o Paysandu, o meia balançou a rede no triunfo por 2 a 1 no jogo de ida e iniciou as jogadas de dois gols no confronto de volta, em que a equipe foi derrotada por 4 a 3. Na disputa por pênaltis, o Papão levou a melhor ao vencer por 3 a 0, aproveitando o fato de a Raposa ter desperdiçado todas as suas cobranças, com erros de Vander, Ricardinho e Jussiê.
Após o vice-campeonato na Copa dos Campeões, o técnico Marco Aurélio aceitou uma proposta do Kashiwa Reysol, do Japão, que já havia contratado Edílson e Ricardinho. Para comandar a equipe, a diretoria celeste buscou Vanderlei Luxemburgo.
O novo treinador chegou a utilizar Joãozinho no Campeonato Brasileiro — o meia-atacante marcou, inclusive, o único gol da equipe no revés por 4 a 1 para o Santos, no Mineirão —, mas por problemas extracampo acabou deixando o jogador fora dos planos para 2003, ano que ficaria eternizado pela conquista da Tríplice Coroa (Campeonato Mineiro, Copa do Brasil e Brasileirão).

Com 10 gols em 34 jogos pelo Cruzeiro em 2002, Joãozinho prosseguiu a carreira na Europa. Em fevereiro de 2003, o jogador foi emprestado ao Recreativo de Huelva, que brigava contra o rebaixamento no Campeonato Espanhol, mas fazia campanha surpreendente na Copa do Rei. Durante quatro meses, o brasileiro entrou em campo oito vezes (sete saindo do banco de reservas).
Dos dois gols de Joãozinho pelo Recreativo, um foi sobre o Barcelona, que não vivia grande fase (terminou LaLiga em sexto lugar), mas contava com jogadores renomados em campo, entre eles os zagueiros Frank de Boer e Carles Puyol, o meia Luis Enrique (hoje técnico do PSG) e os atacantes Patrick Kluivert e Javier Saviola.
Usando a camisa 23, Joãozinho entrou aos 31 minutos do segundo tempo, quando o time já perdia por 2 a 0 (gols de Saviola e Kluivert), e balançou a rede aos 42. A reação caiu rapidamente por terra, pois o argentino Juan Román Riquelme marcou o terceiro gol do Barcelona aos 43 minutos (3 a 1).

Outro momento de evidência de Joãozinho foi na final da Copa do Rei, em 28 de junho de 2003, em que o Recreativo enfrentou o Mallorca. Acionado aos 32 minutos do segundo tempo para ajudar a equipe a buscar uma reação, o cria do Cruzeiro se apresentou para o jogo, sofreu faltas e tentou alguns passes e finalizações. Contudo, uma falha da defesa resultou no gol de Samuel Eto’o, o terceiro do adversário, que saiu com a vitória por 3 a 0 e ergueu a taça no Estádio Manuel Martínez Valero, em Elche.
Com a perda da final da Copa do Rei e o rebaixamento à segunda divisão no Campeonato Espanhol (18º colocado, com 36 pontos), o Recreativo não prosseguiu com a compra dos direitos econômicos de Joãozinho e o devolveu ao Cruzeiro.
Sem receber novas oportunidades na Toca, Joãozinho virou um andarilho da bola. No segundo semestre de 2003, defendeu o Fluminense. Posteriormente, passou por Juventude e Paysandu, além de uma segunda experiência na Europa, dessa vez no futebol da Bulgária. Entre 2005 e 2006, vestiu as camisas de Brasiliense, Ipatinga e Portuguesa.
A “virada de chave” ocorreu na ida para o Vitória, em 2007. Naquele ano, Joãozinho jogou com regularidade e se tornou o protagonista do Leão da Barra. Foram 35 gols na temporada: 15 na caminhada até o título do Campeonato Baiano, dois na Copa do Brasil e 18 na Série B, em que a equipe somou 59 pontos, fechou na quarta posição e subiu para a Série A.

Em 2008, Joãozinho começou novamente em alta, com quatro gols nos quatro primeiros jogos do Campeonato Baiano. Ele deixou o Vitória ainda em janeiro para outra experiência no exterior, dessa vez no Monarcas Morelia, do México.
Seis meses adiante, o ex-cruzeirense voltou ao Brasil para atuar pelo Athletico-PR. Em uma queda drástica de rendimento, fez somente um gol em oito partidas e acabou dispensado pelo Furacão no fim do ano.
Na reta final de sua trajetória nos gramados, Joãozinho seguiu rodando por equipes brasileiras. Acumulou passagens por Bahia e América, além de novos regressos ao Ipatinga e experiências em clubes de menor expressão do interior baiano e paulista.
Embora mantivesse a habilidade refinada com a bola nos pés, lidava com dificuldades de emplacar uma sequência regular de partidas por causa de lesões e problemas físicos. Em 2015, aos 35 anos, pendurou oficialmente as chuteiras.

Naquele período, o pai já residia nos Estados Unidos há alguns anos e não pôde acompanhar de perto todos os passos do filho nos gramados. Ainda assim, o eterno ídolo cruzeirense demonstra enorme orgulho pela trajetória construída pela “cria”, especialmente por tê-lo visto honrar a camisa azul e branca.
Atualmente, os dois vivem juntos no exterior e trabalham lado a lado em uma pizzaria localizada nas proximidades de Boston, no estado de Massachusetts.
A notícia Filho de Joãozinho também jogou no Cruzeiro, fez gol sobre o Barcelona e foi artilheiro no Vitória foi publicada primeiro no No Ataque por Rafael Arruda

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